O Morro de São Paulo: Biomas
Postado Por: Praia do Encanto : Categoria: Vai Viajar Conheça o Brasil, Vai Viajar? Saiba Tudo.
Biomas
CERRADO
E PANTANAL
O Cerrado e o Pantanal ocupam a extensa região central do Brasil, formando um amplo mosaico de tipos de vegetação, solo, clima e topografia, que agora começam a ser mais conhecidos e procurados por aqueles que buscam o turismo e as atividades esportivas na natureza. São biomas intrinsecamente relacionados, pois as águas que nutrem o Pantanal nascem nos planaltos do Cerrado. Esse importante patrimônio natural brasileiro apresenta uma riqueza de paisagens diferenciadas, de fauna e flora silvestres, de cores e sons que enriquecem a experiência e emocionam a todos que os visitam.
Planejamento é fundamental
O planejamento da sua viagem deve prever, portanto, quais são os equipamentos necessários para que sua aventura se torne mais segura e confortável. Por exemplo, no Pantanal o clima é quente e úmido no verão, mas pode apresentar dias frios e secos no inverno. No cerrado, é bom lembrar que as altitudes variam de 300 m a mais de 1.000 m e que a temperatura tende a diminuir 1 grau a cada 100 metros de altitude.
Outro exemplo são as chuvas intensas nos Cerrados e Pantanal que, concentradas nos seis meses do verão, costumam ser fortes, de curta duração e freqüentemente acompanhadas de raios e trovoadas. Se a sua decisão for visitar a região no verão, prepare-se para levar uma boa capa de chuva, para você e para sua mochila, e ainda ter sacos plásticos para embalar sua máquina fotográfica e sua comida. Achar um local seguro para esconder-se dos raios, que efetivamente cruzam os céus dos cerrados nesta época pode ser tarefa difícil, se você estiver atravessando áreas mais abertas com árvores esparsas. Outra questão importante é descobrir quais são os meses mais quentes, pois não é aconselhável percorrer grandes distâncias a pé devido ao calor, à falta de sombra e à distância entre os corpos d’água. Durante as cheias do Pantanal é impossível caminhar por longas distâncias.
Planejar a época da viagem vai ajudá-lo também a definir que tipo de transporte é possível ou necessário utilizar.
Dependendo da época do ano o deslocamento no Pantanal pode ser feito em veículo terrestre motorizado ou a cavalo, de barco com motor de popa, de canoa e remo ou de caiaque, dependendo dos objetivos da sua viagem e da distância a ser percorrida.
Sempre que viajar pelos rios da região utilizando barco com motor de popa, escolha os motores mais modernos, de 4 tempos, que são mais silenciosos, mais econômicos e emitem menores índices de gases do que os tradicionais motores de 2 tempos.
No caso do cerrado, áreas de solo arenoso são muito difíceis de visitar no período seco, sem um carro com tração nas quatro rodas. Já nas áreas de solo argiloso a dificuldade está no período úmido, com estradas escorregadias e atoleiros.
Escolha as atividades que você vai realizar na sua visita conforme o seu condicionamento físico, seu nível de experiência e a época do ano.
Pesca
A pesca esportiva é, por vezes, problemática, principalmente quando compete pelo acesso aos recursos pesqueiros com os pescadores artesanais da região ou quando se torna atividade predatória por permitir o esgotamento dos recursos pesqueiros. Há leis e regulamentos federais, estaduais ou municipais criados para minimizar essa questão que tratam das diferenças por bacia hidrográfica ou região específica, relativas às épocas reprodutivas e piracema. Geralmente, é entre os meses de novembro e fevereiro que ocorre o defeso, período de proibição da pesca.A pesca amadora diferencia-se da pesca profissional por seu caráter não-comercial. Sua regulamentação foi criada, inicialmente, para normatizar os campeonatos de pesca oceânica, fazendo com que determinadas regras fossem respeitadas, com a finalidade de estabelecer diversas categorias dentro do esporte e seus graus de dificuldade, dependendo do equipamento e técnicas utilizadas. Criaram-se assim categorias por espessura de linhas, diferenças entre a pesca com carretilhas e a feita com equipamento de fly fishing (modalidade de pesca esportiva que usa como isca moscas ou outros insetos artificiais) etc.
