Igreja do Senhor do Bonfim – HISTORIA DA IGREJA SENHOR DO BONFIM A Lavagem do Bonfim é um ritual católico.

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Igreja do Senhor do Bonfim – HISTORIA DA IGREJA SENHOR DO BONFIM A Lavagem do Bonfim é um ritual católico.

Igreja Senhor do Bonfim

A devoção ao Nosso Senhor do Bonfim começa ainda nas terras Lusitanas. E é trazida ao Brasil por Teodózio Rodrigues de Faria – capitão de mar e guerra da Marinha portuguesa. Uma forte tempestade, seguida de um naufrágio quase leva à morte o capitão português. E é diante do desespero que ele faz uma promessa ao Senhor do Bonfim: se chegasse vivo a Portugal, traria uma imagem do santo e a sua devoção para a colônia.
Assim começa a historia da fé ao Senhor do Bonfim em Salvador. Em 1745, na semana de páscoa, a imagem esculpida em cedro chega a capital e é colocada na igreja de Nossa Senhora da Penha da França, no bairro de Itapagipe. As associações de fiéis comandadas por Teodózio Rodrigues começam a se formar logo que a imagem chega ao país. E esse número aumenta gradativamente à medida que diversos milagres acontecem. A idéia da construção de uma igreja para o Senhor do Bonfim também cresce na proporção dos milagres, romarias e doações feitas.
A Igreja do Senhor do Bonfim teve sua construção concluída em 1754. A imagem do Nosso Senhor do Bonfim chega na Colina Sagrada no morro de Monte Serrat em procissão. Um dos locais mais altos de Salvador e com vista para a Baia de Todos os Santos é até hoje a moradia a imagem trazida no século XVIII.
A comemoração ao Senhor do Bonfim é feita na primeira quinta-feira depois do dia de Reis. O percurso da festa vai da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia até o Bonfim. A festa começa de manhã e se estende tarde adentro com os agradecimentos e toda a fé que os baianos tem pelo Santo. Além de ser uma das comemorações religiosas católicas mais antigas em Salvador, o lado profano da festa não falta com barracas de bebidas e comidas típicas. Até o ano de 1998, mini-trios elétricos participavam do cortejo. Mas para preservar as tradições religiosas da festa a Prefeitura Municipal e a Arquidiocese de Salvador, vetaram essa participação.
Fé e devoção em forma de fita – As tão famosas “fitinhas do Senhor do Bonfim” tem uma história tão antiga quanto a Igreja. De acordo com documentos recém descobertos, as data de criação das fitinhas está por volta de 1792. Quando foi criada, a fitinha do Senhor do Bonfim era chamada de “medidas”. Pois possuía o tamanho da medida do braço da imagem do Senhor do Bonfim que ficava em Salvador. Na época a “medida” era feita de panos nobres bem parecidos com a seda, possuíam frases e imagens do santo. E a cada romeiro que visitava a Igreja era permitido levar uma “medida” como forma de levar um “pedaço” da devoção.

FOTOS DA Igreja do Senhor do Bonfim – Salvador

(Imagem: Janaína Calaça)

A Igreja do Senhor do Bonfim é um dos mais famosos templos católicos da cidade de Salvador. A igreja localiza-se na Cidade Baixa na sagrada colina na península de Itapagipe. O início de sua construção data de 1745 e o término das obras datam de 1772. As principais imagens presentes no templo vieram de Portugal.

(Imagem: Janaína Calaça)

Todos os anos, em janeiro, acontece a maior celebração do sincretismo baiano tendo como cenário a igreja. Baianas paramentadas lavam as escadarias, que é parte da procissão que festeja o padroeiro da Bahia. Antes a lavagem partia do altar, mas um dos representantes da igreja católica impediu que a tradição sincrética tivesse sua continuação, restringindo a participação das baianas à lavagem da parte externa da igreja. A lavagem conta com banhos de alfazema e flores brancas enfeitam a imagem do senhor do Bonfim.

(Imagem: Janaína Calaça)

Independente das crenças, é interessante visitar a igreja do Bonfim pela sua arquitetura e pelo mergulho na história, trazida ao longo da construção. Há peças que datam da época de sua fundação. A igreja é visitada diariamente não somente por fiéis, que assistem às missas celebradas, como também por turistas e estudiosos de arquitetura.

