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Gamboa do ladinho a Morro de São Paulo.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Arquipélago de Morro

Gamboa do Morro

Povoado da Gamboa do Morro na Ilha de Tinharé, Trata-se de um povoado do município de Cairú, situado às margens do Rio Una com o encontro do Oceano Atlântico, com aproximadamente1000 famílias. E uma singela vila de pescadores, com algumas atrações interessantes, como a sua pequena igreja, além de excelente praia,  a apenas 40 minutos de caminhada pela faixa litorânea ou 10 minutos em barco você já esta em Morro de São Paulo.

Povoado da Gamboa do Morro na Ilha de Tinharé, Trata-se de um povoado do município de Cairú, situado às margens do Rio Una com o encontro do Oceano Atlântico, com aproximadamente1000 famílias. E uma singela vila de pescadores, com algumas atrações interessantes, como a sua pequena igreja, além de excelente praia, a apenas 40 minutos de caminhada pela faixa litorânea ou 10 minutos em barco você já esta em Morro de São Paulo.

É o povoado mais próximo de Morro de São Paulo e um excelente acesso a Praia do Encanto para quem esta chegando de Valença. Gamboa ainda preserva os ares pitorescos e está situada a três quilômetros de Morro de São Paulo e 20 minutos  da cidade de Valença por mar aberto em lancha rápida. Habitada em sua maior parte por nativos, o distrito da Gamboa conta com um comércio diversificado tendo pousadas, restaurantes, supermercado, farmácia, escola e oferece cursos de extensão das faculdades Face e Fazag, de Valença. Muitas pessoas que trabalham em Morro de São Paulo fixam residência em Gamboa, por ser um local que não apresenta o mesmo agito e a movimentação vistos no povoado vizinho.

Gamboa apesar de não ser uma praia muito famosa, recebe centenas de turistas o ano inteiro vindos principalmente de Morro de São Paulo. Sua praia tem areia fina e águas mansas. Na maré baixa se pode ir caminhando de Morro de São Paulo até a Praia da Gamboa, levando em média o tempo de  40 minutos. É uma ótima caminhada e no caminho você passará por uma grande parede de argila, que é um dos atrativos da praia (confira mais informações sobre a praia da Gamboa no link Praias/ Praia da Gamboa. Os restaurantes na maioria são simples, mas oferecem comida farta e generosa, todos servem pratos típicos da culinária baiana com frutos do mar.

A padroeira do povoado é Nossa Senhora da Penha, cuja igreja fica localizada en frente ao atracadouro e foi construída no final do século 19. No mês de abril é data de comemoração da Santa, com quermesse e celebrações que envolvem toda a comunidade da Gamboa e também localidades vizinhas. O distrito abriga simpáticos e humildes nativos, que colecionam histórias que até hoje seduzem os visitantes.

Apesar do vilarejo oferecer uma boa infra-estrutura, com pousadas e restaurantes, continua tendo a tranqüilidade de antigamente e para as pessoas que gostam de conhecer histórias e ficarem em contato direto com a natureza, Gamboa é uma excelente opção. Você poderá  trocar uma idéia com os nativos ou combinar um passeio de barco até a Ponta do Curral, uma pequena praia semi-deserta que pertence ao município de Valença e onde foi o primeiro local no Brasil a receber cabeças de gado. Se preferir um programa mais relax, poderá apenas curtir um refrescante banho no mar da Gamboa, com direito a uma geladinha água de coco servida nas barracas da beira da praia. Por todas estas razões você não pode deixar de conhecer Gamboa, onde a simplicidade aliada à hospitalidade criam um clima ideal e propício para ser amplamente desfrutado.

História do povo da Gamboa

 O distrito de Gamboa surgiu como expansão de Morro de São Paulo e ao abordar sobre a história deste povoado é referir-se diretamente a vida de seus habitantes. Antigamente, por meados das décadas de 60 e 70, segundo os antigos moradores, Gamboa tinha uma população maior do que Morro de São Paulo. Na Gamboa sempre existiu poucas pessoas vindas de fora, a maior parte da comunidade sempre foi formada por “filhos da terra”, expressão muito usada pelos nativos. Ana Lúcia Melo Damascena é uma destas, filha da terra, uma das pessoas que viveu toda sua vida em Gamboa e tem o maior orgulho de pertencer a este vilarejo simples com um povo acolhedor e honesto.

Apesar da pouca idade, com 49 anos em 2008, esta nativa da Gamboa teve uma experiência de vida notável e que merece ser contada. Como a maior parte da comunidade na época, Dona Ana, que é filha da senhora Dorotéia, uma respeitada moradora do povoado já falecida, passou por dificuldades. Com sete irmãos, sendo a única que permaneceu em Gamboa, pois os outros foram para cidades diferentes fora do Estado, ela se emociona ao lembrar de sua infância.

“Foi um período saudável”, define. Apesar das dificuldades financeiras, Dona Ana recorda com saudades destes tempos. Como em Morro de São Paulo, a sobrevivência na Gamboa também vinha através da pesca e do trabalho nos “catatores”, como eram chamados os locais onde se fazia a limpeza das piaçavas. Enquanto os homens pescavam, as mulheres ajudavam a sustentar as famílias e permaneciam os dias inteiros trabalhando  numa empresa da Gamboa, na época chamada de “Firma Magalhães”. Eram as catateiras de piaçava, que limpavam e ganhavam por produção. A mãe de Dona Ana era uma catateira e como as demais mulheres da comunidade, eram verdadeiras escravas do trabalho e exemplos de vida. Dona Ana orgulha-se em contar como era dura a vida nestes tempos, pois apesar de todos os problemas sempre dava-se um jeito. No tempo de sua mãe, Dona Dorotéia, as coisas eram diferentes. “Ela era mãe e pai ao mesmo tempo”, explica. Foi a progenitora que sempre manteve a família e nunca deixou os filhos dormirem sem se alimentar. Na época, como os pescadores dependiam dos barcos a vela, e portanto do vento, não havia horário certo para o retorno do mar. Dona Ana e seus irmãos, às vezes, adormeciam esperando o peixe da janta. A mãe providenciava farinha com banana para não deixar as crianças dormirem sem alimentar-se. Não era fácil, segundo Dona Ana. Havia fartura de pescado, mas não havia como conservar, pois não havia energia elétrica na Gamboa, que chegou no mesmo período que em Morro de São Paulo, por volta de 1985. 

 Gamboa era como outro povoado qualquer longe da civilização e carrega em sua trajetória histórias e lembranças que deixaram saudades em seu povo. Dona Ana relata que era comum ver os pescadores, quando não estavam no mar, sentados nas portas das casas fazendo “resenhas”, ou seja, contando o que se passava na vila. Não existia água encanada e as roupas eram lavadas nas fontes naturais. Em Gamboa haviam duas: a do Sapé, que ficava onde hoje é o loteamento Nova Gamboa e a chamada Fonte do Negro Velho. Nestes tempos, Gamboa tinha somente matagal e dunas na beira da praia. Dona Ana que sempre morou próximo ao campo de futebol, relata que  o turismo depontou bem depois do que em Morro de São Paulo. Quando Morro de São Paulo estava no auge do descobrimento turístico, o povoado da Gamboa ainda era um vilarejo habitado apenas por nativos e sem infra-estrutura. A palavra turismo passou a fazer parte da vida dos habitantes da Gamboa, quando a empresa que empregava as mulheres na limpeza da piaçava fechou e as pessoas viram-se obrigadas a buscar outras alternativas. Parte da mão-de-obra do turismo de Morro de São Paulo veio da Gamboa. Dona Ana é um exemplo desta demanda.Gamboa era como outro povoado qualquer longe da civilização e carrega em sua trajetória histórias e lembranças que deixaram saudades em seu povo. Dona Ana relata que era comum ver os pescadores, quando não estavam no mar, sentados nas portas das casas fazendo “resenhas”, ou seja, contando o que se passava na vila. Não existia água encanada e as roupas eram lavadas nas fontes naturais. Em Gamboa haviam duas: a do Sapé, que ficava onde hoje é o loteamento Nova Gamboa e a chamada Fonte do Negro Velho. Nestes tempos, Gamboa tinha somente matagal e dunas na beira da praia. Dona Ana que sempre morou próximo ao campo de futebol, relata que  o turismo depontou bem depois do que em Morro de São Paulo. Quando Morro de São Paulo estava no auge do descobrimento turístico, o povoado da Gamboa ainda era um vilarejo habitado apenas por nativos e sem infra-estrutura.

A palavra turismo passou a fazer parte da vida dos habitantes da Gamboa, quando a empresa que empregava as mulheres na limpeza da piaçava fechou e as pessoas viram-se obrigadas a buscar outras alternativas. Parte da mão-de-obra do turismo de Morro de São Paulo veio da Gamboa. Dona Ana é um exemplo desta demanda. Ela trabalhou no restaurante Gaúcho, de Dona Romilze, que de acordo com a proprietária foi o primeiro restaurante a funcionar em Morro de São Paulo. Depois deste emprego no restaurante vieram outras fontes de renda como lavar roupa para fora e plantadora de grama da pista de vôo da Terceira Praia em Morro de São Paulo. Vieram os filhos, os dois primeiros, a época do movimento hippie e Dona Ana mudou-se para Morro de São Paulo, onde constituiu sua família com seu atual esposo, o Vadinho, teve o seu terceiro filho, venceu os obstáculos e hoje tem uma vida tranquila e merecida. Entre enteados e filhos de sangue, possui quatro filhos e 5 netos. Cursa Pedagogia, é agente Comunitária de Saúde e foi candidata a uma das vagas para vereadora pelo PMDB nas eleições de 2008. Como Dona Ana, o povoado de Gamboa passou por mudanças e evoluiu. Hoje Gamboa é uma das opções turísticas para quem visita Morro de São Paulo e possui uma excelente infra-estrutura. O pequeno povoado adquiriu ares de modernização, mas ainda se vê os pescadores sentados nas portas, jogando conversa fora num ritmo calmo, sem pressa, pois afinal de contas, Gamboa do Morro fica na Bahia e para que pressa…

Festas da Gamboa

Além dos atrativos naturais Gamboa também é conhecida por suas tradicionais festas populares que unem a comunidade em torno da igreja de Nossa Senhora da Penha.

Uma destas festas é o famoso Carnaval da Gamboa, que recebe os moradores dos povoados vizinhos e  também turistas de Salvador e arredores. Os quatro dias de folia são embalados pelo som de um carro alegórico, onde bandas animam os visitantes e nativos e viram a noite pulando e cantando. Outro evento conhecido, mas que hoje já não é mais tão forte como antigamente, é a encenação da Chegança de Mouros.  Trata-se de um  teatro popular que conta a história de uma guerra entre os pagões (Mouros) e cristãos. Os cristãos são caracterizados por soldados vestidos de marinheiros e no combate, prendem o filho do rei Mouro e tentam convertê-lo, enquanto o rei oferece em troca da liberdade do filho, sua outra filha. O desfecho da representação se dá com a rejeição da proposta por parte do capitão e com  o suícidio do rei, que crava um punhal no peito. Ainda há a Festa de São Pedro, uma das festas religiosas mais concorridas de Tinharé. A imagem de São Pedro sai da Gamboa para a igreja de São Francisco Xavier, no Galeão. Em 29 de junho, dia de São Pedro o padroeiro dos pescadores, as imagens de São Pedro e São Francisco Xavier são levadas de volta a Gamboa numa procissão   marítima. A festa da padroeira, Nossa Senhora da Penha, realizada em abril também faz parte do calendário festivo da Gamboa, com celebrações e festejos próximos a igreja.

Galeão pouco visitado pouco divulgado.

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Galeão

Saimos de Morro de São Paulo para visitar o Galeão e encontramos uma comunidade muito humilde e hospitaleira. Divulgar o povoado e incentivar o Turismo na região é fortalecer sua comunidade. Oferecemos gratuitamente divulgação de serviços deste povoado, E em seguida contaremos um breve de sua história narada pelo caicaras ali residentes. Trata-se de um blog nata do povoado em Morro de São Paulo, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista deste Arquipélago.

Saimos de Morro de São Paulo para visitar o Galeão e encontramos uma comunidade muito humilde e hospitaleira. Divulgar o povoado e incentivar o Turismo na região é fortalecer sua comunidade. Oferecemos gratuitamente divulgação de serviços deste povoado, E em seguida contaremos um breve de sua história narada pelo caicaras ali residentes. Trata-se de um blog nata do povoado em Morro de São Paulo, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista deste Arquipélago.

Uma abundante Mata Atlântica, brisa fresca e manguezais formam o cenário desde antigo vilarejo de pescadores localizado ao noroeste da Ilha de Tinharé e na saída do canal que separa a ilha do continente. No distrito do Galeão, vive uma gente simples e hospitaleira, que ali permaneceu resistindo às mudanças impostas pela natureza e pela chegada do progresso e do turismo aos arredores. Quando chegamos no Galeão podemos ter a nítida impressão que o tempo parou para deixar reinar, soberana, a natureza.

Na pequena comunidade a pesca ainda é a principal forma de renda dos moradores. A plantação de piaçava e do óleo de dendê também ajudam na sobrevivência da população. Galeão não conta com muita infra-estrutura, mas a compensação vem em forma de uma paisagem exuberante e intocada. No povoado assentado sobre a areia, a maior parte das casas tem paredes de taipa e não existem carros.

O número de restaurantes e pousadas é capaz de atender a procura, que entre outras delícias típicas, servem os famosos carangueijos e guaiamuns, que são considerados os mais disputados petiscos de Tinharé. 

O único evento promovido na comunidade é a festa do padroeiro, São Francisco Xavier, realizada dia 03 de Dezembro. E é a Igreja de São Francisco Xavier, o principal destaque do Galeão.

Construída em 1644 no alto do morro, é  a igreja mais antiga do arquipélago de Tinharé. Para quem navega pelo Rio Una, seguindo para Valença,  a igreja desponta como um lindíssimo cartão postal.

O acesso a Galeão é feito por barco desde Valença ou Cairu e pode levar até uma hora ou 20 minutos se o percurso for de lancha rápida, saindo de ambas localidades. Uma boa pedida para os que gostam de caminhada é fazer a trilha que sai da Gamboa ao Galeão, que tem aproximadamente 10 quilômetros de extensão e onde se pode ver entre a abundante mata, as culturas de madeira, piaçava e dendê.

Galeão também faz parte da APA, área de proteção ambiental que prevê a conservação dos ecossistemas da região. Este povoado acolhedor de ruas e casas antigas, vale uma visita. 

A história do Galeão

Igreja de São Francisco Xavier

 No início do século 17, ainda sob  a forte influência  da colonização jesuítica, foi fundado o distrito de Galeão. Mais precisamente no ano de 1623, os jesuítas decidiram estabelecer no lugar a residência de São Fancisco Xavier.  A denominação Galeão, segundo alguns registros, se deve pelo fato do local ter abrigado o primeiro galeão (antigo navio de guerra), existente na província da Bahia. A principal herança da história da colonização deste pequeno povoado está presente na Igreja de São Francisco Xavier , construída em 1626.

Situada no alto do morro, na rua da Igreja, a capela é vista de vários pontos da costa. É constituída por nave, capela-mor, torre e sacristia-corredor. O seu interior é simples e composto por dois altares e um púlpito neoclássicos. Possui imagens de São Francisco Xavier e de Nossa Sra. da Conceição.

A igreja foi ampliada nos séculos 19 e 20 e numa destas reformas, provavelmente no início deste século, ganhou uma sacristia-corredor e teve sua fachada e interior revestidos de azulejos industriais brancos. Quando foi construída os padres responsáveis pela obra fixaram também uma residência ao lado do templo.

De acordo com o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC)da Secretaria de Indíustria, Comércio e Turismo da Bahia,o responsável pela construção foi Sebastião Antunes que ergueu a igreja movido por um sonho. No início do século 19 a igreja estava ameaçada de ruína, quando o comerciante chamado Epifânio Vicente de Queiroz, que era também devoto mandou que fosse restaurada. Além da Igreja de São Francisco Xavier, Galeão abriga outros prédios históricos como uma antiga residência, cuja data de construção é datada no final do século 19 e pertencente à família Moreira, uma das proprietárias da Cia Valença Industrial.

Cairú mãe de Morro de São Paulo.

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 Cairú

Morro de São Paulo é a filinha queridinha de Cairú, a maior parte da renda do município é gerada pelo setor de Serviços turísticos. O município foi criado em 1608 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. É o único município-arquipélago brasileiro e possui a vantegem de ser um lugar calmo com um povo muito acolhedor.

Morro de São Paulo é a filinha queridinha de Cairú, a maior parte da renda do município é gerada pelo setor de Serviços turísticos. O município foi criado em 1608 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. É o único município-arquipélago brasileiro e possui a vantegem de ser um lugar calmo com um povo muito acolhedor.

 Cairu é uma das três ilhas habitadas que formam o Arquipélago de Tinharé e sede administrativa do mesmo. Sua denominação significa “Boca da Mata” em tupi, uma alusão ao manguezal que até hoje é fonte de renda para a população.

Considerada a segunda cidade mais antiga do País é também o único município-arquipélago brasileiro, esta é a única illha de Tinharé  ligada ao continente através de uma ponte que permite o acesso rodoviário. Está distante da cidade de Valença a 49 quilômetros e de Morro de São Paulo fica aproximadamente 1h40min de barco convencional e a 40 minutos de lancha rápida. A distância de Salvador é de aproximadamente 305 km pelas rodovias BA-001 a BR-101. O município possui uma extensão de 451 km quadrados e segundo revela o Censo do IBGE  no ano de 2007, Cairu contava com 2.870 habitantes. Sua orla é composta por um imenso manguezal e não há praias consideradas propícias para o banho.

Além de sediar a Prefeitura e outros órgãos municipais, a cidade possui uma boa infra-estrutura com pousadas, hotéis e restaurantes. Mas mesmo assim, é isolada do circuíto turístico e das badalações vistas nas ilhas vizinhas. Possui grande importância no cenário histórico brasileiro que está retratada através do Centro Histórico, cuja área de 3,79 hectares inicia na Praça da Matriz (Praça Benjamin Constant) seguindo até o final da Rua Direita, próximo ao porto.

Neste espaço ficam localizados 93 imóveis, grande parte destes do século 19 e antigas construções do tempo do Brasil Colônia como o primeiro convento do país, com o nome de Santo Antônio, erguido em 1654. O convento possui um raro conjunto de azulejário que não pode deixar de ser contemplado. Ainda como parte da herança cultural portuguesa está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, datada do século 18.

No calendário de festas religiosas de Cairu está a em homenagem a Nossa  Senhora do Rosário, realizada no primeiro domingo de outubro. Apesar da ausência de belas praias, Cairu não deixa de ser uma das atrações turísticas da Costa do Dendê. O munícipio recebe diariamente os turistas provenientes dos passeios que saem de Morro de São Paulo e arredores. Portanto, Cairú não pode ficar de fora do seu roteiro. Quando viajar a Morro de São Paulo, dê uma escapadinha até esta antiga cidade e desfrute da história do arquipélago de Tinharé.

História de Cairu

Cairu foi fundado na ocasião do desbravamento da Capitania de Ilheús, em 1608, com o nome de  Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. Nos tempos de sua colonização, Cairu era tão próspero que já chegou a emprestar dinheiro para a Coroa Portuguesa durante a reconstrução de Lisboa. Na ocasião, a capital de Portugal, foi destruída por um terremoto no início do século 18. Domingos da Fonseca Saraiva foi um dos primeiros povoadores. Foi ele quem construiu uma capela, em 1610, que tornou-se a Igreja Matriz. Segundo dados de uma pesquisa realizada em 1998 pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul Baiano (IDES), órgão ligado ao Ministério da Cultura, Cairu  teve a maior concentração de índios, originalmente pacíficos de todo o litoral brasileiro. Escavações feitas em terras do município ainda hoje, podem levar ao encontro de cachimbos, vasos cerâmicos e machados de pedra. Utensílios que comprovam a forte presença indígena. Ainda de acordo com a pesquisa, dois séculos apenas separaram a ocupação dos índios da colonização portuguesa. Há também registros da presença dos negros de Angola, que teriam formado quilombos na região.

No ano de 1635 Cairu recebeu a visita de novos colonos, com o objetivo de fugir dos ataques das esquadras holandesas. Em 1644, o governo ordenou que os moradores do arquipélago abastecessem de farinha as tropas da capital baiana e Cairu teve uma forte participação neste sentido.

