A Fonte Grande.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos em Morro

 

A Fonte Grande.

Hoje em dia não é utilizada pelos moradores nem visitantes.

Hoje em dia não é utilizada pelos moradores nem visitantes.

A Fonte Grande é outra importante construção que guarda parte da história de Morro de São Paulo. Construída em 1746, durante o período Brasil Colonial, a Fonte Grande foi considerada o maior sistema  de abastecimento de água e citada como um exemplo de tecnologia na época. Rodeada de lendas e fatos pitorescos, o local serviu de palco para episódios que até hoje despertam a curiosidade dos turistas que a visitam. Uma antiga lenda, diz que a Fonte foi descoberta graças a um milagre atribuido a Nossa Senhora da Luz, durante a construção da igreja e sua principal função era abastecer a guarda e o presídio da Fortaleza de Tapirandu.

A Fonte Grande tem também outra curiosa denominação.

É conhecida também como Fonte do Imperador e este nome é atribuído devido a um suposto banho que o imperador D. Pedro II  tomou no lugar. E, detalhe: ele não estava sozinho e sim acompanhado de Domitília de Castro, a famosa Marquesa de Santos.

A veracidade de tal acontecimento é provada através das anotações que D. Pedro II fez durante sua visita a Morro de São Paulo, que foi devidamente registrada e guardada. O banho de D. Pedro II e da  Marquesa de Santos na Fonte Grande contribuiu para a fama do local.

Um patrimonio da humanidade adimirada pelos visitantes

Um patrimonio da humanidade adimirada pelos visitantes

As ruas localizadas próximas ao redor da Fonte cresceram. Aos poucos foram sendo construídas casas e pousadas para atender as novas necessidades de Morro de São Paulo. Hoje,  próxima a Fonte, concentra-se um comércio diversificado, onde além de restaurantes, padaria e lojas, são oferecidas várias opções de hospedagem. Apesar do progresso, ainda pode-se ouvir o barulho da água que antigamente era mais abundante e límpida e fazia a alegria da comunidade do povoado de Morro de São Paulo. Você já imaginou estar visitando o local e deparar com alguém literalmente “tomando banho”. Antigamente isto era normal e habitual pois através de suas águas a população banhava-se nos tradicionais banhos coletivos que até hoje são lembrados com saudades por aqueles que viveram esta época.

A Descoberta

Segundo antigos arquivos, a Fonte foi descoberta por Simão Barreto, numa provável graça da Santa Nossa Senhora da Luz, na ocasião em que este estava construindo a Igreja. Somente em 1746, que a Fonte Grande foi construída tendo sido uma estação de abastecimento de água, responsável pelo abastecimento de boa parte da Bahia Colonial com água potável. Até hoje, entre as poucas coisas que foram preservadas uma placa guarda sua importância histórica: “ O Ilmo e Exmº senhor André de Melo de Castro Conde das Galveas Vice-rei e Captª Genª de Mar e Terra Estado do Brasil mandou fazer esta fonte 1746”.

André de Melo de Castro era vice-rei do Brasil nesta época e construiu a Fonte também com o objetivo desta servir ao presídio, que ficava localizado junto a Fortaleza de Tapirandu. De acordo com o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988: [o imperador D. Pedro II registrou durante sua visita a Morro de São Paulo em 1859 a importância desta fonte pública de 3 bicas para o abastecimento do Brasil Colônia. No ano de 1943 a Fonte Grande foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional] (processo nº321-T, inscrição nº 216, Livro Histórico, fls. 36 e Inscrição nº 283-A, Livro das Belas Artes, fls 60. Data 08-VIII.194).

O tombamento histórico não impediu o gesto inconsequente registrado no ano de 1946. Neste ano, a Fonte sofreu danificações atribuídas a ação de algumas pessoas que se identificaram como sendo ligadas a Interventoria Federal e realizaram escavações. O objetivo, segundo contam alguns nativos,  era achar um antigo tesouro.

A Secretaria do Patrimonio Histórico, Artístico e Nacional (SPHAN) vistoriou o monumento e elaborou um orçamento para que fossem recuperados os danos. As obras foram custeadas pelo poder público municipal. Entre os anos de 1954 e 1970 a Fonte Grande também passou por processos de restauração.

Placa informativa da construção da fote grande

Placa informativa da construção da fote grande

O sistema compreende uma cisterna circular recoberta por uma cúpula em meia-laranja; galeria de adução; fonte que é constituída por um chafariz e bacia de captação das águas servidas e sistema de drenagem; uma escadaria com piso em mármore cinza por onde se desce até o local e por onde a água sai através de uma calha de ferro.

Os banhos na fonte Grande

A Fonte Grande não é apenas mais um dos cartões postais e monumentos históricos de Morro de São Paulo. Se no passado foi considerada como o maior sistema  de abastecimento de água, serviu também de palco para  episódios inusitados. Não foi somente Dom Pedro II e a Marquesa de Santos que tiveram o privilégio de banharem-se no local. Era junto à Fonte Grande que aconteciam os tradicionais banhos coletivos da comunidade de Morro de São Paulo.

Devido ao problema de abastecimento e não haver água canalizada, a população via-se obrigada a buscar outras alternativas para sua higiene pessoal e após o banho de mar era comum os moradores formarem fila na bica para o banho. Segundo nos contam antigos moradores, os banhos eram divididos: primeiro as mulheres e depois os homens. Cada um trazia sua saboneteira e toalha e a diversão estava garantida.

“Tomava-se banho de mar e depois vinham tirar o sal aqui”, recorda  Seu Manuel Paulo Santos,com 58 anos em 2008 e nativo. Ele era um dos que frequentava a fonte nesta época e lembra destes tempos com muita saudade. “Havia respeito e todos usufruíam naturalmente da fonte”, diz.

A água é captada através de um reservatório natural e levada até outro reservatório circular, onde é conduzida por uma galeria até a  fonte.

Além dos banhos, outro ponto deixou boas lembranças deste período e marcou história na área próxima à Fonte Grande. Existia uma quitanda, cuja proprietária era  uma senhora chamada  Maria, que vivia abarrotada de nativos que ficavam no local curtindo o final do dia e apreciando uma “boa pinga”, como diz Seu Manuel. Enquanto as mulheres tomavam banho, os homens esperavam no bar de Dona Maria e aproveitavam a ocasião para tomar uma “cachacinha”.

A Rua da Fonte Grande, como é hoje chamada, também teve seus tempos de glória. Por volta da década de 80 existiam alguns  restaurantes no local e eram bem movimentados. De acordo com o empresário Mosaniel Fonseca de Jesus, com 39 anos em 2008, conhecido como Rasta e morador desde 1985 em Morro de São Paulo, quando não havia movimento na praia, era certo que o point era na na Fonte Grande.

Nestes tempos tinha um bar chamado “O Filme”, de um argentino que atraía muitas pessoas, segundo nos conta Rasta. Atualmente como decorrência do progresso que a ilha teve e a crescente ocupação urbana nas proximidades da Fonte, ainda existem alguns restaurantes, mas a maioria se concentra na vila e praias.

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