(Imagem: Janaína Calaça)

Um dos ambientes mais interessante da igreja é a sala que abriga um museu de partes do corpo em cera, vela e fotografias de fiéis. Ao longo das paredes estão fixadas fotografias de pessoas que fizeram promesss para Senhor do Bonfim, que envolvem desde cura de enfermidades à conclusão da universidade.  As peças em cera simbolizam partes de corpo que foram entregues aos cuidados do santo e que foram, através da fé, curadas de suas enfermidades. Há muita história espalhada ao longo desta sala e que desperta a curiosidade de quem a visita.

(Imagem: Fábio Brito)

A igreja fica aberta durante o dia, mas à noite vê-la iluminada também vale o passeio. Vê-se o templo ao longe na colina de vários pontos da cidade. Como disse anteriormente, se não é pela crença que a visita aconteça pela curiosidade em conhecer uma obra arquitetônica interessante. Não esqueça de levar sua fitinha do Bonfim.

Endereço: Praça Senhor do Bonfim, s/nº – Bonfim. Tel: (71) 3316-2196.

Visitação: Terça a domingo, das 6h30 às 12h e das 14h às 18h.

DATA HISTÓRICA

A CRUZ DO SENHOR DO BONFIM FINCADA NO SEIO DA TERRA MÃE DO BRASIL, A BAHIA, INICIA SUA HISTÓRIA DE FÉ DESDE OS LONGÍNQÜOS 1669. VALE CONFERIR ALGUMAS DATAS SIGNIFICATIVAS DESSA CAMINHADA HISTÓRICA:

1669 – 1670: Na cidade de Setúbal, Portugal, foi erigida uma Ermida sob a invocação do “Anjo da Guarda” e depois passou a se chamar “Igreja do Senhor do Bonfim”.

1706 — D. João V, diante da imagem do Senhor do Bonfim, faz promessas pelo restabelecimento da saúde de seu pai, el rei, D. Pedro II.

1745 – De Portugal vem para a Bahia o devoto capitão-de-mar-e-guerra Theodósio Rodrigues de Faria, representante da câmara de fumo de Portugal na Província e fervoroso devoto do Senhor Jesus do Bonfim.

1745 – Inicia no Brasil o culto ao Senhor do Bonfim e a Nossa Senhora da Guia. No dia 18 de abril desse mesmo ano, é criada a “Devoção do Senhor Bom Jesus do Bomfim”, irmandade de leigos reconhecida pelo então arcebispo D. José Botelho de Matos, presente ao ato da fundação. Pontificava então na Igreja o papa Bento XIV, sob o reinado em Portugal de D. João V, e governava a Colônia na Bahia o 5º vice – rei, André Melo e Castro, conde dos Galveias. A imagem de Jesus crucificado, Senhor do Bonfim, mede 1,06 cm de altura e é esculpida em pinho de riga.

1746 – Inicia-se a construção da Capela, concluída em 1772.

1754 – No dia 24 de junho, após a conclusão das obras internas, foi transladada da Capela da Penha para a colina do Bonfim a sagrada imagem, em imponente procissão, ocasião em que governava a Bahia o 10º conde de Atouguia e VI vice – rei, que prestigiou a solenidade junto com toda a população da cidade.

1773 – Autorização do arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide para que a festa litúrgica do Bonfim possa ser celebrada no segundo Domingo da Epifania ( 2º domingo de janeiro ).

1792 – Inicio da festa de N. Senhora da Guia na segunda-feira após o encerramento dos festejos ao Senhor do Bonfim.

1804 – O papa Pio VII, por Breve Apostólico, confirma a festa ser celebrada no segundo domingo de janeiro. Na mesma data é aprovada pela Mesa a entronização da imagem de São Gonçalo do Amarante.

1809 – É introduzido o uso de “medidas” (fitinhas), registro e estampas do Senhor do Bonfim e de N. Sra. da Guia. Costume que até hoje perdura, mas de formas e confecção diferentes.

1811 – É introduzida na igreja a festa do Santíssimo Sacramento.

1823 – Pela primeira vez sai do seu trono e deixa o altar a imagem do Senhor do Bonfim ( Procissão de Penitência ).

1839 – O musicista Damião Barbosa de Araújo compõe as músicas para as novenas.

1862 – Colocação na igreja do serviço de iluminação a gás carbônico.

1863 – Inauguração do chafariz na praça e colocação do gradil de ferro que contorna a igreja. É erguida, no Brasil, em praça pública, a primeira estátua em mármore de carrara do Cristo Redentor.