Cairu foi elevado a categoria de Vila em 1654 e não somente na  cidade, mas também em outros povoados como Camamu, Boipeba e em Morro de São Paulo começaram a surgir os conventos, casas, sobrados praças e igrejas.

Foi assim que surgiu no alto de uma elevação o Convento de Cairu, em 1654. Segundo Antonio Risério em seu “Tinharé – História e Cultura no litoral Sul da Bahia” (BYI Projetos Culturais LTDA/2003), “ Esse convento, que remete o observador de Paraguaçu, hoje arruinado, chagoso, é uma das belas obras barrocas da Bahia. Bonita e também muito interessante é sua vizinha, a Matriz de Nossa Senhora do Rosário, igualmente plantada no século 17.

A memória viva da importância histórica da cidade são estes dois patrimônios, o Convento de Santo Antônio e a Igreja Matriz.

No ano de 1799 Valença se desmembrou do município e a Capitania de Ilhéus foi rompida  em 1833, criando-se assim duas comarcas: a de Valença, da qual fazia parte Cairu e a de Ilhéus. Cairu foi elevada a cidade em 1938, através do Decreto-Lei Estadual nº 10.724. Conforme revela a pesquisa realizada pelo IDES,  uma nova fase administrativa tem início em 1993 para Cairu. Fase esta marcada por ações inéditas  e pelo arejamento de ideaís e atitudes. Com esta nova fase Cairu dá início ao reconhecimento da herança de seu patrimônio histórico.

Com a integração dos Governos Federal, Estadual e Municipal e ainda o apoio de entidades ligadas ao turismo foram promovidos encontros que objetivavam divulgar e ordenar o turismo na região. Atualmente existe um projeto denominado de Cairu 2030 desenvolvido em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Governo do Estado, através da Bahia Pesca (Seagri); Universidade Livre da Mata Atlântica (Uma); Prefeitura; entidades civis e comunidade. A iniciativa tem como objetivo transformar Cairu numa referência de preservação ambiental, inclusão social e viabilidade econômica.

Convento de Santo Antônio

 Parada obrigatória para os turistas que visitam a cidade, o Convento de Santo Antônio  foi construído por iniciativa dos frades franciscanos e financiado por doações da população na época A pedra fundamental é datata de 1654.

O convento é tombado pelo Patrimonio Histórico Nacional (processo nº 258-T, Livro das Belas Artes, fls. 55. Data: 17.X.1941) e considerado um marco cultural. Sua localizacao é no centro da cidade, no final da ladeira, na continuação da Rua Direita.

Geralmente recebe turistas que fazem os passeios de volta a ilha, mas se você não estiver disposto a fazer todo o percurso, também poderá visitá-lo isoladamente. No local respira-se história pura e desde a chegada até cada detalhe no seu interior, pode-se notar a forte influência das colonizações portuguesa e jesuítica.

Em frente a fachada há um cruzeiro de pedra. Do lado esquerdo da Igreja ficam as ruínas da capela-mor da Ordem Terceira, que até hoje não foram concluídas.

O convento abriga muitas imagens, entre estas está a de Santo Antônio de Pádua, feita em pedra; a de Nossa Sra. de Brotas, datada do século 17; a Rosa de Viterbo e a de Nossa  Sra. da Lapa. Possui também móveis do século 18 em jacarandá.

O pátio interno e a sacristia são decorados por painéis de azulejos pertencentes ao século 17. Nestes espaços ficam armários, que antigamente serviam para enganar possíveis ladrões e guardar assim o patrimôniodo convento. Sua existência teve início em 1650 quando a Congregação Franciscana decidiu fundar um Convento na Bahia, mais precisamente em Cairu e os fiéis Gaspar da Conceição, João da Conceição e Francisco de Lisboa vão residir na cidade para dar início às obras.

Em 1654 as obras foram iniciadas e entre o período de 1661 e 1750 foram concluídos os cômodos da sacristia, portaria do convento, conclusão da decoração da igreja. No ano de 1801 é registrada uma diminuição em relação ao número de frades e em 1894 os últimos padres deixam o convento. As primeiras obras de conservação aconteceram em 1907, quando o convento é  recuperado pela Ordem e entre os anos de 1946 e 1978 passou por diversas restaurações em suas instalações e recebeu também a visita de pessoas ligadas a órgãos responsáveis pelo patrimônio brasileiro.

Igreja Matriz de N. S. do Rosário

A Igreja, que também é da Padroeira da cidade, fica  situada na parte alta da cidade e faz parte do Centro Histórico de Cairu. Foi construída em1610 por Domingos da Fonseca Saraiva, o fundador de Cairu. Os altares foram todos confeccionados em talha neoclássica, os arcos cruzeiro em arenito e pintados a óleo. O templo abriga imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa  Senhora das Dores, São José e São Miguel. Originária do século 17 passou por algumas reformas realizadas entre os séculos 18 e 19,  que objetivaram ampliar o templo, porém, não foram totalmente concluídas.

A primeira ocorreu no ano de 1715, quando foi reformada. Em 1752 é construída a segunda metade da torre e abertas mais duas portas na fachada. Somente dois séculos depois, mais exatamente em 1907, foram colocados novo telhado e forro e por fim, em 1977 a igreja passa por uma grande limpeza e pintura da fachada.

Antiga Prefeitura

Outro prédio que serve como referência histórica para Cairu, está localizado na entrada da cidade, para quem chega pela rodovia BA-001.

O prédio da antiga prefeitura, um sobrado que possuía dois andares e um porão, tendo sido uma antiga casa de residência, que segundo arquivos foi possivelmente transformada em Casa de Câmara  no século 18. Não existem registros que comprovem a data de sua construção.

O prédio teria sido doado ao município por dois irmãos de identidades ignoradas. Em 1963 a sede da prefeitura foi transferida para outro prédio situado na mesma rua e o andar superior do sobrado ficou sendo utilizado como  quartel de soldados da polícia.

No ano de 1982 um incêndio destruiu o sobrado e restou somente a fachada principal. Em 1986 foram demolidos os últimos vestígios do sobrado e em seu lugar foi erguido um barracão.

A Economia

Cairu foi um grande centro econômico no período que compreende os séculos 17 até o final do 18, devido o comércio de madeira proveniente das zonas de Valença e Taperoá. Além deste tipo de comércio, havia ainda o cultivo de farinha, cana-de-açúcar e arroz.

Em 1756, após sofrer um terrível e avassalador terremoto, a capital de Portugal, Lisboa, teve que ser reconstruída e Cairu desempenhou importante papel neste cenário. Durante três décadas contribuiu com uma quantia anual à Coroa Portuguesa. Durante o século 18 a cidade era considerada a  mais segura e melhor moradia na região. Também foram promovidas as culturas de cacau, do café e a extração de madeira e de piaçava até o início do século 19, que foram as mais  importantes atividades econômicas de Cairu. Sendo que o município chegou a ser um dos mais importantes centros de produção de piaçava, e ainda hoje, em suas terras podem serem encontradas terras com cultivo da planta.

De acordo com o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC) da Secretaria  da Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, realizado em 1998, Cairu tinha no ano de 1759, cerca de 2.102 habitantes e 322 casas. Já no ano de 1890, foi realizado um recenseamento e a cidade contava com 3.527 habitantes. A decadência econômica de Cairu teve início no século 18, quando Camamu assume a liderança econômica da região. Cairu passa então a produzir arroz, feijão e farinha para exportação e mesmo com o cenário econômico debilitado, Cairu teve uma importante participação durante a Guerra da Independência, contribuindo para a libertação da Bahia. Na década de 50, a cidade vivia somente da extração de piaçava e das plantações de coco. Ainda hoje, é considerada fornecedora de varas para as gamboas, armadilhas para capturar peixes e o carangueijo, que é bastante vendido nos povoados vizinhos e em Salvador. Cairu teve ainda outro destaque dentro de sua economia, por ter sediado a primeira fábrica de vassouras de piaçava da região.

Festas Folclóricas de Cairu

Cairu possui diversas manifestações culturais presentes no folclore local, que mantém viva a lembrança das heranças indígena, dos negros, das lutas em defesa da nação, da colonização portuguesa e outros legados. Estas manifestações permanecem vivas através das representações dos congos, taeiras, dondoca, alardo ou alarde, zambiapunga ou caretas, chegança e chegança de mouros. Conheça a seguir um pouquinho de cada um destes festejos populares:

Congo – festejo de Reis, com suas raízes na história do Povo do Congo, região africana banhada pelo rio de nome similar ao festejo.

O personagem central ao marcar ocompasso baila de modo peculiar pulando, fazendo gracejos por quem passa e cantarolando versos.

Taeiras- Festa de origem africana, remanescente da Festa de Reis, onde seus componentes são mulheres que saem as ruas vestidas de baianas, com um tiracolo, com torço e uma cestinha na cabeça, trazendo nas mãos uma varinha.

Ao centro segue uma porta-estandarte, bem mais adornada que as demais taeiras, baila e toca um tamborim cantarolando o que diz um dos seus versos: “Nossas taeirinhas Saíram a passear, Dando seu louvor ao nosso Carnaval!”

Dondoca – Uma grande boneca comprida, dura de manejo, vestida de chita, chapéu de palha, toda pintada. É carregada por um dançarino que só faz balançar os braços dela o tempo inteiro, e de vez em quando dá uns pulinhos.

Assim segue a Dondoca a noite toda. 

Alardo ou Alarde – Esta tradição celebra as lutas pela posse de terras dos índios contra brancos e negros. O indígena, dono das terras, não admitia que os brancos e os negros estivessem em sua área travando-se as batalhas. Essas lutas muitas vezes  ocorriam nas terras de Cairu, onde ficou conhecida como Freguesia.

Zambiapunga ou Caretas – Zambi ou Nzambi-a-Mpungu é o deus supremo dos povos bantos do Baixo Congo. Essa é uma festa de origem africana que se inicia no dia 29 de setembro, Dia de São Miguel, príncipe das milícias celeste.

Nessa manifestação utiliza-se como instrumento principal à enxada, tocada com ferrinhos. O ritmo heavy-metal (o autêntico metal nacional!) das enxadas é acompanhado pelo som de grandes búzios, transformados em instrumentos de sopro através de um furo numa de suas extremidades.

Boipeba a irmanzinha de Morro de São Paulo.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Arquipélago de Morro
Podemos chamar Boipeba de Irmanzinha de Morro de São Paulo porque fazemos parte do maior municipio arquipelago do Brasil, Ilha de Boipeba fica localizada no Arquipélago Tinharé-Boipeba que contempla ilhas semi-desertas, intocadas e repletas de belezas naturais, Informações descritas e narradas diretamente dos Moradores .

Podemos chamar Boipeba de Irmanzinha de Morro de São Paulo porque fazemos parte do maior municipio arquipelago do Brasil, Ilha de Boipeba fica localizada no Arquipélago Tinharé-Boipeba que contempla ilhas semi-desertas, intocadas e repletas de belezas naturais, Informações descritas e narradas diretamente dos Moradores .

Boipeba, é uma das três ilhas habitadas do Arquipélago de Tinharé, está localizada ao sul de Morro de São Paulo e cercada de um lado pelo Oceano Atlântico e de outro pelo Rio do Inferno, rio que a separa de Morro de São Paulo. O nome Boipeba, é de origem indígena (Tupi) e significa “cobra chata”. No local não entram automóveis, sendo todos os percursos feitos a pé ou de trator.

Os acessos podem ser vias marítima, fluvial ou ainda aérea. Você poderá chegar até a ilha de Boipeba saindo de Salvador, de Valença ou até mesmo diretamente de Morro de São Paulo. A partir de Morro de São Paulo saem diariamente lanchas ou tratores com destino à Boipeba, que também fazem os passeios de volta a ilha. Consulte o link Como Chegar de MSP a Boipeba e saiba como são feitos estes acessos. A ilha de Boipeba é formada por Velha Boipeba, São Sebastião também conhecido como Cova da Onça, Ponta dos Castelhanos, Moreré e Monte Alegre.

São 20 quilômetros de praias, em sua maioria semi desertas, com águas transparentes e calmas. Manguezais, coqueirais, uma densa vegetação da Mata Atlântica e piscinas naturais em alto mar completam o cenário deste paraíso.

Vale conhecer cada recanto desta ilha, que por ser mais afastada do burburinho de Morro de São Paulo torna-se o lugar ideal para quem busca sossego. Confira mais sobre as praias de Boipeba no link  Praias Próxima a Morro de São Paulo. A ilha conta com uma boa infra-estrutura com pousadas e restaurantes que com certeza lhe agradarão pela simplicidade e hospitalidade. A maioria dos empreendimentos localiza-se na Boca da Barra. A atividade econômica predominante em Boipeba é a pesca e o povoado está inserido na APA (Área de Proteção Ambiental), devido seu rico patrimônio natural e a necessidade de preservar os ecossistemas da ilha.

Além da natureza exuberante e primitiva de suas praias, Boipeba reserva outras surpresas com lugares e passeios que você não pode deixar de conhecer. São estes, a Igreja do Dívino Espírito Santo, cuja fundação foi no século 17; a Casa de Farinha, local onde fabrica-se farinha de mandioca; o Museu da Ilha, que guarda um acervo de curiosidades montado por um simpático pescador chamado Tavinho e os passeios de canoa pelo Rio do Inferno. 

Se você tiver a sorte de estar em Boipeba na época da Festa do Divino, cuja realização é na sétima semana após a Páscoa, não poderá deixar de assistir.

É uma grande festa em homenagem ao padroeiro de Boipeba e as comemorações iniciam-se com a lavagem da igreja. O cortejo de baianas mistura-se ao povo e embala a festa com cânticos típicos. Além da Festa do Divino, Boipeba promove outros eventos típicos que mantém viva a cultura do vilarejo: a Festa de Monte Alegre, na Vila de Monte Alegre em 05 de Janeiro e a Festa de São Sebastião, em 20 de Janeiro no povoado de Cova da Onça. Ainda dentro das atrações da ilha está o “Morro do Quebra Cu”.

Acalme-se que não é nada disso que você está pensando ! Trata-se de um mirante de onde se pode apreciar um belíssimo pôr-do-sol, com uma paisagem inesquecível emoldurada pelo manguezal. Enfim, motivos e opções não faltarão para você conhecer Boipeba. Além de estar num lugar de praias desertas e deslumbrantes, você ainda desfrutará de momentos especiais e da simpatia dos nativos.

Como chegar a Boipeba

O acesso a ilha de Boipeba pode ser feito de diversas maneiras, saindo de Salvador, Valença, Torrinhas e Morro de São Paulo. No link Como Chegar de MSP a Boipeba, você encontrará todas as informações necessárias para viajar até Boipeba saindo de Morro de São Paulo e a seguir também damos a dica de como chegar a este paraíso chamado Boipeba, através da capital baiana. A maneira mais rápida, sem dúvida será pelo traslado aéreo direto de Salvador. A empresa aérea Addey trabalha com vôos diários, saindo do Aeroporto Luis Eduardo Magalhães nos seguintes horários: 8h30, 12h30 e 15h30. A passagem custa R$ 290,00 e o tempo do percurso é de 30 minutos.   

Saindo de carro de Salvador: A distância da capital baiana até Boipeba é de 155 km, num total de 4 horas de viagem. Para fazer este percurso você terá que pegar o ferry boat até Bom Despacho, cuja duração tem uma hora. Em Bom Despacho, você embarcará para a cidade de Valença e é bom saber que há linhas de ônibus regulares. Chegando em Valença, haverá duas opções: por Torrinhas, com ônibus e depois pegar uma embarcarção rumo a Boipeba ou então pegar diretamente um barco que leva até Boipeba e cujo horário diário é às 12h30. O ônibus de Valença a Torrinhas, chama-se Expresso Boipeba e há saídas diariamente às 11h e 14h, sendo que nos domingos há apenas um horário: o das 14h. Se você estiver com carro, o caminho será pela BA-001 até Valença ou Torrinhas. Existem estacionamentos para você deixar seu carro nestas duas localidades.

Historia da ilha de Boipeba

 Boipeba foi fundada em 1537 por jesuítas e elevada à condição de Vila no ano de 1610. A ilha também foi residência jesuítica no século 16. Em 1599 os jesuitas se refugiaram em Boipeba devido os ataques dos Aimorés e Camamus. No ano de 1559, movidos pelas campanhas realizadas pelo Governador da época no Brasil, Mem  de Sá, alguns colonos começaram a ocupar as terras desta região e em 1565 foram criadas as vilas de Cairú e Boipeba. Foram os jesuítas os primeiros que tiveram contato com os índios nesta região. As ruínas do Colégio instalado no povoado de Cova da Onça, conhecido também como São Sebastião, são indícios da permanência dos jesuítas e da preocupação destes em proteger os índios contra a escravidão. Há registros que em agosto de 1534 um famoso pacificador de índios chamado Caramuru visitou as ilhas devido um naufrágio da nau espanhola Madre de Dios ocorrido ao sul de Boipeba. O local ficou conhecido como a Ponta dos Castelhanos.

Com a decadência econômica que atingiu Cairú em meados do século 18, Boipeba perdeu a condição de Vila e ficou reduzida a poucos moradores, sendo considerados a maioria destes, pobres. No ano de 1811, Baltasar da Silva Lisboa transfere a nova Boipeba para o continente, dando origem a cidade de Nilo Peçanha. Como herança histórica, Boipeba guarda no antigo povoado duas igrejas que representam a fundação da ilha. São as Igreja do Dívino Espírito Santo e Igreja de São Sebastião.

Igreja do Dívino Espírito Santo

A Igreja de São Sebastião é o mais importante monumento histórico de Boipeba, tendo sido criada em 1616, sob a condição de Capela do Divino Espírito Santo. Foi elevada a Freguesia pelo Quarto Bispo, D. Constantino Barradas, sob o nome de Divino Espírito Santo de Boipeba.

No ano de 1933, um fato curioso ronda o templo: bandidos realizaram escavações ao  redor de uma lápide, que tinha inscrições em latim, à procura de tesouro. Nada foi encontrado.

Entre 1977 e 1979 a igreja esteve em obras, cuja restauração do telhado teve supervisão do Frei Stanislau, pertencente ao Convento de Santo Antônio, de Cairú.

A Igreja apresenta planta em cruz latina, comuns as igrejas de aldeias jesuíticas do século 17, duas sacristias e sineira com acesso pelo exterior, através de escada de madeira.

A Igreja de São Sebastião já passou por diversas reformas, inclusive na fachada e no piso, cujo antigo encontra-se até hoje embaixo do atual. Como destaque, no teto da capela-mor existe uma pintura que representa o Divino Espírito Santo. 

Situada no povoado de Cova da Onça, na ilha Boipeba, a Igreja de São Sebastião fica de frente para o mar. Um belo cartão postal de Boipeba. A igreja possui algumas imagens como a de Via Crucis. Sua data de construção é do início deste século, porém foi concluída somente em 1976, quando foram finalizados a sacristia e o corredor lateral. Conforme o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia no ano de 1988, a Igreja de São Sebastião foi  iniciada em 1914 por Laurencio Machado, tendo sido  autorizada pelo Frei Cornélio, do convento de Cairú. A área onde foi erguida teria sido doada pelo senhor Peixoto, da Cia Valença Industrial. A lápide mais antiga encontrada na igreja é datada de 1916.

Praia do Encanto povoado em Morro de São Paulo.

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Povoados Próximo.

Elegemos como destaque a Praia do Encanto pela caracteristica natural mantida na Ilha, em que vivem cerca de cem pessoas, que estão distribuídas em pouco mais de trinta casas, é um caso singular em Morro de São Paulo, sua praia fica em frente a uma formação de recifes onde, durante a maré baixa, formam-se Piscinas Naturais. Um povoado é uma povoação constituída por poucas casas, ou seja, uma pequena povoação, é geralmente um assentamento humano rural que é demasiado pequeno, Aproveitando sua estada Visite!!!!

Elegemos como destaque a Praia do Encanto pela caracteristica natural mantida na Ilha, em que vivem cerca de cem pessoas, que estão distribuídas em pouco mais de trinta casas, é um caso singular em Morro de São Paulo, sua praia fica em frente a uma formação de recifes onde, durante a maré baixa, formam-se Piscinas Naturais. Um povoado é uma povoação constituída por poucas casas, ou seja, uma pequena povoação, é geralmente um assentamento humano rural que é demasiado pequeno, Aproveitando sua estada Visite!!!!

