FORTALEZA DO MORRO DE SÃO PAULO.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos em Morro

 

 

FORTALEZA DO MORRO DE SÃO PAULO – TAPYRANDÚ

Mesmo em ruinas seu visual é extraordinario.

Mesmo em ruinas seu visual é extraordinario.

 

 

 Devido à ameaça de novas invasões, em 1630 o então Governador Diogo Luís de Oliveira ordenou a construção de uma fortificação no local, destinado à defesa do lugar e do recôncavo baiano, pois através do Canal de Tinharé (a falsa Baía de Todos os Santos) se atingiria esta região e a Baía de Todos os Santos, que era a rota para o abastecimento de Salvador. Assim Morro de São Paulo passou então a desempenhar um papel importante na estratégia da defesa da costa baiana e se desenvolveu em função da fortaleza, adquirindo fortes características de núcleo urbano militar.

Uma rica história da defesa das invasões espanhola e holandesa.

Uma rica história da defesa das invasões espanhola e holandesa.

 Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, surgiu a Grande Febre do Ouro. O fato obriga o Rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes, a estabelecer um posto de fiscalização em Morro de São Paulo, instituindo assim um controle ao acesso das minas de ouro no interior. Três anos depois, ordena a extensão das obras da fortificação mandando construir o Forte da Ponta ou Forte Tapirandú.

Golfinho bailando em frente a fortaleza deixando os turistas de boca aberta.

Golfinho bailando em frente a fortaleza deixando os turistas de boca aberta.

O sistema da fortificação foi construído por etapa por mais de cem anos, sob uma cortina em forma poligonal disposta no rumo SW – NE, ao longo da barra no Canal de Tinharé. Na extremidade NE fica o Portaló, uma construção de pedras e arenito fixados com óleo de baleia, tem a imponência monumental em forma de arco, é a principal entrada para a fortificação e a vila. À sua frente está um edifício abobadado que servira de casa do corpo da guarda, armazém de armamentos, a tulha de farinha e cômodo dos oficiais. Mais a frente, mais 157m, onde pouco antes há uma guarida, encontra-se o Forte Velho ou Bateria da Conceição, em forma de fecha, com quatro troneiras para sustentação de canhões. Havia ali também uma guarita, um corpo de guarda e a casa do capitão, ambos já não existem mais. A meia costa, seguindo a cortina da muralha, se localizava a bateria de Sto. Antônio que abrigava canhões de menor porte e mais a frente por mais 263 estavam dois grupos de troneiras, chega-se a Fortaleza ou a Ponta; daí o nome Forte da Ponta. A estrutura dita de um quartel com placa de fundação datada de 1730; data que se presume a finalização da construção do Forte da Ponta. No alto do morro, a cavaleiro do Forte da Ponta, ficava o Forte do Zimbeiro onde hoje está o farol, o forte tinha a função de atirar para o mar em direção à barra do canal de Tinharé, na meia encosta, na direção sul, fragmentando na Prainha, estava o Forte de São Luiz que tinha a função de proteger a citada praia onde era fácil o desembarque de inimigos. Do primeiro forte, resta apenas uma pequena muralha e do segundo o que restou está sob as construções que invadiram o patrimônio. Também no alto do morro, ficava a primitiva capela, a casa do capelão, o paiol e um trecho de muralha; tudo completamente destruído.

Realmente esta imagem dentro do forte é merecedora de varios prémios.

Realmente esta imagem dentro do forte é merecedora de varios prémios.

A partir daí iniciou-se uma nova fase de prosperidade para Tinharé e região. A imponente fortaleza, hoje em ruínas, está protegida por uma muralha de 678m de extensão e em certas localidades atinge até 11m de altura; os indígenas a chamavam de Tapyrandú, também foi chamado de Forte do Facho.

 A primeira fase da construção, que consistia na estrutura denominada Forte da Conceição durou quase cem anos, funcionando oficialmente em 1652 antes do termino e ganhara guarnição fixa em 1664. O primeiro foi este e entre os anos de 1728 e 1732, o vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Meneses o Conde de Sabugosa, inicia obras de ampliação na Fortaleza, criando outros três fortes: O Forte da Ponta e o pano de cortina da muralha ao longo do canal.  Em 1739, o Vice-rei Andre de Melo e Castro, começa a construção, sobre o morro, da continuação da muralha para integrar o conjunto das fortificações, obra que perdurou até 1759. No ano de 1774 um temporal destrói trechos da muralha do Forte da Ponta que assim ficou até o final deste do século.

Colqueiros moradores do forte bailando pela ventania do oceano.

Colqueiros moradores do forte bailando pela ventania do oceano.

 Em 1748, em sua fase áurea o povoado do Morro de São Paulo contava com cinco construções fortificadas e muralhas, sendo uma das maiores do Brasil. A guarda fixa da Fortaleza eram recrutadas entre os moradores das ilhas, contava na época com 51 peças de artilharia (canhões) e com até 183 soldados. A fortificação também era conhecida com presídio.

 Em 1779, o então Sargento-mor Domingos Álvares Branco Muniz Barreto, assinala o estado de ruínas das fortificações, com os redutos da Conceição, São Luiz, Sto. Antônio e Zimbeiro quase ao chão, reconstrói cortina no Forte da Ponta, recomenda a reedificação do presídio segundo a arte da “castramentação” e a volta da companhia de artilheiros.

 No final do mesmo século, a fortaleza se encontrava decadente e em considerável situação de ruínas. Devido a sua posição estratégica, em 1823 o Almirante Lord T. Cocrkrane a elege base de operações da primeira esquadra brasileira, de onde suas tropas saiam para lutar contra a frota portuguesa, fundeada em Salvador, era o âmbito da independência. Nesta época só havia uma rua; partia da pequena praça em direção a Prainha, em cuja praia habitava a guarnição da fortaleza.

 D. Pedro II visita a Ilha de Tinharé em 1859, com intuito de conhecer a tão falada fortificação e o povoado do Morro de São Paulo, no lugar passa apenas um dia e uma noite, hospeda-se no sobrado da praça, casa do comandante da base militar.

 Na primeira década do século XIX, é recomendada mais uma recuperação na fortificação indicando a substituição o emprego da terra ou madeira em lugar de cantaria ou alvenaria nos parapeitos. Em 1863, com a questão Christie, foi designado o Cel. Engenheiro Henrique B. Ruhan para avaliar as necessidades  de reforçar as fortificações. Inscrições no Portaló indicam haver acontecidos às reformas. No ano seguinte, as obras continuaram sob o comando do Eng. Militar João José Sepulveda de Vasconcelos. Em 1881 a 83, são realizados novos concertos e já no século XX em 1915 se encontrava ao relento as 52 peças de artilharia pesada, os canhões. Em 1937 a fortificação já passa a juridição da Fazenda Nacional e em 1938 foi tombada pelo IPHAN.

 

 

Fonte – IPHAN – IPAC – IRDEB – AABE

28 – Transcrição – W. Pappito

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