1890 – O arcebispo, com o apoio da Força Pública, proíbe a lavagem dentro da igreja, devido aos abusos.

1902 – Faz-se a instalação elétrica da fachada da igreja que perdurou até 1998, como feérico monumento de cristal.

1918 – É aprovado o primeiro Estatuto da Devoção

1923 – No dia 16 de maio é aprovado o Hino Oficial por D. Jerônimo Thomé da Silva. Nesse ano, acontece a sagração da igreja por D. Manuel Lima Valverde, baiano, arcebispo de Olinda.- É publicada a primeira edição do livro do devoto Dr. Jose Eduardo Freire de Carvalho Filho: “A Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim e sua Historia”, em cujas notas basearam-se essas informações.

1927 – Em janeiro é divulgada oficialmente o Breve papal de S.S. o Papa Pio XI, elevando à dignidade de “Basílica Menor” a igreja do Senhor do Bonfim, sendo arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, D. Augusto Álvaro da Silva.

1954 – Iniciam-se na Basílica as celebrações das missas vespertinas.

1975 – Inauguração do Museu dos Ex-Votos. Inspiração e criação do irmão tesoureiro, Rubem Freire de Carvalho Tourinho.

1980 – O papa João Paulo II se encontra com o Senhor do Bonfim no Centro Administrativo da Bahia por ocasião da Missa de encerramento de sua primeira visita a Salvador.

1991 – No dia 20 de outubro, S. Santidade visita a Basílica e reza ao pé do altar do Senhor do Bonfim. Nesta ocasião, inaugura-se uma placa comemorativa e o Papa presenteia à Devoção com um cálice de prata dourada.

1994 – Decretado por D. Lucas Moreira Neves o “Ano Jubilar” pela passagem dos 250 anos da chegada à Bahia das imagens do Senhor do Bonfim e de N. Sra. da Guia. Grandes solenidades são realizadas, destacando-se a mensagem especial enviada por S.S. o papa João Paulo II à Devoção, É feita a publicação de uma revista histórico–comemorativa: ”Dois séculos e meio da devoção de um povo”. como também o lançamento de um CD, contendo a composição lítero-musical da Novena ao Senhor do Bonfim.

1998 – Inicia-se a restauração da Basílica sob os auspícios do Governo do Estado, tendo como alvo o conserto do teto e as obras de arte, as pinturas.

28/12/1998  Em grande festa, reabrem as portas da Basílica, acontecendo uma  procissão de retorno da imagem do Senhor do Bomfim da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, Itapagipe, com a presença de autoridades civis, militares.

2000: Pela primeira vez nos anais da Devoção, dá-se a ida da imagem peregrina do Senhor do Bonfim para o interior, à cidade de Feira de Santana, por ocasião do ano jubilar da criação daquela arquidiocese.

2001- Pela segunda vez acontece a saída da imagem peregrina fora de Salvador; a cidade agraciada, desta feita, foi Milagres.

Nesse mesmo ano, a imagem do Senhor do Bonfim vai até a Fonte Nova, participar das solenidades de encerramento dos 450 anos da criação da Arquidiocese de São Salvador

2001- Inauguração do Centro Comunitário “Senhor do Bonfim”..

2002- Saída da imagem peregrina do Senhor do Bonfim para a cidade de Maragogipe, na festa de São Bartolomeu.

2003- É dada nova estrutura na composição do museu dos ex-votos.  É aprovado o novo Estatuto da Devoção.

Na Bahia, na segunda quinta-feira depois do Dia de Reis, duas religiões que sempre viveram às turras se unem para um ritual religioso em comum – a lavagem da escada da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, no bairro Bonfim, em Salvador. Nesse dia, católicos e adeptos do candomblé percorrem juntos 8 km de ruas baianas, cantando hinos de adoração às duas principais divindades de cada crença, Nosso Senhor Jesus Cristo e Oxalá, configurando um dos maiores exemplos brasileiros do fenômeno de fusão de religiões conhecido como sincretismo. Mas o mais curioso da festa é que o centro do ritual, a escada, tem apenas 10 degraus, em torno dos quais cerca de 1 milhão de pessoas se reúne anualmente.