Morro de São Paulo, que não passava de uma calma aldeia de pescadores até a década de 60, estendeu-se além dos estreitos limites do centro e das praias. Até este período a maioria das casas se concentrava na parte central, chamada de Vila e na Primeira Praia. Nas décadas seguintes, entre os anos de 1970 e 1980, Morro de São Paulo passou por inúmeras transformações, expandindo suas áreas residenciais e proliferando-se numa grande quantidade de ruas e acessos antes inexplorados. 

De acordo com o censo do IBGE, realizado no ano de 2007, a população em Morro de São Paulo era de 3.863 moradores. Deste número, 975 habitantes pertenciam ao bairro do Zimbo, atribuindo a esta localidade a característica de ser a mais populosa de Morro de São Paulo.

Hoje, existem cinco bairros, que se subdividem em ruas e becos espalhados pelas praias e por grandes áreas verdes. Cada um destes bairros possui vida própria. Na maioria o que se vê são cenas cotidianas de uma pequena cidade e belezas incógnitas em caminhos menos explorados pelos turistas. O campo da Mangaba é um destes pontos, onde um dos acessos é feito por uma escadaria com 188 degraus.

 O visual do mirante é indescritível você ver até a Praia do Encanto.

O Zimbo, o bairro com o maior índice populacional, também preserva grandes campos e o ar pitoresco de um povoado de pescadores.

Lugares que além de ruas, curiosidades, histórias e lendas, possuem pessoas humildes e trabalhadoras. O que você acha de desbravar estes locais e conhecer seus encantos. E é este o objetivo deste tópico. Produzir um retrato da comunidade, dos moradores, registrando o modo de vida e as características de cada localidade. Com isto você aprenderá ainda mais sobre seu destino: Morro de São Paulo. E quem sabe colocar no seu roteiro uma visita a estes bairros para passear por suas ruas, conhecendo seus segredos. Viajar até Morro de São Paulo não é somente conhecer suas belas praias e visitar seus tradicionais pontos turísticos.

Outros Povoados  próximos a  Morro de São Paulo.

Outros atrativos são os pitorescos povoados de pescadores localizados no arquipélago de Tinharé e também fora deste, que merecem com toda certeza uma visita! Vilarejos à beira-mar, encantadores pelas paisagens deslumbrantes, características rústicas, isolamento e tranqüilidade. São o destino para quem busca sossego.

Percorrer estes pequenos povoados, habitados por gente simples e simpática, será uma ótima opção de turismo para você conhecer mais sobre a história e a cultura do local. Enganam-se aqueles que pensam que as paisagens destes lugares são sempre as mesmas. Mudam a cada percurso e você encontrará diferentes panoramas, um mais bonito que o outro. 

Com coqueirais, praias semi-desertas, recifes, corais, rios, mangues, Mata Atlântica ainda preservada e piscinas naturais em alto mar. Verdadeiros cartões-postais de tirar o fôlego.

Alguns destes refúgios vizinhos de Morro de São Paulo, estão até hoje distante do desenvolvimento turístico e conservam um ritmo de vida típico, com um povo pacato e trabalhador que vive basicamente da pesca e vê a rotina ser alterada somente nas ocasiões em que recebe as visitas de turistas vindos dos  passeios em volta a ilha.

Em destaque a Praia do Encanto fundada com um rigoroso padrão ecológico e sustentável.

As comunidades preservam a cultura deixada por seus antepassados e a celebram em suas festa típicas.

São a maioria destes povoados que garantem o abastecimento de pescado para Morro de São Paulo e em seus modestos restaurantes encontramos deliciosos pratos servidos á base de peixe, lagosta, polvo e outras especialidades de frutos do mar. A maioria tem infra-estrutura simples, mas suficiente para atender a demanda. Claro, que este não é o caso da cidade de Valença e de sua praia mais famosa, o Guaibim, onde o turismo despontou há muitos anos e conta com uma estrutura bem maior do que vista nos demais povoados citados. Mas em Gamboa, Galeão e nas aldeias de pescadores da vizinha ilha de Boipeba, você notará e sentirá a hospitalidade e humildade destes recantos presenteados com uma natureza exuberante. Um pouco da história e da vida destes lugares está descrita neste blog para você conhecer desde já e incluí-los em seu roteiro durante sua estadia em Morro de São Paulo.

Festa de Nossa Senhora da Luz.

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Festa de Nossa Senhora da Luz

Comemorada dia dia 08 de Setembro, é a principal festa do povoado de Morro de São Paulo. Na ocasião, na festa em homenagem a padroeira, os devotos de todas as localidades vizinhas participam. Durante a novena acontecem missa solene, romarias e a igreja é enfeitada.

Festa de Santo Antônio.

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Festa de Santo Antônio

Realizada também no mês de Junho, no dia 13. Tinha como finalidade homenagear este Santo, que depois de Nossa Sra. da Luz ocupa o segundo lugar de protetor do povoado. Santo Antônio era celebrado nas casas e cada família montava seu altar e cultivava a antiga devoção vinda de Portugal.

Mês de Maio

Durante o mês de Maio, na Igreja de Nossa Senhora da Luz. Na Paróquia acontecia a oferta de flores, onde crianças, jovens e adultos celebravam Nossa Senhora  dedicando e ofertando-se flores.

Cortejo São Benedito.

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Cortejo São Benedito

Realizado no fim do mês de dezembro, geralmente dia 26. Um grande cortejo animado, onde um morador pinta-se de preto representando a figura do Santo. Os participantes fazem uma grande procissão pela praia e ruas do povoado, batucando, cantando e arrecadando doações para a igreja

Lavagem do Morro de São Paulo.

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Lavagem do Morro

Acontece no domingo que antecede a Festa da Padroeira, dia 08 de Setembro. A comunidade e turistas lavam as escadarias da Igreja e a celebração conta com participação de baianas, que são uma atração a parte.

Marcha de Presépio.

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Marcha de Presépio

Promovida em Dezembro. Era basicamente a queima do presépio, realizada no dia 06 de janeiro. As famílias da comunidade queimavam seus presépios neste dia.

Festa de São Gonzalo.

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Festa de São Gonzalo.

Chamado também de Dondorô esta festa era promovida no mês de janeiro. Mulheres e homens saíam pelas ruas, dançando e cantando. No largo da praça, cantavam o hino ao santo e pulava-se ao redor da imagem. Era uma prévia do carnaval e segundo os moradores do povoado não se realiza há mais de 10 anos.

As Festas Religiosas e Típicas.

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As Festas Religiosas e Típicas.

Os eventos religiosos promovidos pela Paróquia de Nossa Senhora da Luz não se limitava apenas às missas, religiosamente realizadas nos sábados ou domingos,  mas haviam também outras festas religiosas. No calendário católico do povoado de Morro de São Paulo, vamos encontrar as Festas de Santos Católicos como São Benedito, São Gonçalo, Santo Antônio e outros eventos religiosos que fazem e fizeram parte da herança cultural do vilarejo. Essas festas, geralmente montadas na Igreja, contavam, além da parte religiosa (missas, novenas, procissões), com quermesses, brincadeias, danças e cantos folclóricos. 

Os festejos congregavam participantes de Morro de São Paulo e de povoados vizinhos. Resgatavam a história de Morro de São Paulo no que diz respeito a fé e ao encontro do povo. Porém, os festejos desapareceram com a voragem do tempo e hoje limitam-se apenas a realização da Festa em Homenagem a padroeira Nossa Sra. da Luz e ao Cortejo de São Benedito.

Não são mais as mesmas festas religiosas de antigamente. Os moradores e nativos participam, mas as festas populares são promovidas de maneira descaracterizadas. Antigamente, conforme narra Frei Elias, estas festas uniam e congregavam toda a comunidade. “Era algo maravilhoso, mas hoje as festas religiosas foram sucumbidas pelo turismo”, ressalta. Segundo o historiador Augusto César M. Moutinho, estas festas populares que ainda acontecem, agora são realizadas de maneira descolada da realidade do povo. Ele cita como exemplo o Cortejo de São Benedito. “Os moradores não tem mais tempo de se relacionarem com o coletivo, estão ocupados trabalhando. As teias de solidariedade se dissolveram e enxergamos isto com extremo saudossimo e com tristeza também”, explica.

Conheça a seguir quais são as festas populares e religiosas do povoado de Morro de São Paulo e caso tenha  a sorte de estar na ilha durante a realização de alguma destas, não deixe de participar !

A Irmandade Nossa Senhora da Luz.

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A Irmandade Nossa Senhora da Luz

Outro fato curioso e marcante dentro da história da Igreja Nossa Senhora da Luz foi a presença da Irmandade que também recebeu a mesma denominação do templo. De acordo com Frei Elias Feitosa, as irmandades surgiram nas Igrejas Católicas do Brasil como ponto de referência para aquelas pessoas que queriam se aproximar de Deus e ao mesmo tempo organizar a vida religiosa e social daqueles que faziam parte das comunidades locais. Em Morro de São Paulo existiram duas grandes irmandades: a Nossa Sra da Luz, que teve sua origem provavelmente no século 17 entre os anos de 1620 e 1628 e posteriormente, a Irmandade do Santíssimo Sacramento. Desta, conforme diz o Frei, existem poucas informações.

A Irmandade que realmente marcou presença dentro da comunidade do povoado de Morro de São Paulo foi a de Nossa Sra. da Luz, tendo inclusive como prova de sua existência um acervo que está muito bem guardado dentro da igreja e que inclui entre outros documentos o estatuto datado de 1845, os originais dos livros chamados na época como “de acordo” ou “acordões” e os livros de entradas e saídas de pagamentos feitos pela entidade. Segundo o Frei, algo peculiar na Irmandade era o fato desta organizar toda a vida religiosa e diga-se também política dos moradores a partir do século 18 até o período da Segunda Guerra Mundial. Nesta época, após o término da guerra, houve uma coisa muito desagradável. Conforme nos relata Frei Elias, uma pessoa que fazia parte da Irmandade se apossou totalmente da entidade, tomando suas próprias decisões e isto resultou na dissolvição da mesma. “Isto rachou com a Irmandade”, enfatiza o Frei.

Era a Irmandade Nossa Senhora da Luz que cuidava da vida dos moradores pobres, ajudando com alimentação e dinheiro. Frei Elias destaca isto como impressionante durante a vida da entidade. Sempre havia um caixão disponível guardado dentro da igreja para facilitar o funeral daqueles que participavam da irmandade ou para  a população carente do vilarejo que não tinha condições de arcar com as despesas. A Irmandade possuía muitos bens, entre estes, uma fazenda na Quarta Praia chamada “Sueiro” e algumas casas na vila.

O dinheiro dos aluguéis destas casas era revertido à comunidade. Durante todo seu tempo de existência a entidade sempre teve altos e baixos, inclusive algumas “partes negras” como define o Frei,  no que diz respeito aos bens.

No início a Irmandade Nossa Senhora da Luz era formada somente por homens, mas depois de um certo tempo as mulheres também passaram a fazer parte de sua formação. Em toda sua existência sempre procurou conservar e preservar o patrimônio cultural da Igreja Nossa Senhora da Luz, tendo sido responsável pela construção, desde a elaboração do projeto até a conclusão da torre sineira do templo, cujas obras duraram 10 anos. Toda a documentação destes feitos está devidamente guardada até hoje, junto aos antigos documentos. Desde seu surgimento foi também a Irmandade a mantenedora pela  Novena em homenagem a  Nossa Sra. da Luz, realizada anualmente dia 08 de Setembro. Desde 1620, quando a família Saraiva Goés construiu a capela original, que nesta data comemora-se a festa em homenagem a Santa e a Irmandade sempre esteve presente e atuante nas comemorações. Apenas durante os tempos em que estava sendo realizada a construção da torre sineira, que não pôde ser promovida uma grande festa, pois os recursos arrecadados estavam todos sendo destinados a conclusão da torre. O estatuto da Irmandade diz que quando no calendário o dia 08 de Setembro não ser num domingo, pode-se alterar a festa para o próximo domingo. Mas, de qualquer forma dia 08 sempre haverá a missa solene em homenagem a padroeira.

Hoje,  a Irmandade Nossa Sra. da Luz ainda existe, não nos moldes antigos mas está presente em algumas pessoas que fazem parte da comunidade de Morro de São Paulo. Dona Zezé, Ana Damasceno, Tâmara, Nicinha, Branca, Preta, Antônia, Deusa, Romenil, Frei Elias e outras pessoas são exemplos vivos da presença da Irmandade Nossa Sra. da Luz. São estas pessoas que a mantém viva, embora de maneira precária, mas de acordo com as suas possibilidades. E como os antigos componentes desta secular entidade, estes nativos e moradores têm como principal meta a luta em conservar e preservar os bens culturais da Igreja ou o que sobrou desta.

O Cemitério.

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O Cemitério

Este ano foi o recorde de enterro em Morro em sua totalidade de 03 pessoas

Este ano foi o recorde de enterro em Morro em sua totalidade de 03 pessoas

Entre os segredos e mistérios que envolvem a Igreja Nossa Senhora da Luz está a existência de um antigo cemitério. Localizado nos fundos da igreja e numa área particular, mais precisamente ao lado esquerdo de quem entra no templo. Há aproximadamente dois metros debaixo da terra, segundo o Frei Elias Feitosa, no local existem restos mortais de antigos nativos e moradores de Morro de São Paulo. Há documentos que revelam que o cemitério foi desativado desde 1897 pela Irmandade Nossa Senhora da Luz.

Frei Elias destaca sua importância, por ser um cemitério antigo é considerado um sítio arqueológico e sagrado. Apesar do antigo cemitério estar numa área particular, o Frei ressalta que  esta parte do terreno pertencente a igreja e antigamente era chamado de “Outeiro de Nossa Sra. da Luz”.

Nestes tempos, moravam em uma pequena casinha de taipa duas senhoras negras, descententes de escravos provavelmente, salienta Frei Elias.

A Arte de Resgatar a Fé

As imagens e os altares da igreja confeccionados em madeira entalhada e estilo neoclássico e barroco estavam completamente destruídos pela ação dos cupins em 2004. As ruínas produzidas pelo tempo e o total descaso dos resposáveis pela paróquia e da comunidade local, fizeram com que  o templo  fosse aos poucos se  deteriorando. Tocados por este cenário de abandono, um grupo de fiéis resolveu tomar uma providência para contornar a situação e então iniciou o mutirão de restauro da Igreja Nossa Sra. da Luz, tendo no comando o Frei Elias Feitosa e a senhora Elze Moutinho Wense, conhecida como Dona Zezé. No ano de 2004, após a festa da padroeira, começou a restauração e todo este tempo, tem sido uma ação voluntária sem nenhum fim lucrativo que até hoje sobrevive apenas de doações da comunidade e de turistas que visitam a igreja. A Igreja Nossa Sra. da Luz é um patrimônio histórico, porém, não é tombado. O trabalho de restauração desde o início, conforme o Frei, sempre foi acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão responsável pelo patrimônio histórico brasileiro.

A primeira medida tomada foi sensibilizar a comunidade da importância da iniciativa. Em agosto de 2004 foram distribuídas cartas à população pedindo doações. A maioria atendeu positivamente e foram arrecadados mais de 5 mil reais. Somente o material necessário para concluir a fachada do templo estava orçado em 6 mil. Mas os fiéis guardiões não desanimaram e deram início a obra com recursos provenientes de doações de empresários locais, dos turistas e dinheiro do próprio bolso. Isto ocorreu em meados de outubro de 2004 e a primeira parte das obras terminaram em 31 de dezembro deste mesmo ano. Dona Zezé definiu como sendo “o milagre da partilha”.

Após a conclusão desta primeira parte era a hora do restauro das laterais e da sacristia, onde a maioria das telhas estavam quebradas. Foi feita uma nova sacristia. O terceiro passo foi a construção do espaço “Domina Lucis”, que em latim significa “Senhora da Luz”. O espaço fica situado ao lado da igreja, onde funcionava uma lojinha que vendia artigos religiosos e souvenirs de Morro de São Paulo, a secretaria da Paróquia.

Em relação as imagens, a de Nossa Senhora da Luz, que estava totalmente destruída foi a primeira a ser restaurada. Posteriormente, a imagem de Santo Benetido e depois a imagem primitiva de Nossa Sra. da Luz. Foram também restaurados os dois nichos, o arco cruzeiro e alguns castiçais. Responsável pela restauração, Frei Elias, contou também com a ajuda de alguns colaboradores, tendo sido um processo minucioso baseado em muita habilidade e paciência. A primeira medida foi imunizar as imagens a fim de matar os cupins. A partir daí teve início o trabalho de restauro propriamente dito, com material vindo da Itália.  O mais importante, segundo o Frei, é resgatar a originalidade da peça, para tanto, ele colheu informações junto aos órgãos especializados e também conta com uma grande bagagem cultural: possui especialização em Teologia, realizada em Florença, na Itália. Frei Elias chama a  atenção para a importância deste patrimônio para Morro de São Paulo, pois toda a história da ilha começou na modesta capela erguida em 1628, construída mesmo antes da Fortaleza. Atualmente as obras de restauração continuam, porém aos poucos, pois não há recursos suficientes para a continuação do trabalho.

O Casarão mantém o estilo século XVIII

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O Casarao esta localizada na praca central do Morro de Sao Paulo eeo considerado pelos moradores um dos monumentos historicos do Morro

O Casarao esta localizada na praca central do Morro de Sao Paulo eeo considerado pelos moradores um dos monumentos historicos do Morro

O Casarão

Não é exagero dizer que uma boa parte da história de Morro de São Paulo se reconstitui através da história deste antigo sobrado erguido em 1608, junto a capela de Nossa Senhora da Luz. O Casarão guarda ecos do passado da ilha tendo sido a primeira construção de porte no povoado e já hospedado ilustres personagens da Coroa Portuguesa como o próprio imperador D. Pedro II e a Marquesa de Santos, durante sua visita à ilha, no ano de 1859.

Este antigo sobrado, que já foi depósito de farinha e escola, hoje foi transformado em empreendimento turístico e abriga uma pousada com total infra-estrutura numa área verde de quatro mil metros e cercada por árvores frutíferas. A casa rosa situa-se no Centro da cidade, à direita de quem chega a vila, num espaço privilegiado: no topo da  Praça Aureliano Lima, de onde pode-se avistar toda a rua principal da vila.

A arquitetura do século passado retrata a colonização da região pelos portugueses. Construído inicialmente para sediar a casa de farinha, o casarão passou por várias reformas e por diversos proprietários. Mas todos estes, conseguiram manter grande parte de sua originalidade que está retratada no prédio colonial com um único pavimento.

A casa compreendia originalmente seis peças divididas entre quartos, sala, cozinha e banheiro. A atual proprietária, uma respeitada e simpática baiana de Feira de Santana chamada Helena Maria Moreira Lima, diz que a casa é registrada como patrimônio histórico no Cartório de Imóveis, porém, não é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Apesar das mudanças e restaurações feitas, o sobrado guarda ainda seu estilo original preservando sempre o valor histórico e cultural e está registrado também no IPAC-BA (Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia), como “Monumento de Valor Ambiental”.

Esta antiga casa carrega consigo um passado que se mistura entre lendas e realidade. Estes detalhes envolvendo o casarão, enriquecem sua trajetória. Há quem diga que o casarão é assombrado.

Verdade ou não, o sobrado que destaca-se devido sua imponência, faz parte do acervo de monumentos históricos de Morro de São Paulo e atrai olhares dos milhares de turistas que por aqui já passaram.

Confira a seguir um pouco mais sobre sua história e estas lendas  que povoam o casarão.