Com a diminuição do número de peixes em conseqüência de diversos fatores, como pesca predatória, poluição e tantos outros, também foram adotadas medidas e criadas novas modalidades com a finalidade de preservar as espécies e desenvolver uma nova ética entre os participantes desta atividade esportiva. Entre as novas modalidades, há uma em especial: o pesque-e-solte.
O pesque-e-solte visa devolver à água os peixes fisgados, após serem fotografados, pesados ou medidos. Estudos mostraram que, quando o pesque-e-solte é bem realizado, os peixes devolvidos ao seu habitat se recuperam sem maiores problemas.
Deve-se, também, tomar cuidado com o transporte dos peixes. Muitas vezes, apesar de a pesca amadora estar liberada, há restrições quanto ao transporte de pescado. Lembrar que o uso de tarrafas, rede e linha de espera são atividades predatórias condenáveis e devem ser evitadas.
Caminhadas
As áreas do Cerrado e as áreas secas do Pantanal são muito extensas, com paisagens que se repetem por muitos quilômetros e que podem tornar a caminhada monótona e estafante. Dependendo da época do ano, sol intenso e tempestades são constantes. Caminhadas longas devem ser preparadas tendo-se em mente estas condições. Portanto, leve água suficiente e aprenda a se orientar em terrenos com poucos pontos notáveis.Além disso, no cerrado, embora a água seja abundante, os pontos de água (rios e veredas) podem estar cercados por áreas brejosas de difícil acesso, ou estar muito distantes, dificultando as caminhadas de vários dias.
Uma idéia pode ser alternar trechos de carro, cavalo, bicicleta ou barco para vencer a distância entre os locais de maior interesse e, quando alcançá-los, fazer pequenas incursões a pé.
As veredas ou buritizais (grupamentos da palmeira buriti) são áreas mais frágeis e úmidas, que protegem as nascentes dos córregos e servem de refúgio para os animais. Os campos úmidos, assim como as veredas, são áreas frágeis. Não tente atravessar um campo úmido para cortar caminho. A travessia, mesmo de trechos curtos, pode ser mais cansativa do que dar toda uma volta para contorná-lo. É comum afundar até o peito na água e lama mesmo percorrendo pequenas extensões, o que pode por em risco sua mochila, equipamento e sua segurança, além de danificar este frágil ambiente.
Cavalos/Turismo Eqüestre
Embora os cavalos sejam um meio de locomoção muito utilizado no cerrado e no Pantanal, por vezes não é permitido em unidades de conservação. Portanto, informe-se antecipadamente sobre o regulamento vigente nas áreas que você pretende visitar.Quando utilizar cavalos, mantenha-os longe de áreas frágeis, como as veredas, ou de áreas com natureza mais conservada, porque o cavalo é uma espécie exótica, ou seja, não é nativo de terras sul-americanas. Planeje bem sua bagagem de modo a não sobrecarregar os animais – fazendo com que eles se cansem e deixem você na mão antes do final do passeio – ou ter que utilizar um número maior de animais.
Quando parar para descansar ou acampar, amarre o seu cavalo nas árvores mais grossas, de modo a minimizar as chances de ter galhos quebrados.
Embarcações
Há vários cuidados que você pode tomar quando estiver utilizando uma embarcação. Procure atracá-la em um local próprio para esse fim. Se não houver um atracadouro disponível, procure local com praia de areia. Se for necessário atracar na barranca do rio, cuide para que o impacto causado seja pequeno. Evite cavar ou deslocar o solo exposto do barranco.É prudente carregar pelo menos um par de remos, qualquer que seja a distância a ser navegada. Na época das chuvas, a profundidade das baías (que são lagoas temporárias ou permanentes, de dimensões e formas variadas) pode variar de centímetros a metros. Muitas vezes, o motor de popa não é apropriado para a travessia dessas lagoas, pois vai bater no fundo e enganchar na vegetação submersa, remexendo-a ou cavando buracos e danificando as plantas. Neste caso, os remos podem ajudar.