A Lavagem do Bonfim é um ritual católico ou do candomblé?

cortejo
Prefeitura de Salvador/Divulgação
Milhares de pessoas percorrem 8 k de ruas para
a lavagem das escadas do Bonfim

A inusitada parceria entre as religiões tem origem na época da escravatura, quando portugueses e escravos, juntos, preparavam a capela para a festa de encerramento da novena de devoção ao Nosso Senhor do Bonfim.

A imagem do homenageado é uma réplica em madeira de 1,06 metro de outra do Cristo que é venerada em Setúbal (Portugal) e foi trazida ao Brasil em 1745 pelo capitão de Mar e Guerra Teodósio Rodrigues de Faria, português devoto. Ela foi instalada primeiramente na Capela de Nossa Senhora da Penha de França, em Itapagipe (MG), durante a Páscoa, e lá ficou até ganhar uma igreja em 1754, em Bonfim, em Salvador (Bahia), terra que lhe rendeu o nome.

Em 1804, foi instituída pelo papa Pio 7 a novena ao Nosso Senhor do Bonfim. A duração de nove dias é uma referência ao intervalo entre a ascensão de Jesus Cristo ao céu após a ressurreição e a descida do Espírito Santo narrada na Bíblia. Nesse período, os fiéis se reúnem em missas noturnas com música e orações. A novena culmina em uma missa festiva na manhã do último dia, o segundo domingo depois da Festa de Reis.

na igreja
Prefeitura de Salvador/Divulgação
Multidão acompanha a celebração do Bonfim

Na quinta-feira anterior à festa de encerramento, os senhores portugueses faziam seus escravos prepararem o templo juntamente com os fiéis, limpando e enfeitando a igreja por dentro e por fora. Vindos da África, os escravos eram obrigados a aderir ao catolicismo, a despeito de sua crença de origem, segundo Josildete Consorte, antropóloga e pesquisadora de sincretismo afro-católico. Para manter suas tradições religiosas, eles faziam associações entre divindades cristãs e entidades do candomblé. Assim, a preparação da igreja foi transformada em ato de louvor à principal entidade do candomblé: Oxalá, o orixá associado ao Nosso Senhor do Bonfim.

Até o fim dos anos 1950, a tradição tinha uma característica popular, e a igreja era efetivamente lavada pelos participantes. A partir da década de 60, quando a Bahia se transformou em pólo turístico e o ritual começou a reunir multidões, por razões de segurança, a lavagem passou a ser simbólica e a acontecer apenas do lado de fora da igreja, que mantém suas portas fechadas no dia, deixando acessível apenas a escada de acesso.

Além dos fiéis, participam bandas, grupos de manifestação folclórica, turistas e curiosos. Muitos se vestem de branco para a ocasião, que é a cor de Oxalá. Mulheres trajadas de baianas, com vestidos brancos, turbantes e braceletes, lideram o cortejo, que sai da Igreja da Conceição da Praia, no bairro Dois de Julho em Salvador (BA), por volta das 10 horas da manhã, após o término de uma missa. Elas seguem carregando vasos com a água perfumada que é derramada nos degraus da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

baianas
Prefeitura de Salvador/Divulgação
­Baianas vestidas a carater carregam a ­
água perfumada que é usada n­o Bonfim

O líquido é preparado nos terreiros de candomblé de um a sete dias antes do rito. O perfume vem de folhas e ervas cheirosas, como laranjeira, manjericão, macaçá e alfazema e de água de levante, explica a Mãe de Santo Benizaura Rocha de Almeida, do terreiro Luanda Junça (Salvador, BA). A mistura fica em repouso em uma sala sagrada de culto para a materialização da força do orixá até o dia da festa, segundo o babalorixá (sacerdote) Alexandre T´Ogun Olumaki (Alexandre Soares de Almeida Sampaio Leite), do terreiro Ilê Axé Ogun Atojá, em São Paulo. Além de servir para lavar os degraus da capela, a água é usada também para ungir pelo caminho os participantes que buscam proteção espiritual. O ritual termina em festa, animada por música e comidas e bebidas típicas vendidas nas barracas que são montadas ao redor da igreja.

Apesar do clima de confraternização, o cientista religioso Afonso Soares, da Pós-Graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), explica que este tipo de equilíbrio entre as duas crenças não é fácil, pois existem atritos entre as religiões cristãs e as afro-brasileiras. Existem, inclusive, movimentos no sentido contrário ao sincretismo, que visam separar o candomblé do catolicismo.