A História do Casarão

A primeira edificação de acordo com os registros, era de que o casarão serviu como depósito de farinha. Existem ainda documentos que apontam para o casarão como sendo uma das primeiras casas residenciais em Morro de São Paulo. Sua construção foi entre os anos de 1608 e 1616 pela Família Saraiva. Segundo a história  no início do século  17, o capitão Lucas da Fonseca Saraiva, casado com Catarina de Góes construiu um sobrado e ao lado deste, uma capela sob proteção de Nossa Senhora da Luz. Catarina era a filha de Domingos da Fonseca Saraiva, o fundador da sede do arquipélago, Cairu. Na ocasião de sua visita a Morro de São Paulo, em 1859, D. Pedro II e a Marquesa de Santos, segundo registros, estiveram uma noite no Casarão. A veracidade da afirmação está nos registros de sua viagem no diário no Museu do Ipiranga, no Rio de Janeiro. Além do imperador, o casarão hospedou o alto escalão da corte. A primeira escola pública da ilha, segundo nos conta a senhora Elze Moutinho Wense, Dona Zezé, nativa com 77 anos em 2008,  funcionou em uma das salas do Casarão. Isto no ano de 1910. “A sala da frente era a escola, onde morava minha avó, Aquilina Maria e também  foi a primeira professora primária de Morro de São PAulo”, ressalta Dona Zezé. 

De acordo com um levantamento do Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988, foram proprietários do sobrado a senhora Eufrosina Porto Rosas, que em 1930 adquiriu o imóvel de Joaquim Soares Senna, casado com Eleonora de Souza Senna. Dois anos mais tarde a casa é vendida à Merícia Ratis de Carvalho. Esta permanceu com o sobrado até ser repassado ao senhor Manoel José, no ano de 1947. Em 1960 a casa passa a ser do senhor Nildo Cayres da Costa até este vender a Jaci Coutinho, de Valença. Na década de 70, o sobrado sofreu uma grande reforma. Na ocasião foram substituídas as divisórias internas de estuques por paredes de tijolo. Conservaram-se os assoalhos originais em três quartos.

O vestíbulo e a escada, ambos pisos de madeira foram apenas substituídos por novos, porém, com o mesmo material.

No início de 1989 o casarão é vendido novamente e passa para as mãos de Helena Maria Moreira Lima, atual proprietária. Ela nos relata que foi um presente de seu pai, que visou deixar como um patrimônio à filha. Nestes tempos a casa principal estava muito “judiada” e ela fez algumas reformas como a restauração do telhado que foi todo trocado. No início trabalhou como albergue. Depois foi ampliando, construiu banheiros nos seis quartos e  no lugar da cozinha fez mais uma acomodação. O antigo sobrado transformou-se em pousada e  durante os 20 anos de existência passou por várias mudanças na área total de quatro mil metros em que fica localizado. Nas salas debaixo do sobrado que já serviram para escola e agência de turismo, foram transformadas, desde 1995, num restaurante, um dos mais requintados e sofisticados de Morro de São Paulo e também de propriedade de Helena. O restaurante  já  funcionou como galeria de arte para exibição de artistas locais e de Salvador e também abriu espaço para  shows folclóricos que homenageavam os orixás.

Atualmente Helena conta com a ajudo de seu irmão para tomar conta dos empreendimentos para poder também fazer o que ela mais gosta: cuidar das fazendas da família. “ Morro de São Paulo ainda pode ser considerado um paraíso, pois  ainda há muito verde na ilha. Apenas ficou com ares de metrópole, pois abriga pessoas de vários lugares”, ressalta a empresária.

No ano de 2009, Helena diz não saber a data exata pois no registro não consta, o casarão completa 400 anos de existência e está prevista uma programação em grande estilo para comemorar a data.

As Lendas

Este antigo casarão colonial, construído em 1608 além de representar  parte importante da história de Morro de São Paulo, faz parte das lendas que rondam o povoado. Alguns antigos moradores comentam que nas noites podia-se ouvir barulhos duvidosos. A antiga  residência da família Saraiva, é palco de mitos que povoam o imaginário de nativos e moradores. Conforme o senhor José Oliveira Santana, conhecido como Seu Zeca e com 52 anos em 2008, também o mais antigo empregado da pousada, estas lendas são verdadeiras. Segundo este nativo, a casa é habitada por algumas assombrações e ele mesmo diz ter visto “coisas” dentro do casarão. Seu Zeca acredita ter enxergado vultos subindo a escada da frente e na área da pousada.Como ele mesmo diz: ”Eu quero é prova que não tem espírito ali”, retruca ele. Verdade ou não, isto não assusta e nem desencoraja os turistas que frequentam o local.

A pousada tem uma ótima procura e muitas vezes as pessoas à visitam querendo saber se é verdade que o sobrado tem fantasmas. A proprietária Helena, também não perde o sono por causa destas lendas e diz que talvez tenha fundamento que o casarão possua uma energia diferente. Mas mesmo assim, nunca deparou com nenhuma assombração. “Algumas pessoas se assombram, mas acho que é mito, fantasia”, explica.

Lendas à parte, o casarão merece uma visita seja para hospedar-se ou para conhecer este outro patrimônio histórico de Morro de São Paulo. E com ou sem o arrastar de correntes, não deixa de ser uma agradável opção de hospedagem e referência cultural.

A educadora e a escola.

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A Educadora

Se pedirmos para algum morador de Morro de São Paulo definir em poucas palavras Dona Zezé ou professora Zezé, como também a chamam com certeza as palavras usadas seriam “uma grande incentivadora” ou ainda “uma excelente educadora”. A senhora Elze Moutinho Wense, com 77 anos em 2008, nativa, se faz presente na história deste lugar por sua perseverança e coragem em acreditar e apostar na educação.

A vida desta batalhadora, que sempre defendeu o ensino como principal agente de transformação do ser humano, foi semelhante à vida dos demais nativos de Morro de São Paulo.

Movida a muito trabalho para sobreviver e enfrentar as adversidades do lugar. Mas vemos claramente uma diferença em sua trajetória: sua preocupação com um futuro mais justo e humano. E este futuro, de acordo com suas palavras, “é feito a partir da formação do ser humano”.

O interesse pela educação está no sangue e vem das gerações passadas. Sua avó, que se chamava Aquilina Maria, foi a primeira professora primária de Morro de São Paulo e sua mãe, uma antiga professora que atuou voluntariamente por 22 anos na Escola Nossa Senhora da Luz.

Segundo nos conta Dona Zezé, nesta época não havia professoras na ilha e sua mãe, Áurea Moutinho, alfabetizava as crianças. Este gesto rendeu uma justa homenagam e em 2002 seu nome foi dado a Escola Municipal Áurea Moutinho, localizada no caminho do Zimbo.

Na época em que viveu em Valença, onde residiu com o marido quando este ficou doente, professora Zezé ficou afastada das salas de aula. Depois que ficou viúva, ela retornou aos estudos, se formou em Magistério e trabalhou com música, praticando canto.

A professora não parou por aí. Especializou-se, cursando Teologia em Ilhéus e prestou concurso para o Estado e até hoje está nesta área. Desde que assumiu seu posto como diretora da Escola Municipal Áurea Moutinho, ela cativa a todos não só pela simplicidade, mas também pela dedicação com os alunos. Esta professora, de voz suave e aspecto físico e frágil ganhou lugar cativo na classe da educação de Morro de São Paulo e nas horas em que está fora da escola, ainda encontra tempo para desempenhar outra paixão: cuidar da igreja.

Junto com Frei Elias Feitosa, responsável pela Paróquia, realizou parte da restauração da Igreja Nossa Senhora da Luz. Desde 2004 eles estão envolvidos neste projeto e fazem da maneira que podem, pois não tem apoio do poder público, apenas da comunidade.

 Dona Zezé foi a grande responsável por parte do trabalho realizado até hoje, pois foi com suas economias pessoais que foram feitas a maioria das obras de restauração do templo. (conheça mais sobre esta história no link História/ Monumentos Históricos / Igreja N. S. da Luz).

Devido sua fé, dedicação e absoluta força de vontade é que Dona Zezé é uma das personagens, que fazem parte da história de Morro de São Paulo.

FOOM do pastel ao violão, encanto da vila.

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O vendedor de pastéis que encanta

Assim como Bada é lembrado pela maioria da população como pessoa influente, há outro personagem nesta ilha que apesar de não ser nativo, tornou-se uma unanimidade quando se fala em alegria. Roberto Silvio Maron, com 52 anos em 2008, o popular Foom, é consagrado pela sua alegria e simpatia entre comunidade e turistas em Morro de São Paulo. Muitos turistas que passarm pela ilha levaram um pouco das histórias contadas por Foom e as trasmitiram para outras pessoas. Foom vende pasteís todas as noites num carrinho que fica na Praça Aureliano Lima, na Vila, parte central de Morro. E é neste ponto que ele arma seu cenário para o espetáculo de diversão que encanta e diverte os turistas. Embalado pelo seu violão e com a companhia de outras pessoas que tocam percussão, visitantes e moradores cantam por horas. Aliás, a Vila sem a barraca do Foom não é a mesma. Mas para chegar até aqui, para conquistar esta simpatia e admiração, este argentino passou por muitas coisas e tudo deve início em 1986, quando veio pela primeira vez a Morro de São Paulo. Foom morava em Arembepe, na Bahia, numa comunidade hippie onde conheceu um dinamarquês que lhe falou sobre Morro de São Paulo. A paisagem descrita pelo amigo despertou o interesse em conhecer o lugar. Passaram-se três anos e em 1986 ele veio conhecer a ilha, exatamente no dia 08 de dezembro, feriado baiano de Nossa. Senhora da Conceição. Ele lembra perfeitamente da viajem de ônibus com parada na cidade de Valença. Nestes tempos a rodoviária ainda era um pequeno terminal, localizado perto do cais. Recorda também, que era uma verdadeira aventura, pois chegaram de madrugada e embarcaram no barco que partiu às 4 horas da manhã, chegando em Morro de São Paulo às 7 horas.

Quando desembarcu em Morro de São Paulo, junto com sua esposa Graciela Isabel Rodriguez e os três filhos, todos pequenos, Foom não acreditou no que estava vendo. “A cor da água era transparente e parecia que estávamos chegando dentro de um aquário”, relata. Ele se deslumbrou com o que viu e sentiu. “Parecia um cartão postal, ouvia-se o silêncio do lugar”. Foi então que decidiu: é aqui que vou ficar.

O começo não foi fácil, mas ele encontrou em Morro de São Paulo uma coisa que procurava desde que saiu de seu país, a Argentina, o calor humano. A receptividade dos nativos foi muito boa e para comprovar isto, Foom conta que um morador lhe emprestou uma casa, que ficava situada na Fonte Grande para ele morar. Foi a primeira demonstração de apoio, respeito e sentimento por parte da comunidade. Devido a falta de estrutura da ilha em relação a educação, eles decidiram voltar a Salvador para que as crianças pudessem estudar.

Ficaram por três anos e quando soube que Morro de São Paulo já estava com mais infra-estrutura, regressou em 1993 e foi aí que iniciou a atividade de vendedor de pastéis. Segundo Foom, ele foi o primeiro vendedor ambulante de alimentação da ilha. No começo vendia os pastéis acompanhados com café para as pessoas que embarcavam nos barcos com destino à Valença. Ficava sentado em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz  à partir das 5h30 esperando os clientes. Foi assim que surgiu o “pastel do Foom” que anos mais tarde teve seu ponto fixo, no mesmo local que permanece até hoje.

Nesta época ele vendia também pastel na beira da praia, caminhando da Primeira até a Quarta Praia. Assim trabalhou até o Natal de 2007, mantendo a partir desta data apenas o ponto fixo. Há 15 anos ele vende pastel e também cativa os turistas, que se divertem com o som e a batucada. Já chegou a vender 300 pastéis numa mesma noite e o segredo, além da simpatia, está na forma do preparo. É tudo feito artesanalmente, Foom prepara a massa e Graciela faz os recheios. Ele recorda que a idéia de tornar o local mais agradável e atrair os fregueses surgiu quando ele convidou Joe, um nativo que vende caipifruta junto ao carro do pastel, a fazer um som e assim surgiu a famosa batucada do Foom. Aliás, a música sempre foi uma paixão deste argentino que tem uma banda chamada “Banda Morro de São Paulo”, atualmente desativada. Além do agito que faz junto ao ponto do pastel na vila, ele também toca uma vez por semana, toda quarta-feira, no Teatro do Morro.  Hoje, Foom se mantém com o ponto da vila e seu próximo objetivo é comprar um barquinho para pescar. Um projeto simples, que segundo ele, já conquistou muito e sente-se grado com a comunidade de Morro de São Paulo pela acolhida e respeito que teve durante todos estes anos.

Os Personagens da Ilha.

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Os Personagens da Ilha.

Morro de São Paulo, além das belezas naturais, possui outro tesouro: sua gente. O povoado de Morro de São Paulo abriga personagens e figuras especiais, que retratam histórias marcantes e de coragem. Cada personagem deste enredo apresenta uma vida diferente, mas todos protagonizam fatos que merecem serem contados. Trajetórias de lutas e desafios. Que instigam nossa imaginação e nos levam a viajar através de suas narrativas. Destacamos algumas destas histórias para que você as conheça e se encante com estes depoimentos, que também fazem parte deste paraíso chamado Morro de São Paulo e cujas existências fazem toda a diferença na história principal da ilha.

O xerife do Morro

Não tem alguém em Morro de São Paulo, entre nativos e moradores, que já não tenha ouvido falar de Bada. Uma pessoa carismática e respeitada que é “filho desta terra”, como ele mesmo diz. O povo o chama e o solicita frente a qualquer problema. Qualquer coisa que acontece na comunidade as pessoas reclamam diretamente com ele. O motivo desta popularidade não vem de agora.

Osvaldo Vasco dos Santos, seu verdadeiro nome, com 56 anos em 2008, já foi intitulado “delegado” de Morro de Pão Paulo. Isto há 10 anos atrás, na época em que a delegacia contava apenas com uma sede simples e os policias ficavam num posto localizado do distrito da Gamboa.

Com o apoio da comunidade, Bada abordava as pessoas e quando percebia que o indivíduo não era de “boa conduta”, o expulsava da ilha.  “O xerife do Morro”, assim era conhecido entre os habitantes de Morro de São Paulo e região. E é destes tempos que Bada nos narra um episódio que retrata muito bem sua força perante o povo. O caso de um nativo chamado Pastel. Dois assaltantes esconderam-se em sua casa, na Segunda Praia e acabaram o ferindo com uma faca. Pastel faleceu e este fato causou revolta na comunidade de Morro de São Paulo.

Bada junto com outros nativos saíram à procura dos criminosos na Mangaba, onde estavam escondidos. Munido com uma escolpeta e um revólver, capturou um dos assaltantes, mas o outro fugiu. Quando Bada trouxe de volta o ladrão, próximo a Padaria de Seu Bonzinho na Fonte Grande, o povo gritava e ovacionava por ter capturado o assaltante. Esta história foi há 15 anos atrás, mas até hoje ele recorda com orgulho e lembra das palavras ditas pela comunidade: “Esse é o homem”. Bada entregou o indíviduo aos policias da Gamboa, que foi levado para a delegacia.

A personalidade forte vem da infância. As dificuldades vividas o deixaram calejado e o fizeram enxergar o mundo desde cedo com muita responsabilidade. Bada perdeu o pai com 12 anos e teve que sustentar os 11 irmãos. Depois que casou, com Dona Celeste, passou a viver da pesca, única forma de subsistência em Morro de São Paulo na época, até adquirir seu primeiro barco. Aos poucos Bada foi trocando de embarcações até que conquistou um barco com capacidade para 70 pasageiros e fazia o percurso Morro/ Salvador/Morro. Ficou por muito tempo com este barco até que resolveu vendê-lo e comprar outras lanchas menores para os filhos que hoje trabalham com passeios e fretamentos. Mas bem antes de ser um dos marinheiros da ilha, Bada marcou sua história em Morro de São Paulo também sendo proprietário de um dos restaurantes mais conhecidos durante o final da década de 90. O Restaurante “Vereda Tropical”, fechado há 15 anos que ainda está na memória de muitos moradores que foram seus clientes. Bada ficava na cozinha com a esposa e os próprios clientes se serviam. Atualmente o ex-xerife cultiva outra grande paixão: a politica. Ele foi vereador entre 2000 e 2004 pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e nas eleições de 2008 foi candidato novamente ao cargo, pelo Partido Comunista do Brasil (PcdoB).

O progresso e suas consequências.

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O progresso e suas consequências.

A vida prossegue em Morro de São Paulo como tem sido nas últimas décadas deste século. A população residente na ilha cresceu grande parte deste crescimento se deve pelo aumento de pessoas que fixaram moradia no local. O número de turistas que visitaram a ilha a tornou conhecida mundialmente e a cada ano Morro de São Paulo recebe uma nova leva de transformações e após estes quatro séculos que se passaram, Morro de São Paulo recebe diariamente as invasões de turistas. Vários outros pontos turísticos do Brasil, como exemplo outra praia baiana, Porto Seguro, também passou por este mesmo processo. Primeiro vem a descoberta, depois a invasão e infelizmente a descaracterização do lugar. O deslumbramento com a nova atividade, o turismo, rende lucro fácil. Para quem estava costumado a ganhar dinheiro somente da pesca, as novas frentes de trabalho tornaram-se excelentes oportunidades de chances de enriquecimento. O progresso veio através da nova iluminação, da construção de pistas de pouso de aviões e da construção de dezenas de pousadas. Estes investimentos não modificaram o cenário natural da ilha, mas paisagens vão aos poucos sendo mudadas e o meio ambiente, sofrendo com estas alterações.

Referimo-nos aqui, não somente as mudanças da natureza, mas também as modificações pelas quais passaram os nativos deste lugar, que tiveram suas vidas invadidas e as viram misturar-se a outras culturas e costumes. Muitos relatos de nativos antigos apontam para a chegada do progresso como tendo dois lados: um positivo caracterizado pelo surgimento do turismo com o aparecimento das pousadas que foram se multiplicando e gerando emprego para muita gente e outro negativo, com a descaracterização da cultura local. Morro de São Paulo sempre foi um povoado sofrido do ponto de vista econômico até que o fluxo de turistas atingiu o espaço. As pessoas sempre sobreviveram em função de um extrativismo animal, da pesca. É um apostar na natureza. No final da década de 70, o nativo começa a sentir o sabor de uma perspectiva totalmente consciente do futuro. Sobretudo quando começa a enxergar outras moedas estrangeiras como o dólar e o euro. Vários estrangeiros apostaram no lugar, porém, a maioria destas apostas foi superficial, do ponto de vista do desenvolvimento local.

Na opinião do professor e historiador, pertencente a uma tradicional família de Morro de São Paulo, Augusto César M. Moutinho, os estrangeiros chegavam, trabalhavam durante o verão, capitalizavam seus negócios e no inverno retornavam para suas terras a fim de curtirem o verão europeu. O retorno era pequeno. Associando isto, a uma ausência total de uma política pública relacionada ao desenvolvimento do espaço e a melhoria da infra-estrutura, muito comum em algumas gestões passadas, temos um ambiente caótico. Morro de São Paulo começa a expandir primeiro horizontalmente, depois verticalmente. “A minha geração subia até o Farol e contemplava a Segunda Praia, que no verão era um mar de barracas coloridas. Automaticamente isto foi convertido numa grande invasão, não das barracas, mas de pessoas que buscaram constituir negócios”, lembra Moutinho. “Aquilo que a gente viveu há 20 anos tem infelizmente um sabor de saudade”, conclui. A Segunda Praia perdeu sua constituição física. A ilha da Saudade não é mais uma ilha. Grande parte das construções em Morro de São Paulo foi feita desordenadamente.

De acordo com os nativos, não houve uma disciplina na ocupação das áreas e o rápido crescimento turístico afetou parte dos recursos naturais da ilha. A lagoa e a fonte existente na Biquinha, são exemplos deste descaso com a natureza. Conforme os relatos da senhora Maria do Carmo Lopes Conceição, nativa já falecida, a lagoa hoje não chega nem perto do que já foi. “Antigamente havia um casal de patos que quando enxergavam as pessoas, entravam na água e de lá não saíam”, lembra. Hoje o que vimos é um cenário bem diferente. Desaparecida há muitos anos, a lagoa representa apenas uma pequena porção de água, pois o local foi quase que soterrado e a água não é tão limpa. Na Biquinha havia um bebedouro natural onde os nativos consumiam a água, inclusive, José Oliveira Santana, nativo, com 52 anos em 2008, recorda que existia uma bica d’água de onde os nativos usufruiam tranquilamente da água jorrada. Ele não lembra o ano, em que foi feito um mutirão entre os moradores para restaurar o bebedouro natural. Com a construção das pousadas o bebedouro acabou. “A água era cristalina, pura”, ressalta.