Os cuidados com o sol (filtros solar, chapéu, óculos escuros, blusa de manga comprida) são fundamentais, apesar de serem algumas vezes negligenciados, pois quando o barco está em movimento, o vento alivia a sensação de calor, podendo enganá-lo.
Você é responsável por sua segurança
Nas grandes extensões dos cerrados a orientação pode ser muito difícil. Esteja seguro que consegue orientar-se corretamente, domine o uso de mapas e bússola. Em algumas regiões, o uso da navegação por satélites pode ser a melhor solução. Não se distancie dos caminhos pré-estabelecidos e tenha água e alimento suficientes.
Devido à intensa dinâmica do Pantanal, as paisagens, rios e baías podem mudar em poucos anos, realidade dificilmente mostrada nos mapas. Obtenha o máximo de informações com os ribeirinhos ou contrate um guia de comprovada experiência na região.
Deixe alguém da sua confiança informado do caminho que você e seu grupo pretendem seguir, aonde pretendem chegar, quais as opções existentes e quanto tempo pretendem gastar.
É importante utilizar repelentes de insetos, dependendo do local visitado, principalmente se você for alérgico. Conheça as doenças endêmicas e epidêmicas da região, tome as vacinas necessárias e conheça as formas de evitar o contágio.
Cuide das trilhas e locais por onde você passa
Evite acampar perto das veredas, que têm os solos mais úmidos e apresentam maior fragilidade aos impactos. Além disso, as veredas são área de nidificação e passagem de animais, local onde os animais vão beber água.
No caso de você e o seu grupo utilizarem bicicleta, disperse igualmente o uso e preste atenção para não passar sobre os cupinzeiros, evitando também os grupamentos de vegetação.
Os solos do cerrado, se desprovidos de cobertura vegetal, tornam-se presa fácil dos processos erosivos, que podem dar início ao surgimento de cavidades maiores e, num único período chuvoso, transformar-se em voçorocas.
Traga seu lixo de volta
Não jogue seu lixo nos rios! Mesmo os mais largos e caudalosos, não devem ser confundidos com locais apropriados para jogar lixo, seja ele orgânico ou não.
Deixe cada coisa em seu lugar
Não construa qualquer tipo de estrutura. Não quebre ou corte galhos de árvores, mesmo que estejam mortas ou tombadas, pois podem estar servindo de abrigo para aves ou outros animais.
Resista à tentação de levar “lembranças” para casa. Deixe flores, frutos, sementes e outros elementos naturais onde você os encontrou, para que outras pessoas também possam apreciá-los.
Evite fazer fogueiras
Um pequeno descuido pode ser a causa de um grande incêndio, principalmente na época da estiagem, quando a vegetação dos cerrados torna-se bastante ressecada.
Não há dúvidas de que incêndios devidos a descargas elétricas ou a outros fenômenos naturais sempre ocorreram nesse bioma e que sua vegetação evidencia adaptações para resistir ao fogo, o que só pode ter sido adquirido ao longo de muitos milênios de evolução. Os incêndios esporádicos foram, entretanto, há muito suplantados pelos incêndios causados pelo homem, que se sucedem anualmente, causando danos irreversíveis aos biomas.
Para cozinhar, utilize um fogareiro próprio para acampamento. Os fogareiros modernos são leves e fáceis de usar. Cozinhar com um fogareiro é muito mais rápido e prático que acender uma fogueira. Para iluminar, utilize um lampião ou uma lanterna.
Observe os animais à distância
A tentativa de aproximar-se dos animais não vai ajudá-lo a vê-los melhor, porque eles provavelmente se afastarão antes que você perceba. Além de estressá-los, você perde a chance de conhecer diversas espécies em seu habitat natural. Portanto, acostume-se a observá-los de longe e utilize equipamentos, como binóculos, que o auxiliem a perceber detalhes que não podem ser vistos a olho nu.
Atirar pedras, pedaços de madeira ou qualquer objeto nos animais, apenas para vê-los em movimento, é inadmissível. Aprenda a respeitá-los, do mesmo modo que você faz quando visita a casa de um amigo. Lembre-se que é você quem os está visitando!