A razão para tal tolerância na lavagem das escadas é que o evento é considerado mais uma festa profana com forte apelo turístico que um rito religioso, segundo a prefeitura soteropolitana. O evento reúne todos os anos cerca de 1 milhão de pessoas, segundo dados da prefeitura de Salvador, e é o segundo maior da cidade, perdendo apenas para o Carnaval.

Abrigos da fé
Dorival Caymmi cantou, em uma de suas músicas sobre a Bahia, que Salva-dor tem 365 igrejas, para que o baiano celebre sua fé em um canto dife-rente a cada dia do ano. Ninguém sabe ao certo se este é realmente o número de templos católicos da capital baiana e há quem diga que exis-tem ainda mais. Uma coisa é certa: as igrejas católicas construídas a-qui, desde a fundação da cidade, guardam histórias além de relíquias. São elas que remetem o visitante a um passado onde fé e arte estavam juntas em um mesmo altar.

As igrejas de Salvador possuem uma variedade de estilos, indo do barro-co ao neoclássico. Foram construídas com os mais diversos materiais, desde a pedra lioz até o ouro. Algumas conservam ainda painéis e tetos pintados a óleo, azulejos vindos de Portugal, imagens sacras que são obras de arte. Detalhes que fazem dos templos de Salvador muito mais do que casas de orações, são monumentos valor artístico inestimável.

Relíquias arquitetônicas
No conjunto arquitetônico do Pelourinho, destacam-se as igrejas, pela quantidade, variedade e beleza. As edificações das ordens religiosas e os sobrados passaram a rodear o Terreiro de Jesus no século XVIII. É justamente no Centro Histórico que estão alguns dos mais importantes templos de Salvador, como a Catedral Basílica (antiga igreja dos jesuí-tas), construída no século XVII, construída no estilo barroco e rococó. Na mesma praça XV de Novembro, conhecida como Terreiro de Jesus, outras quatro Igrejas se distribuem entre o casario antigo e o chafariz de o-rigem francesa do ano de 1855. A Catedral Basílica, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, a Igreja de São Pedro dos Clérigos, Igreja da Ordem Terceira de São Domingos e a Igreja e Convento de São Francis-co.

A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco data de 1702. Tem fachada em pedra lavrada cinzelada, que remete ao barroco espanhol, sendo o ú-nico exemplar no Brasil que apresenta santos, figuras, anjos, caras, emblemas, coroas, ramos, dentre outros ornatos. Por algum tempo, essa fachada esteve encoberta com argamassa e somente no início do século XX, durante serviços de implantação da rede elétrica na área, foi re-descoberto o seu desenho original. Ele é de Gabriel Ribeiro, considera-do um dos introdutores do barroco na Bahia.

No teto existem pinturas criadas em 1831 por Franco Velasco. Já no ane-xo, funciona museu que reproduz um salão nobre, com acervo de obras sa-cras, vestes sacerdotais e sala de reuniões com azulejos portugueses. Horário de funcionamento, de segunda a sexta, das 8h às 11h30 e 13h às 17h.

A Catedral Basílica data do começo do século XVII e ocupa o quarto edi-fício construído no local. O templo, que tem materiais como ouro, már-more, madeira de jacarandá e marfim de tartaruga, tem revestimento in-terno e externo de pedra, e possui duas torres e abóbadas em madeira. Os nichos sobre as portas da igreja, na fachada, apresentam imagens de três santos jesuítas – Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier (padroeiro de Salvador) e São Francisco de Borja. No interior, as ta-lhas dos altares contam a história da evolução dos estilos da arquite-tura na Bahia. A Igreja mistura os estilos barroco e rococó. Destacam-se os altares dos Santos Mártires e das Virgens Mártires provenientes da primitiva Igreja do Colégio dos Jesuítas, ambos datados do século XVI.

Foi numa das celas da Catedral que morreu o Padre Antônio Vieira, no dia 18 de julho de 1697, depois de condenado pela inquisição por causa de seus sermões. Entre outras pedras tumulares, destaca-se ainda a do terceiro Governador-Geral do Brasil, Mem de Sá. O prédio ainda abriga o Museu da Catedral, com acervo de peças dos séculos XVI ao XX, em ouro e prata. É palco de concertos do grupo Barroco na Bahia e da Orquestra Sinfônica da Bahia. O horário de funcionamento é de segunda a sábado, das 8h às 11h30 e das 14h às 17h30. As missas acontecem de terça a sex-ta, sempre às 18h.