O historiador acredita que no curso de 20 anos a ilha sofreu alterações significativas e tristes. Esta contestação, segundo Moutinho, se dá pela perda de alguns elementos culturais que faziam parte da comunidade. Os espaços foram sofrendo alterações muito bruscas, por exemplo, toda a comunidade convergia sua fé para a Igreja Nossa Senhora da Luz.

As manifestações culturais aconteciam no largo em que a igreja se localiza e este foi sendo subtraído por conta da especulação imobiliária, por conta da invasão das pousadas. “Chegou num determinado ponto que aquele espaço que era considerado sagrado para o povo, não faz mais sentido”, explica o professor.

As festas populares que ainda acontecem como o Cortejo de São Benedito, agora são realizadas de maneira descolada da realidade do povo. A comunidade sobrevivia quase que em função de um patamar máximo de solidariedade. Hoje não se vê mais este patamar. Os moradores não têm mais tempo de se relacionarem com o coletivo, estão ocupados trabalhando. “As teias de solidariedade se dissolveram até dentro da família e a gente enxerga isto com extremo saudossimo e com tristeza também”, enfatiza. Segundo o historiador, talvez o único elemento que fará com que Morro de São Paulo seja cataptado como um consenso de desenvolvimento sustentável correto, bom para todos, seja este vínculo que o sujeito estabelece com o lugar.

Morro de São Paulo é um lugar cosmopolita agrega várias identidades e valores. Só que estes valores são passageiros, pois as pessoas vêm e vão. E esta ausência de identidade, esta vontade de transformar o local, faltou ao nativo. “É a capacidade que a pessoa tem de morar ali, produzir algo consistente. Produzir uma cultura interessada numa coletividade”, conclui.

E não é preciso ser um estudioso no assunto para enxergar claramente estas características apontadas pelo historiador. Os próprios nativos acham que Morro de São Paulo perdeu muito de sua cultura local com a chegada e proliferação de outros costumes. Dona Zezé, Elze Moutinho Wense, nativa com 77 anos em 2008, atribui a chegada dos hippies à grande parte destas mudanças. “Eles trouxeram costumes diferentes, os estrangeiros foram conhecendo o Morro e muitos se radicaram aqui e nossa cultura foi sendo abafada”, salienta. A troca dos nomes originais das praias, os preparativos dos festejos populares como o de São João, também é citado como recordações de um passado distante e que deixou muita saudades.

Morro de São Paulo perdeu parte de sua beleza natural, devido o crescimento desenfreado do turismo. O turismo trouxe o progresso, mas também algumas derrotas. Mas apesar destas perdas ainda existe uma imensa e bela natureza em nossa ilha, que atrai turistas de todos os cantos do mundo. O que dizemos acima deve servir de alerta e reflexão para a própria comunidade, que deve se policiar e preservar. Para os nossos governantes que devem adotar medidas para cuidar de Morro de São Paulo.

É uma luta de todos, onde a vitória só será alcançada se houver união. Morro de São Paulo é um dos poucos lugares no mundo onde existe uma reserva humana, onde as pessoas interagem 24 horas. Integram-se e tanto faz se são de Norte ou Sul de qualquer lugar do mundo. Para Jorge Gramacho, antigo morador, há uma necessidade de preservar a identidade e isto deve servir de reflexão. Morro de São Paulo não deve ser visto como um lugar só para ganhar dinheiro, mas também para se investir socialmente. “É preciso que se more e goste de Morro. Vamos aproveitar a natureza que está nos dando este cenário, o que falta é respeitá-la de uma forma mais condizente e decente”, declara Gramacho.

E como muito bem diz a ex-diretora cultural e moradora, Lena Wagner há desencontros, mas as pessoas ainda se preocupam com isto e a preservação dos recursos naturais, não deve ser vista como modismo ou como chavão, mas sim como verdadeira, com sentimento, alma e coração. “Assim teremos dignidade para recebermos nossos visitantes e o Morro sempre dará uma resposta, pois ele é o portal da alegria e o farol da esperança”, define Lena. Precisamos dizer mais alguma coisa com esta definição?

Os Estrangeiros em Morro de São Paulo.

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Os Estrangeiros.

A história da Ilha de Tinharé também está associada desde sua colonização à interferência e influência dos estrangeiros.

Desde os primeiros tempos, Morro de São Paulo recebe pessoas de fora, pertencentes a outros países e outras nacionalidades que elegeram esta ilha como residência.

São dezenas de estrangeiros que atraídos pelas belezas naturais, aqui aportaram em busca de oportunidade, liberdade ou apenas tranqüilidade.

Alguns não resistiram aos encantos de Morro de São Paulo e trocaram a sofisticação das cidades grandes pela simplicidade da ilha. Muitos se deixaram levar por este clima para sempre e resolveram morar. Achamos que é fundamental registrar alguma destas histórias, destes estrangeiros que ajudaram a construir o progresso desta ilha.

Os estrangeiros também vinham atrás de uma vida melhor e a primeira vista Morro de São Paulo era um lugar perfeito para atingirem seus objetivos. As mãos destes forasteiros, assim chamados antigamente pelos nativos, ajudaram a impulsionar a nova fase do turismo em Morro de São Paulo. Eles traziam novas idéias de organização de trabalho que se difundiam na Europa e nos outros continentes e incorporaram estes hábitos na população, mudando a cara do povoado.

Poderíamos citar muitos exemplos destes estrangeiros, são muitas as histórias de sucesso e permanência na ilha, mas contaremos a trajetória de apenas um que servirá como exemplo de que estas pessoas, pelo menos grande parte delas, não deseja apenas usufruir do lugar mas também almeja melhorar o espaço e tem a preocupação de cuidar do ambiente onde vive. A história de Horst Drechsler, de nacionalidade alemã, que vive em Morro de São Paulo desde 1982.

Horst nos conta que estava viajando pelo mundo e resolveu aportar em Morro de São Paulo, onde na época estava um amigo de sua mesma pátria. Veio para conhecer e ajudar o amigo a construir e acabou ficando por seis meses. O amor por Morro de São Paulo nasceu, conforme ele diz, pela multiplicidade cultural. “A mistura que existe faz com que não nos sintamos diferentes das pessoas que vivem aqui”, define. Claro, que a natureza que encontrou na ilha é o outro motivo.

Após este período, retornou para seu país, a Alemanha, trabalhou, visando juntar dinheiro para retornar a Morro de São Paulo. Horst fez o que a maioria dos estrangeiros fazia: retornava aos seus países e juntando uma quantia voltavam ao Brasil para investir. Conforme Horst, nesta época em Morro de São Paulo a única forma de renda era a pesca. E a pesca não estava entre suas habilidades.

Voltando da Alemanha, onde trabalhou durante três meses, ele permaneceu o restante do ano em Morro de São Paulo e assim foi levando sua vida até que se estabeleceu definitamente na ilha em 1986. Primeiro alugou uma casa, a antiga residência de Manuel Elisbão, localizada na parte central na Vila e atual área onde hoje funciona sua pousada.

Em 1988 comprou a casa e a partir daí começou a ampliá-la e dar formato a pousada. Ele também marcou presença na história de Morro de São Paulo, como um dos pioneiros neste setor. Lembra que qualquer investimento neste período era lucro certo. Prova disso, é que quase todo o dinheiro investido foi praticamente recuperado no primeiro ano de existência da pousada.

Hoje em dia, Horst possui uma bela e organizada pousada e ainda tem tempo para curtir um de seus hobbies preferidos: velejar. Ele é o dono de um Clube de Velas, que fica na Praia da Gamboa. (confira no link Como Chegar com sua própria embarcação a Morro de São Paulo.

Empresário consciente, Horst sabe que parte do sucesso que teve em seus empreendimentos juntamente com o progresso que invadiu Morro de São Paulo nas últimas décadas, trouxe consequencias graves para o meio ambiente da região. “Eu não desejava que o progresso chegasse tão rapidamente, pois sei das consequencias disso”, diz. Como não há como frear o desenvolvimento procurou preservar, porém, poucas pessoas lutavam e lutam por este ideal na ilha.

Para Horst, este é o único ponto negativo. Ver o que acontece, saber como vai acabar e não poder evitar. Mas podemos e devemos mudar esta história. Veja como o povo de Morro de São Paulo está agindo perante as mudanças impostas pelo progresso e o que ainda é possível fazer para mudar alguns hábitos e preservar o meio ambiente da ilha.

As primeiras baladas em Morro de São Paulo.

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As primeiras baladas.

Morro de São Paulo mantém desde o início do seu despertar turístico, a fama de lugar agitado e point dos descolados. As festas mais badaladas da ilha se concentravam até alguns anos atrás, na Segunda Praia (leia o link Praias / História da Segunda Praia) e alguns dos responsáveis por esta trajetória de festas, vivem até hoje em Morro de São Paulo. Alguns ainda levam a vida promovendo eventos, já outros se dedicam a projetos diferentes.

O baiano Jorge Gramacho é um destes incentivadores culturais responsáveis pelo surgimento e início das festas em Morro de São Paulo que marcou uma época na história da ilha. Natural de Salvador, Gramacho veio conhecer Morro no ano de 1987.

Antes disso, tinha uma vida urbana, convivendo com trânsito e poluição. Nunca imaginava que viver dentro de um lugar como Morro de São Paulo fazia diferença e faz até hoje, segundo ele nos conta.

Na época em que chegou na Segunda Praia haviam duas barracas localizadas no início e no final da praia. No centro da praia ficava existia um ponto, que hoje é de sua propriedade.

Na ocasião, o ponto estava arrendado por uma amiga e conhecendo o local, Gramacho lembra que ficou deslumbrado.

Fez uma proposta e alugou a barraca. Manteve o mesmo nome, “Oxum”. Após algum tempo, com a melhoria dos negócios e juntamente com sua ex-mulher, comprou o ponto e o transformou numa área de lazer com rede de vôlei e tabuleiros de jogos.

Tudo voltado para o entretenimento do turista, segundo relata. Havia ainda, mesa de sinuca e como na época a energia elétrica ainda não existia em Morro de São Paulo, colocou uma bateria de caminhão para reprodução de som e animação dos visitantes. A maioria dos turistas era estrangeira, com destaque para os argentinos.

Entre os brasileiros estavam os paulistas e os mineiros. Gramacho diz que muitas destas pessoas apenas visitaram o lugar, outros se fixaram e tiveram ainda aqueles que “desarrumaram suas vidas, pois o paraíso, às vezes, pode desequilibrar as pessoas que não estão preparadas para tanta liberdade”, enfatiza Gramacho.  

Nestes tempos a barraca vendia uma média de 150 dúzias de lambretas por semana junto com outras icuárias da região como carangueijos e diversas espécies de peixes. Com o passar do tempo, Gramacho sentiu a necessidade de fazer alguma coisa para aumentar o movimento durante a noite e atender as pessoas que gostavam da vida noturna.

Empolgado com a idéia de transformar sua barraca no novo point noturno da ilha, ele trouxe de Salvador uma aparelhagem e começou a fazer festas com som mecânico. No começo agradava não só os turistas, mas principalmente os moradores, que eram carentes de opções deste tipo.

Colocou uma cerca para delimitar a área e foi a primeira casa a promover festas na beira da praia à noite. Durante quatro anos conseguiu manter sua iniciativa, mas depois foram surgindo as outras barracas e consequentemente as concorrências.

Surgiram as caipifrutas e as festas na Oxum aconteceram até 1991, quando apareceram outras casas e devido a competição sonora ele resolveu fechar as portas. Na época em que sua barraca funcionava durante o dia, Gramacho lembra que existia uma casa, situada na entrada da ilha, que também promovia festas.

Todos os baladeiros da ilha frequentavam o local. Isto por volta de 1987 e 1988. No final das festas, as pessoas não tinham onde fazer um lanche, pois não funcionava nada na Vila durante a madrugada. Neste período, então, Gramacho teve a idéia de abrir uma lanchonete com o nome de “Q. Beco”, na rua Caminho da Praia, na Vila, parte central de Morro. A lanchonete funcionava da meia-noite às 4 horas da manhã e devido o barulho que os clientes faziam ao chegar das festas, permaneceu aberta apenas seis meses. De lá para cá Morro de São Paulo tomou outros rumos e sua barraca virou pousada.

Surgiram as festas promovidas por Luciano do Caitá, na Segunda Praia, onde hoje funciona a galeria do Funny. Conforme Gramacho eram festas mais voltadas para os turistas, mais comerciais. Surgiu a Ponta da Ilha; um bar chamado “Iemanjá”, que anos mais tarde foi arrendado e mudou o nome para “Ibiza”. Mais tarde este mesmo bar, se transformou numa das opções de festas mais badaladas e descoladas da Segunda Praia, o conhecido “87 Music Bar”, que atualmente está fechado.

A descoberta dos espertos em Morro de São Paulo.

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 A descoberta e os pioneiros.

O ambiente sossegado encontrado no antigo vilarejo de pescadores foi aos poucos se modificando e as dificuldades dos nativos desaparecendo pela entrada de capital e aparecimento de novas frentes de trabalho. Este quadro começou a despontar quando surgiram os primeiros veranistas. Como já narramos no link A História de Morro de São Paulo / O surgimento do Turismo, estas pessoas hoje chamadas de turistas, eram originárias de cidades próximas à ilha e veraneavam em Morro de São Paulo, ficando no lugar até três meses durante o verão. A chegada e a permanência destes veranistas mudaram os hábitos dos nativos e fizeram com que estes criassem alternativas de sobrevivência além da pesca e das profissões na área de construção. Os moradores de Morro de São Paulo passaram a oferecer suas próprias casas e em alguns casos a falta de acomodações fez com que até as redes servissem para os turistas pernoitarem.

Os nativos dormiam nas varandas e nas cozinhas para poder alugar os quartos da casa e assim ganhar um dinheiro. Houve também casos de veranistas que se instalaram em Morro de São Paulo, construíndo suas próprias casas de férias. Para reforçar esta demanda, surgiram na década de 70 os hippies, que eram pessoas de hábitos simples e de costumes desgregrados, que viviam em grupos e normalmente acampavam nas praias. Nesta época, segundo contam alguns moradores, surgiram às primeiras iniciativas para atender as pessoas que visitavam a ilha. Os nativos adaptaram-se às mudanças e criaram seus próprios negócios.

Dona Romilze Teófila Batista, com 73 anos em 2008, mora há 54 em Morro de São Paulo e foi, segundo contam os antigos habitantes, a primeira pessoa a abrir um restaurante no povoado. Chamado de “Restaurante Gaúcho” e localizado na parte central, na Vila, era o único restaurante em Morro de São Paulo no ano de 1982. Nesta época, Dona Romilze fez uma parceria com algumas amigas da cidade de Valença, que traziam turistas para almoçar em seu restaurante. Ela conta que junto com o marido, Reginaldo Ramos Batista, com 83 anos em 2008, pescava e vendia os peixes na cidade de Valença ou até mesmo no Mercado Modelo, em Salvador. O dinheiro da venda era usado para comprar ítens e investir no restaurante e na casa.

No restaurante havia duas mesas de sinuca e uma geladeira movida a gás. Com o tempo e a melhora nas finanças, montou um mercadinho junto ao restaurante, segundo ela, também foi o primeiro mercado de Morro de São Paulo. Romilze mantém viva na memória, as recordações destes tempos em que alguns nativos se concentravam ao redor das mesas de sinuca e provavam as “pingas”. Tempos de luta para a sobrevivência do dia-a-dia que deixaram, além das marcas nos rostos, momentos inesquecíveis. “Quando eu vendia peixe no Mercado Modelo de Salvador fui entrevistada por uma revista nacional (Veja). Não tenho mais esta revista”, lamenta Dona Romilze.

Mas não precisa, Dona Romilze. Vemos nos seu rosto as marcas de um passado batalhador. “Minha vida foi dura”, ressalta. Tudo o que tem e conquistou até hoje é fruto de seu trabalho e tantos anos de perseverança lhe deram uma vida mais confortável. Hoje ela e o marido vivem da renda de duas pousadas e alugam quartos para moradores. Apesar da tranquilidade financeira, Seu Reginaldo até o ano de 2008 cortava e carregava lenha. É o hábito do trabalho, uma característica marcante e predominante do povo de Morro de São Paulo.

Outro exemplo da batalha pela sobrevivência, vem na área da gastronomia e também despontou neste período. Hoje é um dos mais conhecidos e frequentados restaurantes da ilha, o Restaurante da Tia Dadai.

Maria Madalena Santos Costa, com 61 anos em 2008, a Dadai como é conhecida em Morro de São Paulo, foi também uma das primeiras moradoras em fazer da comida baiana o seu ganha pão. Depois que fechou a barraca na Primeira Praia, que pertencia á sua mãe, Dona Mariinha, foi aos poucos abrindo o restaurante. Primeiro construiu a casa para morar, depois foi servindo café da manhã para turistas.

Dadai lembra exatamente a data que foi aberto o restaurante: dia 10 de julho de 1993. A partir deste dia foram surgindo os primeiros fregueses vindos da capital e cidades vizinhas, que foram provando os quitudes de Tia Dadai e assim tornaram o restaurante conhecido. Entre os clientes estavam jornalistas de Salvador que divulgaram o restaurante pela capital baiana.

O Tia Dadai teve até a visita de clientes ilustres como o apresentador Jô Soares, que em uma matéria ao Jornal A Tarde, comenta sua visita ao estabelecimento e elogia o tempero desta baiana de Morro de São Paulo.

A matéria foi guardada e está na parede, onde é exibida com orgulho pelo atual proprietário, Ivan Pereira Riberio, que arrenda o restaurante desde 2004. Apesar de não ser mais proprietária, Dadai, pesca diariamente e faz todo o trabalho de casa. Tem somente uma queixa: a saúde que está começando a incomodá-la.

As primeiras pousadas surgiram na década de 80 e conforme alguns antigos moradores a primeira pessoa foi uma paraíbana chamada Gracinha, proprietária da pousada “Sil do Mar”, localizada no caminho do Farol. Outra pioneira neste setor foi Angelina Machado Pimentel, a Gegé que abriu sua pousada em 1986.

Nativa de Cairu, Gegé veio aos 21 anos de idade morar em Morro de São Paulo. Como não se adaptava a vida sossegada, sem novidades, segundo ela mesma conta, seu sogro o “Seu Bonzinho” (Aureliano Lima) fazia e comprava tudo para tentá-la manter na ilha. “Eu fui a primeira pessoa a ter uma geladeira movida a gás, uma televisão também movida a bateria”, conta orgulhosa.

Fonte:

Veranistas Arq. Pes. Juliana Goés

Morro na dec. 80 – Arq. Pes. Leila Chaves Costa

Com o passar do tempo, Gegé comprou um terreno na Fonte Grande e começou a construir sua casa e a pousada. Ela mesma carregava tijolos e brita com a ajuda dos burricos. Preparava o cimento, enquanto o marido levantava as paredes. A denominação pousada era desconhecida por Gegé. Para ela, o empreendimento significava apenas uma maneira de ganhar um dinheiro para sobreviver.

Os primeiros turistas que se hospedaram, uma equipe de médicos, até hoje são seus amigos e ainda frequentam a pousada. Aos poucos foi construindo, se separou, mas ficou com uma parte da casa e até hoje vive no local. Ampliou e transformou numa verdadeira pousada e hoje conhece muito bem o significado da palavra.

A ilha e o povo de Morro de São Paulo.

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A vida dos nativos de Morro de São Paulo::

No passado os nativos de Morro de São Paulo viviam numa verdadeira comunidade e ganhavam a vida das riquezas naturais do local. Um povo pacato e hospitaleiro que morava numa vila simples e sobrevivia exclusivamente da pesca e das lembranças de um passado glorioso. Passado marcado pelos conflitos dos índios gueréns e pelas ousadas invasões holandesas.

Mas não é esta luta que vamos narrar aqui e sim, a luta da sobrevivência, a garra e perseverança dessa gente que fez Morro de São Paulo crescer e se projetar turísticamente. Morro de São Paulo iniciou sua trajetória rumo ao lugar, que conhecemos hoje movido unicamente pela força de vontade de seu povo. Quando Morro de São Paulo era ainda uma vila, isto por volta da década de 50, a maioria das pessoas que morava na ilha, além da pesca tinham as profissões de pedreiro e carpinteiro. Alguns ainda trabalhavam nas caieiras nas fazendas da Terceira Praia.