Também não há motivo que justifique perseguir um animal silvestre, matá-lo, capturá-lo, ou levá-lo para sua casa. Lembre-se que essa atitude é considerada crime definido na Lei de Crimes Ambientais.
Cuidado nas estradas com a travessia de animais silvestres. Quem tem consciência do risco de atropelamento é você, pois os animais raramente se comportam como se soubessem que podem ser atropelados. Preste atenção na sinalização da estrada, pois muitas áreas que são conhecidas pelo trânsito de animais estão sinalizadas com o símbolo internacional de animal silvestre. Ao avistar um animal na pista, reduza a velocidade e dê tempo para que o animal se afaste, já que esta é a principal conduta para evitar o atropelamento. Frear bruscamente, na tentativa de desviar do animal pode não ser eficiente e você corre o duplo risco de matá-lo e de provocar um acidente automobilístico, arriscando também a sua vida e a vida de seus passageiros. Redobre sua atenção à noite, quando os olhos dos animais brilham com o farol do carro. Nessa situação, eles geralmente são ofuscados pela luz e ficam paralisados, tornando-se presa fácil.
Respeite os ninhais e dormitórios de pássaros. Na grande maioria das vezes, esses pontos são alcançados graças às informações de moradores locais, que sabem onde ficam os ninhais e dormitórios de pássaros. Se você estiver em uma área particular ou dentro de um Parque ou outra área protegida, a dica é a mesma: respeite as regras locais e não exceda os limites, caso não seja permitido chegar perto de algum ninho ou dormitório específico.
Você pode observar este espetáculo à distância, com o seu binóculo. Além disso, qualquer barulho adicional, como gritos ou outra movimentação brusca qualquer, pode espantar os pássaros, atrapalhando o processo natural, estressando-os e acabando com sua chance de observar um espetáculo único.
Algumas espécies de aves nidificam no solo. Portanto, tome cuidado quando estiver passando de carro, de bicicleta ou a pé, para não se aproximar demais e afugentar a mãe ou danificar o ninho.
Evite tocar em ninhos ou nos filhotes que possa encontrar. Essa atitude aparentemente inocente poderá provocar seu abandono, pois, mesmo sem reparar, você deixa sua marca (seu cheiro), o que é suficiente para os pais de certas espécies rejeitarem suas crias.
Observação da fauna silvestre
A fauna silvestre é, sem dúvida, um dos grandes atrativos do Cerrado e do Pantanal. Um espetáculo admirável é observar as aves que, quando o sol se põe, chegam em bandos, vindas de várias direções, para alcançar os dormitórios à beira dos rios, onde passam as noites.
Para ter sucesso na observação desses animais, você deve se colocar a uma distância suficientemente grande para não ser percebido, utilizar roupas discretas e evitar qualquer atitude que possa estressá-los ou afugentá-los, como ruídos excessivos ou barulho de motor de carro ou barco. Uma dica importante é utilizar equipamentos, como binóculos, que vão ajudá-lo a observar detalhes difíceis de ver a olho nu.
É inadmissível atirar objetos (pedras, pedaços de madeira etc) nos animais, seja para vê-los fugir ou para apreciar o espetáculo da revoada das aves. Os jacarés são abundantes no pantanal e podem ficar imóveis durante horas, enquanto tomam sol, à beira das lagoas e baías.
No cerrado, a visualização de animais de grande porte é um pouco mais difícil, mas há aqueles que são relativamente comuns, como os tatus, os tamanduás e as antas. No entanto, na maioria das vezes, encontramos apenas seus rastros e evidências. Por isto é interessante levar na bagagem um guia de rastros e ficar atento aos sinais nas estradas e trilhas. Estradas de terra com pouco movimento são ótimos locais para visualização desses animais, principalmente à noite, ou de seus rastros.
Seja Cortês com outros visitantes e com a população local
Ao encontrar moradores na área que você está visitando, trate-os com cortesia e respeito. Comporte-se como um visitante em casa alheia. Peça permissão para passar e para acampar.
Conheça a legislação de pesca, caça e queimadas, e denuncie as atividades ilegais para as autoridades.