A Igreja e Convento de São Francisco é uma das mais ricas do Brasil e considerada o mais belo exemplar do barroco português no mundo. O tem-plo tem o interior todo recoberto em ouro e jacarandá. O Barroco está presente na fachada e nos painéis de azulejos portugueses, que reprodu-zem o nascimento de São Francisco e sua trajetória de renúncia aos bens materiais. Também está no interior, formado por talha de madeira e or-namentado com todos os símbolos do barroco: folhas de acanto, pelica-nos, flores, anjos, sereias, dentre outros.

O convento começou a ser construído um século depois que os primeiros franciscanos chegaram em Salvador em 1587. Já as obras da igreja foram iniciadas somente na primeira metade do século XVIII. Conta-se que fo-ram utilizados mil quilos de ouro em pó só para moldar a talha. As pin-turas do teto têm forma de estrelas, hexágonos e octógonos. Na sacris-tia, estão reunidos 18 painéis a óleo sobre a vida de São Francisco. Podem ser vistas também na Igreja de São Francisco esculturas do grande santeiro baiano Manuel Inácio da Costa.

Igrejas da Cidade Baixa
Duas Igrejas são as mais conhecidas dentre as dezenas que foram cons-truídas na cidade baixa. A de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a de Nosso Senhor do Bonfim, esta a mais famosa de Salvador, são ainda palcos de duas grandes festas populares em homenagem aos santos católi-cos. Na cidade baixa estão ainda as igrejas de Boa Viagem, de Monte Serrat, Nossa Senhora da Penha, Nossa Senhora dos Mares, Nossa Senhora do Pilar, de São Joaquim, dentre outras.

A imagem de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi trazida pelo gover-nador Tomé de Souza, ou seja, a história da devoção à santa coincide com a história de Salvador. O governador mandou construir para a santa uma primeira capela, e só em 1739 começou a ser erguida uma igreja com pedras de cantaria portuguesa, que demoravam a chegar ao Brasil. Em 1820, o neto do primeiro mestre de obras finalmente concluiu o traba-lho. A igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que foi elevada à categoria de basílica em 1946, tem o teto em perspectiva de José Joa-quim da Rocha, fundador da escola baiana de Pintura e principal pintor sacro brasileiro.

Desde o século 18, a cidade de Salvador é abençoada pelo Nosso Senhor do Bonfim lá do alto da Colina Sagrada. Trata-se de um lugar sagrado para o povo, e recebe, diariamente, fiéis que pedem graças e pagam pro-messas. O atestado de tanta fé pode ser conferido no museu dos ex-votos, onde devotos deixam um objeto de cera em agradecimento pelas graças recebidas do santo mais popular da Bahia. O culto começou quando Teodósio Rodrigues de Faria, oficial da Armada Portuguesa, trouxe de Lisboa uma imagem do Cristo, que, em 1745, foi levada para a igreja da Penha, em Itapagipe. Quase dez anos depois, em julho de 1754, a imagem foi ganhou igreja própria, e chegou ao alto da Colina Sagrada seguida de procissão. O santo ficou popularizado como o que cura doenças e sal-va vidas.

A fachada da Igreja do Bonfim, que é rococó, é coberta por azulejos brancos portugueses, que chegaram à igreja cem anos depois da constru-ção. O interior é neoclássico, com pinturas de homens e nuvens no te-to, feitas entre 1818 e 1820 por Franco Velasco. A Igreja guarda ainda, na sacristia, uma bela coleção de quadros de José Tehófilo, um dos pin-tores baianos do final do século XVIII.

Outra forma de agradar o santo é a famosa festa da Lavagem do Bonfim, que acontece em janeiro, na segunda quinta-feira depois do Dia de Reis. As escadarias e o adro da igreja são lavadas com água de cheiro, e a população pede proteção e se esbalda na festa profana que reúne milha-res de baianos e turistas. A festa começa com a saída do cortejo de baianas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, que vai an-dando até o alto do Bonfim, e não tem hora para acabar.

Salvador, 365 igrejas católicas, inúmeros templos evangélicos e protes-tantes, incontáveis terreiros de candomblé e outras religiões africa-nas. Como o soteropolitano convive em harmonia com tudo isso? A fórmula está no respeito, aprendido com as raízes ou já trazido no sangue!

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