A comunidade se alimentava basicamente do que retirava do mar: peixe, lagosta e polvo. A carne vermelha nestes tempos era considerada um luxo e só estava presente no prato dos nativos uma vez por semana devido as dificuldades em adquirir a mercadoria. O transporte era precário e feito com barco a vela. Alguns contam que o tempo do percurso até Valença, cidade mais próxima, podia chegar até quatro horas de viajem sendo que havia barco somente uma vez por semana. O barco partia de Morro de São Paulo na sexta-feira e retornava no sábado. No final dos anos 70 surgiu o barco a motor.

A partir daí o transporte melhorou e os barcos ofereciam a viagem todos os dias, mas somente num único horário, às 6h30min. As primeiras empresas de barcos convencionais, segundo os nativos, foram a Biônica e a Marbel. Domingos dos Santos Ramos, com 67 anos em 2008, conhecido como Seu Chiquinho relata que nestes tempos seu pai, Domingos Olentino Ramos, comprou um barco, colocou motor na embarcação e quando viajava para Valença comprava mantimentos para os vizinhos.

Seu Chiquinho conta também que a primeira pessoa responsável pelo abastecimento de água para a comunidade foi seu pai e tudo começou nas terras da família, localizadas na Primeira Praia, mais precisamente na Rua da Prainha.

Ele lembra que as terras foram vendidas pelo do ex-prefeito de Valença, Gentil Paraíso. Seu Domingos teve a sorte de ter no local um barranco que pingava água. Isto lhe deu a idéia de fazer uma escada de bambu, um tanque e começou a ter água para as necessidades da casa. Os vizinhos foram pedindo água também e ele foi fornecendo.

Até que um dia colocou uma tubulação até a lagoa, mas o projeto não contava com bomba, a água descia naturalmente por desnível e abastecia a Prainha, na época era esta denominação da Primeira Praia. Seu Domingos levou o trabalho por muitos anos até o dia em que teve que parar devido problemas de sáude. Com a ausência do pai, que acabou falecendo, Seu Chiquinho deu continuidade ao trabalho e ficou sendo o responsável pelo abastecimento de água de parte da comunidade de Morro de São Paulo. Comprou motor, colocou tubulação pelas ruas e abastecia a Vila e a Prainha. O problema segundo ele, era receber o pagamento dos beneficiados com a água. Até algum tempo atrás ainda existiam antigos recibos, ou seja, as dívidas. A iniciativa chegou ao fim com a instalação da Embassa e o sistema de abastecimento de água canalizada.

Nesta época, Seu Chiquinho perdeu o cargo de fornecedor de água da comunidade de Morro de São Paulo, função que desempenhou por 17 anos.

As dificuldades enfrentadas entre as décadas de 50 e 60, fizeram alguns nativos tentarem a vida fora da ilha. O problema em manter uma professora no povoado, levou muitos moradores para o continente em busca de Educação. Como exemplo, citamos Manuel Paulo Santos, com 58 anos em 2008.

Ele conta que as pessoas queriam sair daqui para tentar algo lá fora, como estudar e trabalhar. Alguns acabavam voltando como ele. Dos 16 aos 36 anos de idade, Seu Manuel esteve em Salvador. Ao voltar constituíu família, sua esposa se chama Maria de Lourdes Santana, e abriu sua barraca na Primeira Praia (veja como foi esta trajetória no link Praias. Romenil dos Anjos Luz, com 67 anos em 2008, descendente de uma das mais antigas e tradicionais famílias de Morro de São Paulo também percorreu o mesmo caminho.

Saiu de Morro de São Paulo aos 20 anos, por volta de 1963 e retornou em 1993. Foi morar no Rio de Janeiro e casou-se. Mas apesar da distância, Romenil sempre manteve laços com sua terra, através da família e dos amigos que aqui ficaram. Veraneava todos os anos em Morro de São Paulo e durante o tempo em que esteve fora, investiu pensando no futuro e na sua aposentadoria. Construiu uma pousada e hoje vive sossegadamente com seu próprio negócio.

Mas se por um lado houve aqueles que como os senhores  Manuel e Romenil, que buscaram novos horizontes, deixando a vida pacata do vilarejo, existiram os que faziam questão de morar no povoado mesmo com todas as dificuldades. O motivo desta escolha, segundo contam muitos destes antigos moradores, se deve a vida que levavam. Vida tranquila, sem incomodações.

A única preocupação era com a busca da alimentação. Época em que para viajar até Salvador em barco a vela o tempo do percurso poderia durar até dois dias, dependendo das condições climáticas. Isto quem nos conta é o senhor Reginaldo Ramos Batista, com 83 anos em 2008. “A viagem era sempre devagar, quando não tinha vento ficávamos parados esperando”, lembra. Seu Reginaldo chegou em Morro de São Paulo no ano de  1945  e diz que na Vila haviam poucas casas e a maior destas era o casarão, que até hoje permanece no mesmo local onde foi erguida (veja sua história no link Monumentos Históricos/Casarão).

Não havia energia elétrica, cuja chegada foi em 1985. A luz que clareava as casas à noite vinha do querosene das lamparinas. Outro invento da modernidade, o telefone, chegou por volta de 1988 e segundo alguns moradores o único telefone existente em toda a ilha, ficava situado na Fonte Grande,  na casa de um senhor chamado Aureliano Lima, o Seu Bonzinho como era conhecido. Seu Bonzinho foi um ilustre morador de Morro de São Paulo e tem inclusive o nome de uma praça em sua homenagem. Nestes tempos devido a existência do telefone, sua casa se transformou num verdadeiro posto telefônico. A primeira telefonista foi Ana Lúcia Melo Damascena. Dona Ana lembra que as filas eram quilométricas, existia somente uma linha telefônica e não havia cabine. “Todo mundo ouvia o que se falava”, saliente. 

Dona Ana relata que sabia sobre a vida da maioria dos moradores, mas sabia guardar os segredos. Também nesta época havia uma única padaria no povoado, a de Seu José, chamado de Zé Preto. Um padeiro engraçado, pois segundo nos contam alguns moradores destes tempos, Seu Zé Preto fazia o pão na hora que lhe dava vontade, não tendo hora marcada.

Outro fato curioso e que desperta muitas saudades por parte dos antigos moradores de Morro de São Paulo, tinha como palco a Fonte Grande. Pelos meados de 1960, alguns contam que até o final da década de 70, havia o hábito dos moradores tomarem banho a partir das 17 horas na Fonte Grande.

Os habitantes dividiam-se entre os homens e mulheres. “Quase toda população tomava banho ali e durante o dia lavavam roupa”, recorda Elze Moutinho Wense, com 77 anos em 2008. Conhecida como Dona Zezé na comunidade, ela lembra que nestes tempos o ambiente era muito sadio, o povo era muito unido e as pessoas se ajudavam, todos muito envolvidos na religiosidade.

Durante o verão, comunidade e os veranistas participavam ativamente das festas promovidas na ilha. A antiga moradora aponta como sendo a única e principal, a festa em homenagem a Nossa Senhora. da Luz, comemorada anualmente dia 08 de Setembro.

Angelina Machado Pimentel, a Gegé, com 52 anos em 2008, também guarda lembranças destas festas. “Ninguém tinha vaidade. Colocáva-mos um vestidinho novo para a festa e pronto”, salienta.

As crianças corriam soltas, ainda mais do que hoje, pelas ruas de terra e os habitantes dormiam com as portas de suas casas abertas. Apesar de que em Morro de São Paulo não há registros significativos de violência, naquela época era bem mais tranquilo. Valencio Inato Manuel do Nascimento, Seu Dandão, com 85 anos em 2008, recorda estes áureos tempos. Segundo ele, se alguém estivesse na rua á noite, chovesse e esta pessoa desejasse tirar a roupa molhada, poderia se despir tranquilamente, pois não correria o risco de alguém registrar este atrevimento. Seu Dandão trabalhou muito tempo como vigilante do Farol, mais de 20 anos, segundo ele. Era ele quem ligava, desligava e tomava conta do Farol. Casado e com seis filhos, ele hoje mora com sua esposa, Isaura Batista da Conceição, com 83 anos em 2008, na Mangaba e a idade avançada e a saúde um pouco debilitada já não permitem que eles transitem pelas ruas. Passam a maior parte dos dias em casa.

Tem muita transformação Morro de São Paulo.

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O restante da ocupação está em Cairú e arredores.

Muitas pessoas chegaram, algumas foram embora. Outras se fixaram e formaram famílias. Mas todas deixaram alguma coisa que marcasse sua presença e fizeram aqui um pouquinho de sua história.

E essa história de todos é a memória viva de Morro de São Paulo e que você também está ajudando a construir.

Alguns episódios destas vidas narramos a seguir neste link.  A trajetória dos que fizeram e viram Morro crescer e o transformarm neste grande pólo turístico que é hoje.

Morro de São Paulo o surgimento do Turismo.

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O surgimento do Turismo

E a história prossegue. Quatro séculos depois da colonização lusitana, Morro de São Paulo começa a dar os primeiros indícios de que estava nascendo uma nova era. A era do turismo.

A partir de 1960 a ilha passa a apresentar os primeiros sinais do progresso, recebendo as visitas de pessoas que moravam em cidades vizinhas. Eram os chamados veranistas, famílias de classe média alta vindas das cidades baianas de Gandu, Valença, Cruz das Almas e da capital, Salvador. Alguns eram fazendeiros de cacau que construíram suas casas para passar as férias, geralmente os três meses do verão, e principalmente localizadas na Primeira Praia e na Vila. Neste tempo, os veranistas costumavam trazer mantimentos para trocar com os moradores.

“Havia uma integração muito forte, uma troca carinhosa”, enfatiza a ex-diretora de Cultura e Turismo da extinta Secretaria Especial de Morro de São Paulo, Lena Wagner. Ela veraneava em Morro nesta época e lembra da solidariedade e integração que havia na comunidade. 

Nesta época para viajar até a cidade de Valença se levava no mínimo três horas. O motivo é que o meio de transporte utilizado era o barco a vela. A pesca era abundante. Na vila havia somente poucas casas e a Igreja Nossa Senhora da Luz. Morro de São Paulo era um vilarejo e seus habitantes tinham uma vida simples, sem energia elétrica e os privilégios do progresso.

Em meados de 1970, Morro ficou conhecido mundialmente por receber a visita de comunidades hippies, que acampavam na beira da praia e arredores da Vila. Derepente quando os mochileiros descobrem as belezas naturais e vão chegando com costumes adversos, os veranistas, alguns mais conservadores, começam a se afastar.

Lena Wagner lembra que alguns veranistas recomendavam que os moradores não deveriam conversar com os hippies. “Marginalizavam a questão”, ressalta Lena. Mas havia muita curiosidade por parte dos que viviam aqui e os nativos se introssavam com estas pessoas com hábitos, digamos, um pouco diferentes. Alguns veranistas se afastaram da ilha neste período, foram para outros lugares. Alguns fecharam suas casas e até hoje as mantém, servindo ainda como casa de veraneio.

 Fonte: Restaurante Tia Dadai – Arq. pessoal: Rest. Tia Dadai

Em 1980, segundo alguns nativos, havia menos de 10 casas de veranistas situadas na beira da Primeira Praia. A principal atividade econômica do povoado ainda era a pesca e já começava a receber um aliado, o turismo.

Nestes tempos não havia luz elétrica, e sim um gerador a diesel que permanecia ligado somente até às 22 horas. Nas demais praias, hoje chamadas de Segunda, Terceira, Quarta e Praia do Encanto, havia apenas grandes fazendas, onde plantava-se coco, piaçava e dendê. Saiba mais sobre a história e desenvovlimento destas praias no link Praias A energia elétrica surgiu em 1986 e o telefone em 1988.

Segundo reportagens de jornais da época, a chegada da energia elétrica a Morro de São Paulo é atribuída a um estrangeiro. Um russo chamado Aleixo Belov, navegador, foi o responsável pela implantação da luz elétrica, através da construção de um cabo submarino de 870 metros.

Durante a década de 80, o turismo se intensifica e Morro de São Paulo recebe uma grande quantidade de turistas e investidores. A partir daí, os habitantes veêm o pequeno povoado se transformar turistícamente e suas vidas mudam. Nesta época, deram-se o aparecimento dos grandes investimentos como hotéis, pousadas, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

Fonte: prainha antiga – arquivo pesoal Juliana Goés Na década de 90 o turismo em Morro de São Paulo é considerado atividade lucrativa, fazendo com que surja o turismo de massa e o aparecimento de novos moradores, inclusive estrangeiros, que vêm para Morro de São Paulo à procura de trabalho e dinheiro. Houve uma proliferação dos meios de hospedagem, foram criadas as pistas de pouso, surge a especulação imobiliária e indisciplinamente Morro de São Paulo cresceu. E aí vem a pior parte desta história: foram surgindo os problemas ambientais.

Morro de São Paulo recebeu o impacto do turismo diretamente em suas belezas naturais, ocasionados grande parte pela falta de cuidados da própria comunidade e pelo descassso e inexistência de uma política administrativa.

Em 1992 surgiu a primeira tentativa de preservação do meio ambiente: a criação da Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba (APA), na ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO-92, no Rio de Janeiro. A criação da APA de Tinharé-Boipeba¸ abrange 433 km² e deu-se pela necessidade de proteção da vegetação (Mata Atlântica e Restinga), encontrada nestas áreas.

A APA compreende os distritos de Galeão e Gamboa, e as vilas de Morro de São Paulo, Garapuá, São Sebastião (também conhecida como Cova da Onça), Moreré e Canavieiras.

Fonte: Veranistas – arquivo pesoal Juliana Góes

O censo de 2007, realizado pelo IBGE, acusou um total de 3.863 moradores existentes em Morro de São Paulo, sendo que 975 pertencem a localidade do Zimbo. 

Hoje dos moradores, a maioria não são nativos. São oriundos de outras cidades da Bahia e também de outros estados do Brasil, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Conforme dados da Bahiatursa, órgão responsável pelo turismo na Bahia, a oferta hoteleira do Arquipélago de Tinharé em 2008 era de 6.558 leitos.

Morro de São Paulo é a localidade com maior número, 5.033 leitos. Boipeba está em segundo lugar, com 866 leitos e após seguem outros povoados como Gamboa com 279, Moreré com 157 e Garapuá com 116.

Evolução Histórica de Morro de São Paulo

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Evolução Histórica de Morro de São Paulo

O Descobrimento – De 1531 a 1942

Segundo os arquivos da época a primeira pessoa a desembarcar em Morro de São Paulo foi um explorador português, chamado Martim Afonso de Souza, em 1531.

Na ocasião Martin Afonso, estava acompanhado de seu irmão Pero Lopez.

Embora isto esteja publicado na grande parte dos livros de História, existem teorias de que eles não foram os primeiros europeus a pisarem nos solos de Tinharé.

O antropólogo e escritor, Antonio Risério, em seu livro “Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia” (BYI Projetos Culturais LTDA/2003), aborda a imediatez dos irmãos em reconhecerem o lugar e a facilidade em nomeá-lo.

O que leva a crer que antes mesmo da passagem dos portugueses, alguns navios estrangeiros podem ter circulado por estas terras. O nome dado por Martim Afonso de Souza a ilha foi “Itanharéa”, sendo mais tarde chamada apenas de Tinharé, cujo significado de acordo com a língua índigena tupiniquim quer dizer “o que se adianta na água”.

Antonio Risério, em seu livro, fala minuciosamente da importância e passagem do povo indígena pelo litoral alto sul baiano. Impossível falar da história de Tinharé, sem citar os aimorés, conhecidos também por “botocudos” (por usarem botoques labiais e auriculares feitos de madeira) e os “gueréns”. Este grupo indígena não eram índios tupis. Pertenciam ao tronco linguístico “macro-jê”. Entre seus costumes estavam a ausência de aldeias e o fato de dormirem no chão sobre folhas. Sobreviviam da caça e da pesca. A colonização do litoral baiano teve início a partir das Capitânias Hereditárias, que se tratavam de imensas extensões de terra doadas por D. João III, rei de Portugal na época, a representantes com poder aquisitivo alto da iniciativa privada.

Em 1534, o território baiano foi dividido em três capitânias, sendo uma dessas a Capitânia de Ilhéus, que abrange a Costa do Dendê, onde fica o arquipélago de Tinharé.

Morro de São Paulo começa a ser citado historicamente no ano de 1535, quando o tenente Francisco Romero, partiu de Lisboa para a Costa do Brasil, ancorando seus navios e desembarcando na Ilha de Tinharé. Aportou na ilha juntamente com alguns barcos e colonos visando estabelecer ali a sede da Capitania. Assim surgiu a primeira povoação européia da Capitânia de Ilheús, uma das primeiras do atual Estado da Bahia e uma das mais antigas de todo o Brasil. Francisco Romero mudou os planos de tornar Morro de São Paulo a sede da Capitania quando percebeu que as terras de Tinharé não eram propícias ao cultivo da cana de açúcar.  Francisco Romero rumou a outros destinos e fundou a Vila de São Jorge dos Ilhéus.

Mesmo não tendo sida escolhida como sede da Capitânia, Morro de São Paulo foi a partir de 1535 efetivamente colonizado e sua denominação deve-se pelo fato do desembarque de Francisco Romero com sua frota ter ocorrido justamente no dia de São Paulo, dia 25 de janeiro, data segundo o calendário da Igreja Católica correspondente a conversão de São Paulo. Já a denominação “morro” é explicada pela geografia acidentada da região. Nesta época, estas localidades formavam a Capitânia de Ilhéus e auxiliavam com homens e produtos alimentícios a reação baiana às invasões. Foi dentro deste contexto que surgiu a idéia das autoridades coloniais em construírem uma fortaleza nesta região com o propósito de defender a capital de ataques estrangeiros, então, o Governador Diogo Luis de Oliveira deu início à construção da Fortaleza de Tapirandu, em Morro de São Paulo, em 1630.

Anos mais tarde, de acordo com registros, Morro de São Paulo abrigava uma guarnição com 51 peças de artilharia, 183 homens e uma muralha de quase mil metros de extensão. Em 1730, a Fortaleza foi ampliada por D. Vasco Fernades César de Menezes, conhecido como Conde de Sabugosa, com o objetivo de tornar a ilha posto fiscal e militar. No início do século 17, o capitão Lucas Saraiva da Fonseca fixou residência em Morro de São Paulo e ao lado ergueu uma capela, pedindo proteção a Nossa Senhora da Luz.

Registros apontam que neste período havia poucas casas que ficavam situadas junto a Praça Aureliano Lima e na rua que levava a praia. As poucas moradias existentes nesta rua eram pertencentes aos nativos e aos soldados da Fortaleza.

Em Cairu, Boipeba e Morro de São Paulo começaram a surgir os conventos, casas, sobrados praças e igrejas. Após a fase das invasões holandesas, os aimorés ou botocudos voltam a atacar na região e agora chamados de “gueréns”, denominação que estes índios tinham nas terras de Porto Seguro. Os gueréns causaram medo e travaram inúmeros combates durante décadas na Capitânia de Ilhéus e consequentemente converteram as vilas de Cairu e Boipeba em pobreza. Neste período entraram em cena a mando das autoridades coloniais, os bandeirantes paulistas. João Amaro, um destes bandeirantes, foi destinado para Cairu em 1671 e até 1673 esteve na Vila e conseguiu apaziguar e por fim as intermináveis lutas dos gueréns.

Após o período de batalhas e de ser considerado como zona franca e ponto de passagem de aventureiros e contrabadistas, Morro de São Paulo passou a produzir farinha de mandioca. No século 17 muitos navios que vinham de Portugal e da Angola costumavam fechar negociações clandestinas antes de entrar na costa da Baía de Todos os Santos. As vilas do litoral sul passaram a ser as fornecedoras para Salvador e para as vilas do Recôncavo, inclusive, o antropólogo Antonio Risério, faz uma citação em seu “Tinharé–História e Cultura no litoral Sul da Bahia”-Capítulo 14- Pág.127, que define muito bem a situação dos povos do litoral sul nesta época: “O morador de Ilhéus, Cairu, Camamu ou de Boipeba é agora, economicamente, uma espécie de índio do morador da Bahia de Todos os Santos e terras circunsvizinhas….”

Por volta de 1670,  o governador Afonso Furtado proibiu a construção de engenhos e as plantações de canaviais nas vilas do litoral sul, visando que todas as forças de trabalho fossem concentradas no cultivo da mandioca. Somente um engenho ficou existindo, por tratar-se de ser muito antigo e de propriedade de Antônio de Couros, em Cairu. Posteriormente, surgiu a época da extração da madeira e as matas do alto-sul da Bahia tiveram suas árvores tombadas para a construção de navios e para reparo das armadas da Baía de Todos os Santos. As praias do litoral do sul da Bahia foram recebendo os europeus, mais tarde os negros, cobrindo-se de novas espécimes vegetais, conhecendo novos bichos e novos estilos arquitetônicos.

Apesar de não ser a região que tenha concentrado o maior número de escravos, estas vilas tiveram a maior incidência de formação de quilombos, de acordo com Stuart Schwarz, que afirma em seu livro “Escravos, Roceiros e Rebeldes”, isto se explica pelo fato de que estas vilas se encontravam enfraquecidas e não tinham como bloquear a entrada de negros fugitivos. Cairu registra a presença de quilombos em sua história e apesar de ser considerado um local de difícil acesso, não impediu que os quilombos de se fixarem na região e permanecerem, até o final do século 17, deixando estas comunidades sob ameaça constante.

Segundo registros existiu uma denúncia em 1846 em relação à existência de uma irmandade negra, denominada de “Irmandade de São Benedito”, cuja sede seria na igreja franciscana local. Nos tempos que nem gueréns, nem os quilombos amedrontavam a região, as vilas começavam a retomar a rotina de sobrevivência. Citamos mais uma vez Antonio Risério, que aponta que o Censo de 1780 revela que naquela época existiam em Cairú quatro mil habitantes e em Boipeba, 3.300.

Pode-se dizer que no século 18 Morro de São Paulo resumia-se territorialmente a uma única rua, que ligava a capela à praia. Com o surgimento da Fonte Grande, no ano de 1746 apareceu outra rua.

Embora o Brasil tenha ficado independente de Portugal em 1822, a Bahia somente conquistou sua independência no dia 02 de julho de 1823. Os portugueses recusaram-se a entregar a Bahia ás províncias nordestinas e a região amazônica e a partir dai travaram-se batalhas portuguesas e brasileiras até o desfecho desta história, que na Bahia terminou em 1823 com a retirada dos portugueses das terras e a incorporação do estado baiano ao estado Nacional.

A participação do litoral alto-sul, especificamente das vilas de Cairu, Boipeba e Morro São Paulo, foi importante nesta conquista principalmente no que diz respeito a Fortaleza de Tapirandu. Segundo anotações pessoais, o imperador D. Pedro II, visitou a ilha em 1859, juntamente com a Família Real. Nesta ocasião, de acordo com seus apontamentos, Dom Pedro II relata que viviam na ilha cerca de 300 famílias. Existem documentos que revelam um suposto banho do imperador na Fonte Grande, em companhia da Marquesa de Santos.

No final do século 20, o povoado de Morro de São Paulo perdeu sua importância estratégica e militar, transformando-se numa pacata vila de pescadores. A explosão dos cacaus na Bahia, registrada a partir da década de 1950, não atingiu as terras de Tinharé. Enquanto Ilhéus progredia e ganhava com as novidades urbanas, a Ilha de Tinharé registrava um panorama econômico paralisado com seu vilarejo de pescadores. Já neste período também, Morro de São Paulo oferecia segurança à navegação regional devido à presença do Farol e passa a sofrer com o medo ocasionado pela Segunda Guerra Mundial.

 Agosto de 1942 -

Os reflexos da Segunda Guerra Mundial no povoado de Morro de São Paulo.

Morro de São Paulo ressurgiu no cenário brasileiro no período da II Grande Guerra, entre 1941 a 1945. A guerra estourava na Europa, mas o vilarejo de Morro de São Paulo, situado à milhas de distância, sentiu as consequências de maneira muito próxima.

O povo sentiu-se acoado o tempo inteiro. Este distanciamento geográfico e ao mesmo tempo esta proximidade com a guerra: o medo, a angústia, é explicado em função da ausência de notícias, pois não havia meios de comunicação na comunidade e também pela dificuldade de deslocamento, pois o tempo da viagem até a cidade de Valença que era a mais próxima podia durar quatro horas em barco a vela, dependendo das condições do mar. O medo dos habitantes de Morro de São Paulo também é atribuído a uma leitura própria, de acordo com o historiador e mestre em História Social, Augusto César M. Moutinho.

Esta leitura na verdade se estabelece em função de elementos culturais já segmentados na comunidade, por exemplo, o medo que sentiram em 1942 não é algo novo na população. A concepção de medo atingiu uma forma reconhecida pela comunidade, ou seja, eles conhecem o medo desde os primeiros tempos da colonização, através das tentativas de invasões dos holandeses. “Este medo é rememorável o tempo inteiro e a comunidade faz coletivamente uma releitura”, explica Moutinho.

Também professor da Faculdade de Ciências Educacionais (FACE), Moutinho é autor do livro: “A Sombra da Guerra” (Salvador/Quarteto,2005). A idéia em escrever o livro surgiu primeiramente como forma de dissertação do Mestrado de História e depois sim o livro que foi publicado em 2004. Sua família é nativa da ilha e ele conta que sempre ficava conversando com os mais velhos, sentado nas escadarias da Igreja Nossa Senhora da Luz, enquanto pegavam uma brisa fresca. Em meio a tantos outros temas, um era referência imediata na memória dos nativos, a Segunda Guerra Mundial.  Estas conversas despertaram o interesse em falar sobre o assunto. A intensão do livro foi discutir as particularidades da comunidade.

A referência, argumenta o historiador, se dá por conta das grandes dificuldades da época, da alimentação e do medo. “Eles estavam praticamente isolados em termos geográficos e construíram uma noção de guerra extremamente particular e interessante”, ressalta. Nestas conversas com os antigos nativos, este conceito de medo sempre vinha à tona. E conforme Moutinho, é interessante falar também, talvez seja uma contradição, do saudossismo. E como a memória desobedece ao tempo e ao espaço, ele acredita que este saudossismo esteja relacionado as teias de solidariedade, aos bons tempos da ausência do capital, mas da liberdade de autônomia e da unidade familiar. De acordo com o livro e também alguns relatos de nativos que viveram nesta época, agosto de 1942 foi um período trágico mundialmente e particularmente para Morro de São Paulo, foram três dias de sufoco no litoral baiano.

Os moradores foram pegos de surpressa. A comunidade ficou abalada com os afundamentos dos navios brasileiros “Itagiba” e “Arará” que ocorreram aproximadamente 12 ou 15 milhas rumo leste da costa. “Foi terrível porque as pessoas chegaram muito machucadas, em baleeiras.

Alguns já mortos, recorda a senhora Elze Moutinho Wense, 77 anos, nativa. Ela reforça a teoria do medo, definindo este período como sendo o “tempo do medo”. “Qualquer coisa diferente que acontecesse a gente sentia medo. “Não podia deixar luz acessa nas casas à noite para evitar sinal de que havia gente”, conta. Existia um receio muito grande da inclusão de submarinos. Dona Zezé lembra do episódio de uma barcaça carrregada de bananas, que estava viajando rumo a Salvador e foi torpedeada. A carga foi toda roubada.

O naufrágio dos navios fez a comundiade sentir-se apreensiva, ansiosa e amedrontada. Os feridos passaram uma noite em Morro de São Paulo e depois foram levados no dia seguinte para a cidade de Valença, no prédio do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem, onde existia a antiga Recreativa (construção arquitetônica em estilo neoclássico que serviu como primeiro banco de sangue do estado nos anos da Segunda Guerra Mundial). Houve uma espécie de vontade coletiva de prestar socorro às pessoas. A noite que pernoitaram em Morro de São Paulo, os sobreviventes da tragédia dormiram na antiga casa de seu Manuel Elisbão, situada na Praça da Amendoeira, na Vila, parte central da ilha.

Segundo algumas narrativas, na verdade não se sabe as dimensões disso, mas um carrasco alemão, destacado por Hittler para atacar esta parte do litoral da Bahia, tinha como técnica torpedear, submergir e atirar ainda nos naufrágos. Segundo alguns relatos isto era muito comum e acabou chegando naquele momento à comunidade de Morro de São Paulo.

Paralelo a este acontecimento dos torpeamentos e naufrágio dos navios, havia as medidas governamentais como o blecaute parcial e total do litoral. O medo povoa a noite, então, nesta parte do dia era muito complicada para os nativos, que tinham o hábito de pescar com fachos de luz (pedaços de pau com fogo na ponta que serve para iluminar a pesca noturna). Isto já não era mais possível, fazendo com que a capacidade de sustentabilidade da comunidade diminuísse notoriamente. Os alimentos começaram a ser racionados. “Quando íamos para Valença fazer feira trazíamos poucos alimentos”, recorda Dona Zezé. 

Seu Valencio Inato Manuel do Nascimento, conhecido como Dandão, 85 anos também outro antigo morador e pescador da ilha, guardou na memória os tempos de pavor vividos em 1942.  Ele recorda que quando pescava na ilha do Caitá, na Terecira Praia, ouvia os estouros vindos de perto da costa.

Para concluir o episódio das consequências da Segunda Guerra em Morro de São Paulo, o historiador Augusto César M. Moutinho aponta ainda outra questão: o mito reconstituído. O homem do litoral sempre conheceu o piatatá, que na perspectiva do pescador era uma bola de fogo que percorre o horizonte e mata todo mundo. Dona Mariinha, outra antiga nativa, já falecida, também foi ouvida por Moutinho na elaboração de seu livro.

Em alguns de seus relatos quando falava especificamente dos alemães, Dona Mariinha misturava os elementos, dizendo que os submarinos lançavam fachos de luz no céu e clareavam tudo. Inconscientemente, a antiga moradora referia-se a figura do piatatá.

Outro exemplo e segundo o autor o mais impressionante de todos, está no relato desta mesma senhora ao falar do tempo da colonização, uma releitura de um mito criada no tempo da invasão holandesa, em 1624. Conta à lenda que o nome dado a uma parte da Fortaleza de Tapirandu, onde fica o Forte de Santo Antônio, é atribuído ao fato de que na época da guerra, tentaram invadir  Morro de São Paulo e Santo Antônio colocou várias velas acessas no curso da Fortaleza.

Isto assustou e espantou os invasores. Ela dizia que seus antepassados contaram esta história a ela. Estes elementos estão presos na memória do nativo e são agregados a cultura local. Quando se discute o contexto das invasões holandesas ou da Segunda Guerra Mundial, se discute também estes elementos. Conforme Moutinho, estes elementos dizem respeito ao cotidiano das pessoas. “Não é abstração, se enxerga isto na prática e é isto que torna a História mais saborosa e agradável, não lidando somente com datas e sim com fatos e pessoas.

Morro de São Paulo como começou o Vilarejo e o Turismo.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Arquipélago de Morro

 

Como começou o Vilarejo e o Turismo em Morro de São Paulo.

Morro de São Paulo não se resume, obviamente, às suas belezas naturais. Além do ar puro aqui se respira muita história. O passado de Morro de São Paulo é narrado principalmente através dos relatos dos mais antigos moradores. Moradores estes, que possuíam um ritmo de vida tranquilo, vivido numa vila de pescadores com belas praias e marcado por uma densa história.

Há poucos registros que fundamentem esta trajetória, mas de uma coisa todos que residem na ilha têm uma certeza: Morro de São Paulo já foi há muito tempo um lugar tranquilo para se viver. Há mais de 30 anos atrás era uma vila simples, de pessoas pacatas, que sobreviviam exclusivamente da pesca e das lembranças de um passado glorioso. Passado este que teve início a partir de sua descoberta, em 1531, atribuida ao navegador português Martim Afonso de Souza. Nos últimos quatro séculos a ilha registrou episódios de pirataria, contrabando de mercadorias e serviu até de palco para batalhas.

Hoje pode-se dizer que é considerado um dos destinos tropicais mais procurados por turistas dos quatro cantos do mundo. A vida sossegada dos nativos começou a dar indícios de que estava prestes a mudar quando passou a receber as primeiras visitas dos chamados “veranistas”, oriundos de cidades vizinhas que atravessavam o canal em barco a vela. Nesta época, na década de 70 a energia elétrica e o telefone ainda estavam distantes da realidade dos morristas. Os moradores usavam candeeiros ou fifos a querosene. Até surgir o gerador que fornecia energia das 17h às 22h. A luz elétrica só apareceu em 1985. Na Fonte Grande as pessoas tomavam banho coletivo e a ponte do cais, onde hoje desembarcam diariamente centenas de pessoas, era um pequeno pier de madeira.

Os veranistas permaneciam durante os meses de férias, alugando as casas de nativos e alguns chegaram até a construírem suas próprias casas, situadas principalmente na Primeira Praia. Depois dos veranistas surgiram os mochileiros e hippies que divulgaram para o mundo inteiro a beleza de Morro de São Paulo e o tornaram conhecido mundialmente através de seus testemunhos. Foram através dos hippies também, que muitos estrangeiros ficaram sabendo da existência e conhecendo a ilha de Tinharé e consequentemente alguns aqui se estabeleceram, trazendo seus costumes que foram aos poucos sendo incorporados à cultura local. Muitos destes, não resisitiram as belezas naturais e trocaram a sofisticação das metrópoles pela vida rotineira da ilha.

Morro de São Paulo passou a receber turistas de todas as partes do Brasil e do mundo e as casas dos nativos foram se transformando em restaurantes, pousadas e assim nascendo toda uma infra-estrutura para atender a nova demanda chamada de turismo.

As praias originalmente tinham outros nomes. Não eram denominadas pela ordem numérica que possuem hoje. Cada uma tinha uma denominação de acordo com uma característica própria. A Primeira, que também foi a primeira praia a despontar, se chamava “Prainha”. A Segunda que foi descoberta logo após a Primeira no final dos anos 90, era “Poço da Praia”, porque realmente se parecia com um poço.

A Terceira chamava-se “Rio do Pinto”, devido à existência de uma Fazenda, até o início da Quarta Praia, cuja área era conhecida como “A Ponta”. A Quarta Praia era “Mangue Queimado” e ao final desta, no local onde existia outra fazenda que recebia o nome de “Seres”, pelo fato da filha do proprietário chamar-se assim. Já, a Praia do Encanto havia originalmente dois nomes: “Mata”, logo no início e “Karapitangui”, mas para o final da praia. A Praia Ponta da Pedra sempre manteve esta denominação, já a Porto de Cima, existem alguns moradores que dizem que esta praia se chamava “Praia do Jeque”, por ter morrido um jegue no local.

Você ficará sabendo mais sobre a história de cada uma destas praias, como ocorreu a povoação, acontecimentos, pessoas que marcaram estas áreas e curiosidades no link Praias.

Na época da Segunda Guerra Mundial, Morro de São Paulo serviu de palco para acontecimentos como o naufrágio dos navios “Arará” e “Itagiba”, que foram torpedeados pelos nazistas na costa. A comunidade socorreu os naufrágos e os mais antigos moradores ainda recordam estas lembranças e os tempos de medo por que passaram. Desses saudosos tempos até hoje, Morro de São Paulo passou por incontáveis transformações e o chamado progresso que parecia tão distante por Morro de São Paulo ser localizado geograficamente numa ilha, chegou. Com ele vieram as mudanças. Algumas boas, outras nem tanto. Algumas construções foram feitas desornadamente. Não houve uma disciplina em algumas partes de ocupações de áreas.

Talvez por falta de organização do poder público ou até mesmo por descaso da própria população que não se preocupou em desempenhar o papel de agente fiscalizador. Mas apesar desta ilha ter sofrido tantas transformações, ainda preserva o que carrega desde a época de seu descobrimento: a beleza natural.

E é esta beleza aliada à cultura eclética de seus nativos e moradores que atraem turistas do mundo todo e a torna tão especial. Morro de São Paulo foi, é e continuará sendo um dos lugares mais belos e especiais para morar. E isto é constatado por aqueles que aqui vivem e também por pessoas que visitaram a ilha.

A história de Morro de São Paulo é muito rica e inteiramente desconhecida por muitos de seus habitantes. E toda esta história, repleta de lendas e mitos, será contata nesta parte de OMorrodeSaoPaulo. Desde seu descobrimento até os dias atuais, o processo de evolução pelo qual a ilha passou e o desenvolvimento do turismo.

Tudo baseado em poucos escritos e muitos depoimentos dos nativos mais antigos que com toda a certeza são as peças principais deste enredo e merecem todo o respeito e consideração. Foram eles que fizeram deste lugar, além de uma ilha conhecida internacionalmente, um lugar mágico para se viver e que facilmente nos apaixona.

Resta-nos agora, respeitá-los e saber cuidar da herança deixada para que possamos usufruir ainda por muito tempo deste paraíso chamado Morro de São Paulo.

 

A história viva de Morro de São Paulo – Bahia.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Arquipélago de Morro
Esta página traz uma breve e simples abordagem sobre o passado da Ilha de Morro de São Paulo, baseado em depoimentos de moradores e em registros históricos, já publicados, A Ilha de Morro de São Paulo é a maior ilha do arquipélago de Tinharé, que é constituído por 26 ( vinte e seis ) ilhas.

Esta página traz uma breve e simples abordagem sobre o passado da Ilha de Morro de São Paulo, baseado em depoimentos de moradores e em registros históricos, já publicados, A Ilha de Morro de São Paulo é a maior ilha do arquipélago de Tinharé, que é constituído por 26 ( vinte e seis ) ilhas.

O Vilarejo de Morro de São Paulo

Morro de São Paulo, que não passava de uma calma aldeia de pescadores até a década de 60, estendeu-se além dos estreitos limites do centro e das praias. Até este período a maioria das casas se concentrava na parte central, chamada de Vila e na Primeira Praia.Nas décadas seguintes, entre os anos de 1970 e 1980, Morro de São Paulo passou por inúmeras transformações, expandindo suas áreas residenciais e proliferando-se numa grande quantidade de ruas e acessos antes inexplorados. 

De acordo com o censo do IBGE, realizado no ano de 2007, a população em Morro de São Paulo era de 3.863 moradores. Deste número, 975 habitantes pertenciam ao bairro do Zimbo, atribuindo a esta localidade a característica de ser a mais populosa de Morro de São Paulo.

Hoje, existem cinco bairros, que se subdividem em ruas e becos espalhados pelas praias e por grandes áreas verdes. Cada um destes bairros possui vida própria. Na maioria o que se vê são cenas cotidianas de uma pequena cidade e belezas incógnitas em caminhos menos explorados pelos turistas. O campo da Mangaba é um destes pontos, onde um dos acessos é feito por uma escadaria com 188 degraus. O visual do mirante é indescritível. O Zimbo, o bairro com o maior índice populacional, também preserva grandes campos e o ar pitoresco de um povoado de pescadores.

Lugares que além de ruas, curiosidades, histórias e lendas, possuem pessoas humildes e trabalhadoras. O que você acha de desbravar estes locais e conhecer seus encantos. E é este o objetivo deste tópico. Produzir um retrato da comunidade, dos moradores, registrando o modo de vida e as características de cada localidade. Com isto você aprenderá ainda mais sobre seu destino: Morro de São Paulo. E quem sabe colocar no seu roteiro uma visita a estes bairros para passear por suas ruas, conhecendo seus segredos. Viajar até Morro de São Paulo não é somente conhecer suas belas praias e visitar seus tradicionais pontos turísticos. Além de tudo o que Morro oferece, ainda tem segredos que estão muito bem guardados e encontram-se situados fora da ilha e também ao longo da costa. Confira os outros povoados próximos a Morro.

O Vilarejo de Morro de São Paulo

Uma vila é um aglomerado populacional de tamanho intermédio entre a aldeia e a cidade, dotado de uma economia, um Caso de Amor, oferece cursos diversos de esporte, técnicas profissionais, e de lazer.

Uma vila é um aglomerado populacional de tamanho intermédio entre a aldeia e a cidade, dotado de uma economia, um Caso de Amor, oferece cursos diversos de esporte, técnicas profissionais, e de lazer.

A parte central de Morro de São Paulo é formada pelas ruas da Biquinha, da Fonte Grande, Ruas Caminho da Praia e Caminho do Farol e Vila. Compõe ainda o centro, as Praças Aureliano Lima e da Amendoeira. Ainda próxima ao centro e paralela a Primeira Pria está a Rua da Prainha. A Vila, como é chamada pelos moradores de Morro, é considerada o centro histórico da ilha por abrigar importantes construções antigas como o Casarão e a Igreja Nossa Senhora da Luz. A Vila é a localidade mais movimentada de Morro de São Paulo e parada obrigatória para quem está conhecendo o povoado. Trata-se do local onde tudo acontece e também onde ficam vários restaurantes, agências, pousadas e comércios em geral. É da Vila que os turistas partem para a badalação da noite e é ali que tudo começa. A Biquinha, que trata-se de um beco com acesso entre a Fonte Grande e a Rua da Prainha, também faz parte do centro de Morro e é chamada assim por antigamente sediar uma bica natural. A Fonte Grande conta com apenas uma única rua e é o local onde fica um importante monumento histórico da ilha: a Fonte Grande que construída no século 18 e considerada o maior sistema de abastecimento de água da Bahia Colonial. Episódios e curiosidades marcaram esta rua. Ainda próximo ao centro de Morro de São Paulo, há a Rua da Prainha, onde concentram-se algumas pousadas e restaurantes. Veja a seguir um pouco sobre cada uma destas áreas.

BIQUINHA

A Rua da Biquinha é chamada desta forma pelo fato do local ter abrigado há muito tempo uma fonte, a pousada carambola e a Pousada Perola Do Morro, ficam na Rua da Biquinha a 100m da Rua Principal e 300m da bela Primeira Praia.

A Rua da Biquinha é chamada desta forma pelo fato do local ter abrigado há muito tempo uma fonte, a pousada carambola e a Pousada Perola Do Morro, ficam na Rua da Biquinha a 100m da Rua Principal e 300m da bela Primeira Praia.

A Rua da Biquinha é chamada desta forma pelo fato do local ter abrigado há muito tempo uma fonte por onde jorrava água natural através de uma bica. De acordo com os antigos moradores, o rápido crescimento urbano do local e a falta de uma disciplina de ocupação da área afetaram os recursos naturais da fonte e hoje, a água que antes era límpida, não tem as mesmas características. Na época em que a fonte ainda era utilizada existia um bebedouro e este já estava em situação precária, tendo inclusive, sido feito um mutirão entre os moradores para restaurar o bebedouro.

A rua, que integra a parte central de Morro de São Paulo, concentra algumas pousadas e residências. Bastante usada como acesso para encurtar o caminho até as praias, a rua tem 350 metros de extensão. Quem deseja encurtar o caminho ou até mesmo não circular pela  rua principal da Vila pode fazer este trajeto, cujo fim é na Rua da Prainha (pararela a Primeira Praia. Um passeio por esta rua pode ser interessante para você conhecer mais um caminho que fica oculto entre as ruelas de Morro de São Paulo.

Fonte Grande

Construída para captação e decantação de águas em 1746, foi o sistema mais avancado de captação e abastecimento de água do Brasil colonial. O menos informados afirmam que fora o maior sistema de abastecimento, pesquisa efetuada pelo OmorrodeSaoPaulo, junto ao IPHAN e IPAC desmentem estefato.

Construída para captação e decantação de águas em 1746, foi o sistema mais avancado de captação e abastecimento de água do Brasil colonial. O menos informados afirmam que fora o maior sistema de abastecimento, pesquisa efetuada pelo OmorrodeSaoPaulo, junto ao IPHAN e IPAC desmentem estefato.

A Rua da Fonte Grande tem o acesso marcado por um portal que fica ao lado do Casarão. A rua sedia um dos monumentos históricos da ilha, a Fonte Grande, e por este motivo costuma receber a visita de muitos turistas. O principal atrativo desta área de Morro de São Paulo ainda hoje é a antiga fonte, mas o comércio também chama a atenção dos visitantes. Ao redor do monumento foram construídas casas que hoje abrigam um diversificado comércio com bares, restaurantes, mercado, padaria, lojas, lan houses e pousadas. A rua da Fonte Grande tem 150 metros, levando em conta a distância do arco, do início, até a Fonte Grande. Já o percurso do cais de Morro de São Paulo até o monumento da fonte é de 406 metros. É um bairro tranquilo com poucas residências, existindo numa parte da rua, um beco onde concentram-se as casas.

Na década de 80, ocasião em que o turismo estava despotando em Morro de São Paulo, a Rua da Fonte Grande abrigava restaurantes que eram bastante frequentados. Um dos comerciantes mais antigos do bairro é o Seu Daniel, proprietário da padaria “Seu Bonzinho”.

Este argentino chegou a Morro de São Paulo em 1984 e está há 21 anos à frente do empreendimento. Sendo que antes de se tornar uma padaria, o estabelecimento da Fonte Grande já foi restaurante e loja, antes denominada “Naturalmente”.

Nesta época, na opinião de Daniel, o turismo em Morro de São Paulo era bem diferente de agora. “Os próprios fregueses ajudavam no atendimento”, recorda. Para o comerciante, o turista que frequentava a ilha também tinha outras características, como a preocupação e a consciência com o local. O comerciante presenciou diversas fases da Fonte Grande até hoje. As pousadas começaram a serem construídas há 17 anos. Neste tempo também, os pescadores costumavam limpar e colocar os peixes em cima da cúpula da Fonte ou espalhados por outros locais da rua. Segundo Daniel, isto acontecia porque não havia energia elétrica em Morro de São Paulo e desta maneira o peixe ficava fresco. Outra recordação que lhe deixou saudades, foram os cânticos das mulheres que lavavam roupas na fonte.

Rua da Prainha

Não há como chegar de carro em Morro de São Paulo, até porque eles não são permitidos na ilha rua da prainha abriga varias pousadas como: Charme Pousada, Pousada Kaza de Praia, Pousada Porto Dos Milagres, Pousada Morro De Sao Paulo, Pousada Vista Bela, Pousada Via Brasil, Pousada da Morena, Pousada Casa Blanca, Pousada La Onda, Ilha da Saudade Pousada, Farol do Morro Pousada. A Vila de Morro de São Paulo é bem pequena, como a maior parte de seus bairros, possui somente uma praça central, a rua da prainha, a praça da amendoeira, a praça aureliano lima.

Não há como chegar de carro em Morro de São Paulo, até porque eles não são permitidos na ilha rua da prainha abriga varias pousadas como: Charme Pousada, Pousada Kaza de Praia, Pousada Porto Dos Milagres, Pousada Morro De Sao Paulo, Pousada Vista Bela, Pousada Via Brasil, Pousada da Morena, Pousada Casa Blanca, Pousada La Onda, Ilha da Saudade Pousada, Farol do Morro Pousada. A Vila de Morro de São Paulo é bem pequena, como a maior parte de seus bairros, possui somente uma praça central, a rua da prainha, a praça da amendoeira, a praça aureliano lima.

A Rua da Prainha fica situada paralela à  Primeira Praia, iniciando logo após a rampa de acesso a  Rua Caminho da Praia.  A rua possui 250 metros de extensão, contando a partir da entrada para a praia até o começo da escada. O local  concentra pousadas, farmácia, lojas, agências e restaurantes.

O fluxo é bastante intenso devido ser um ponto de acesso às praias. No final da rua está a escadaria que leva até a Segunda Praia e a grande maioria dos turistas e moradores, em vez de fazer o caminho pela beira da Primeira Praia, optam por transitar por esta rua.

É na Rua da Prainha que ficam localizadas duas antigas moradias que serviram como referência histórico cultural de Morro de São Paulo: a Casa da Sogra e a casa que abrigava o antigo “Clube da Sororoca”. A casa da sogra, construída em 1800, serviu de residência para  o Tentente Dário, um ilustre veranista da ilha e o Clube da Sororoca, outra casa antiga, tratava-se de um espaço cultural criado por um grupo de 10 pessoas que eram veranistas.

A Vila

A vida noturna começa invariavelmente na pracinha principal da vila, é um lugar simples com apenas 2 ruas principais, um vilarejo sem carros, uma ilha sem bancos, noitada agitada é o que você vai encontrar em Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé, no centro é onde rola um agito, festa varando a madrugada, a agitação nos bares, as barraquinhas do centro vendem caipirinhas deliciosas e doces, se à noite ainda sobrar energia, programação não faltará. A Associação dos Artistas e Artesãos Moradores de Morro de São Paulo, todos os dias estão na feirinha de artesanato na praça Aurelio Lima da vila, as lojas da rua principal oferecem souvenirs de Morro de São Paulo, roupas e acessórios para praia e também objetos de decoração em coco, prata e muitos vendem pedras presiosas.

A vida noturna começa invariavelmente na pracinha principal da vila, é um lugar simples com apenas 2 ruas principais, um vilarejo sem carros, uma ilha sem bancos, noitada agitada é o que você vai encontrar em Morro de São Paulo, na ilha de Tinharé, no centro é onde rola um agito, festa varando a madrugada, a agitação nos bares, as barraquinhas do centro vendem caipirinhas deliciosas e doces, se à noite ainda sobrar energia, programação não faltará. A Associação dos Artistas e Artesãos Moradores de Morro de São Paulo, todos os dias estão na feirinha de artesanato na praça Aurelio Lima da vila, as lojas da rua principal oferecem souvenirs de Morro de São Paulo, roupas e acessórios para praia e também objetos de decoração em coco, prata e muitos vendem pedras presiosas.

A Vila, “coração” de Morro de São Paulo, é o trecho mais movimentado do povoado e por onde chegam os visitantes que partem via marítima de Salvador ou Valença.

Nesta parte de Morro o comércio diversificado e antigas construções convivem lado a lado. É na rua principal da Vila, chamada de Rua Caminho da Praia e onde antes moravam as primeiras famílias do povoado, que hoje fica o comércio. A maior parte das casas existentes no local é ocupada por estabelecimentos comercias. Muitas das famílias tradicionais de Morro de São Paulo venderam suas casas e trocaram o burburinho da Vila pela tranqüilidade de bairros mais afastados do centro.

Na Vila concentra o maior número de restaurantes, farmácia, supermercados, sorveterias, salão de beleza, Cibers Café, pousadas e lojas que oferecem desde souvenirs da ilha até roupas, acessórios e também objetos de decoração.

A região oferece muitas facilidades pois sedia também o Posto Policial, a Secretaria Especial de Morro de São Paulo e o Posto Médico. 

Abrange a Vila as Praças Aureliano Lima, da Amendoeira e as ruas Caminho do Farol e Caminho da Praia.

Á noite, a partir das 19h, acontece a Feira de Artesanato com comércio de diversos materiais entre bijuterias e ítens de decoração e vestuário, que são expostos em barracas pelos artesãos. Caminhando da Vila até a Primeira Praia você percorrerá 265 metros.

Historia da Vila

No final da década de 70, as características do bairro começam a mudar. A população que era predominante nativa passou a receber os primeiros imigrantes vindos de diversas partes do país e de outros lugares do mundo, atraídos pelas belezas naturais e oportunidades. O desenvolvimento do bairro foi inevitável e com o tempo as residências foram abrindo espaço para o turismo. Hoje, continua entre os bairros mais charmosos do povoado.

Um passeio pela Vila de Morro de São Paulo nos remete aos tempos do Brasil Império. É neste local que está situado o Casarão, uma das residências mais antigas de Morro de São Paulo, que abrigou ilustres hóspedes no tempo da colonização portuguesa e por onde se descortina uma vista privilegiada da Vila. Hoje, com exceção deste antigo sobrado, a Vila possui  poucas características que lembrem seu passado.

 A Pousada o Casarao esta localizada na praca principal area nobre da vila é considerado um dos monumentos historicos do Morro.

A Pousada o Casarao esta localizada na praca principal area nobre da vila é considerado um dos monumentos historicos do Morro.

O Casarão, foi transformado em pousada e poucas são as casas residenciais. Mas ainda existem algumas famílias que continuam aproveitando as facilidades que a localidade oferece.

Uma caminhada à noite pela vila não pode ficar de fora de seu roteiro em Morro de São Paulo, pois é ali que inicia a noite da ilha com as rodas de música do Pastel do Foom,um simpático argentino que vende pastéis e de quebra faz um animado som.

Informações Úteis

Posto Policial – Localizado na vila, na rua Caminho da Praia, s/n, conta com plantão 24 horas. Contato: 00 55 75 3652-1647

Secretaria de Administração de Morro de São Paulo – Órgão pertencente a Prefeitura de Cairu, responde pelo andamento e parte administrativa de Morro de São Paulo. A sede da prefeitura fica em Cairu e o contato é 00 (75) 3653-2145 / 00 (75) 3653 -2122

Os postos de saúde (unidades municipais de saúde) são unidades de atendimento de saúde menores que os hospitais, que ficam concentradas em seus povoados, é um local onde as pessoas podem receber tratamentos primários de saúde, também conhecidas pela população como unidades de saúde, centros de saúde.

Os postos de saúde (unidades municipais de saúde) são unidades de atendimento de saúde menores que os hospitais, que ficam concentradas em seus povoados, é um local onde as pessoas podem receber tratamentos primários de saúde, também conhecidas pela população como unidades de saúde, centros de saúde.

Posto de Saúde – O Posto de Saúde está situado próximo a vila, na rua de acesso ao caminho do Farol. O posto funciona com plantão 24 horas e tem médico toda a semana.

Também existe uma ambulancha. Não existem hospitais, o mais próximo fica na cidade de Valença. Na parte central de Morro existem duas farmácias, uma localizada na Rua Caminha da Praia e outra na Rua da Prainha, que funcionam diariamente das 8h ás 22h..

Mangaba

Próximo a parte central de Morro de São Paulo está o bairro hoje denominado de Morro da Mangaba, situado no alto do pico, o acesso está ligado ao centro por uma longa escadaria com 186 degraus, se tem uma vista privilegiada de quase todas as praias que circundam o Morro, respira o ar puro da ilha.

Próximo a parte central de Morro de São Paulo está o bairro hoje denominado de Morro da Mangaba, situado no alto do pico, o acesso está ligado ao centro por uma longa escadaria com 186 degraus, se tem uma vista privilegiada de quase todas as praias que circundam o Morro, respira o ar puro da ilha.

Próximo a parte central de Morro de São Paulo está o bairro da Mangaba. Situado no alto do Morro, o acesso está ligado aocentro do povoado através da Rua da Fonte Grande. A distância do cais de Morro até as escadas que levam à Mangaba é de 260 metros. Após o final da rua da Fonte Grande, fica a escadaria que possui 188 degraus e leva até o bairro da Mangaba. Você também poderá chegar na Mangaba através de outro acesso, pela escadaria que parte da Segunda Praia. O sacrifício de subir tantos degraus valerá a pena. Do Campo da Mangaba se tem uma vista privilegiada de quase todas as praias que circundam o Morro. Um visual imperdível e que merece uma foto de recordação.

O morro da Mangaba, possui este nome devido a grande quantidade de pés desta fruta, aliás, fruta esta que segundo os moradores deve ser apanhada no chão, pois se pegarmos na árvore torna-se amarga. Hoje, a Mangaba é considerada uma região privilegiada para morar, sua característica é de bairro sossegado e com muitos moradores antigos, ainda da época em que o turismo estava despontando em Morro de São Paulo.

O que se vê são campos povoados por casas e um  comércio ainda tímido. Existem poucos mercados e bares. Nos caminhos, de chão batido, ainda hoje pode-se reconhecer algumas casas provenientes da época em que a Mangaba começou a ser povoada, por volta da década de 70. Muitas pessoas consideram o bairro, apesar do acesso ser feito por escadas, ideal para residir, por ficar mais isolado do agito da Vila e pelo fato das casas serem construídas junto a grandes áreas verdes. Não se tem um número exato da população da Mangaba, segundo a técnica de enfermagem e agente de sáude do bairro, Enilda dos Santos, existem 202 famílias residentes no bairro. Este número faz parte das famílias que são cadastradas, porém, não serve como estatística da população do bairro. Segundo a agente, as pessoas mudam-se com muita frequência e nem todas as casas fazem parte do cadastro de saúde.

A  Associação

O bairro possui uma associação de moradores, a AMMA (Associação dos Moradores da Mangaba), cuja existência é de 3 anos. Conforme a presidente da entidade, Simone Pereira de Jesus, a associação foi responsável por diversos benefícios na comunidade, destacando o trabalho de limpeza do bairro; a realização de festas comemorativas como a das crianças, das mães e dos pais; as atividades artísticas desenvolvidas pela artista Angela Toledo, com aula de reforço escolar e pintura e o mutirão para a construção da Praça Manoel Libório, em homenagem a um antigo morador, já falecido.

Simone conta que a comunidade se uniu para viabilizar a criação deste espaço de lazer com a plantação de coqueiros e instalação de bancos e mesas. Foi feita até uma planta do local, mas segundo a presidente, não houve retorno por parte da administração pública.

Hoje, as crianças brincam no local mas não existe nenhuma infra-estrutura.

O projeto da Praça Manoel Libório prevê ainda a criação de uma casa de barro típica com salas voltadas às atividades infantis e esportes como a capoeira. Simone diz que além desta praça existe outra área próxima a caixa d’água, onde também são realizados eventos para a população do bairro. São promovidos bingos para arrecadar fundos para as festas comemorativas. “Gostaria que a comunidade encarasse a associação como uma coisa mais séria e procurasse participar mais”, explica Simone.

História da Mangaba

Alguns dos moradores mais antigos deste bairro trata-se de um simpático casal formado pela senhora Isaura Batista da Conceição, de 83 anos e o senhor Valencio Inato Manuel do Nascimento, conhecido como Seu Dandão, 85 anos. Antigo trabalhador das caeiras da Terceira Praia, Seu Dandão desempenhou por muito tempo também a função de vigilante do Farol e apesar de tantas transformações já ocorridas no local, considera  o bairro um lugar tranquilo para se viver. Contrária a esta opinião, está outra moradora da Mangaba que reside no local há mais de 30 anos, Carmelita Souza Pereira, 58 anos. Para ela,  a Mangaba de antigamente apresentava outra qualidade de vida.

Na época em que veio morar no bairro, já existiam algumas casas e a principal lembrança que carrega destes tempos é a dos hippies que acampavam nos matos e em frente às casas. “Eles pediam para cozinhar nas nossas casas e as noites eram animadas com som de violão”.  As redes estendidas entre os pés de mangaba também serviam para pernoitar. Hoje em dia, segundo dona Carmelita, as áreas foram todas vendidas e demarcadas, não existe mais esta liberdade de acampar em qualquer lugar. Dona Carmelita foi também proprietária de um restaurante no bairro, há 20 anos atrás.

Além da parte central e dos bairros da Mangaba,  Zimbo e Vila Nossa Senhora da Luz, em algumas das praias de Morro de São Paulo também existem áreas residenciais. As praias que apresentam o maior número de residências são as Segunda e a Terceira. Nestas áreas existem locais situados atrás da beira das praias onde se concentram casas, pousadas e alguns estabelecimentos comerciais. São becos estreitos, onde os moradores vivem em construções que possuem até dois andares. Nestas ruas, apesar de existirem pousadas, há pouco fluxo de turistas e portanto, muitos as desconhecem. Se desejar visitar esta parte da ilha, você poderá  chegar até o local através da beira da praia, entrando nos  becos ou ainda pela estrada do Receptivo (local onde partem os carros das pousadas localizadas nas Quarta e Praia do Encanto.

Estas pequenas ruas surgiram por volta do final dos anos 90 com as “chamadas invasões”. Segundo contam os moradores mais antigos, existia um loteamento com início na Segunda Praia e término na Terceira. Ao todo eram 25 lotes que aos poucos foram sendo vendidos à várias pessoas provenientes de lugares fora da ilha. Como estes compradores não eram moradores de Morro de São Paulo e objetivavam apenas ter as terras como futuros investimentos, estas áreas foram se desenvolvendo e os espaços já vendidos, sendo invadidos. A maioria dos espaços surgiram sem planejamento urbano.

Lagoa

O bairro da Lagoa, se é que podemos chamar assim, pois esta parte de Morro de São Paulo é bem pequena e possui apenas uma rua, chegando ao cais do Morro de São Paulo, sobe-se a rampa e cruza-se o Portaló, daqui se tem acesso à Lagoa, à praia da Ponta da Pedra, Gamboa e ao Campo da mangaba, em sua visita a fonte do céu este e um dos caminhos.

O bairro da Lagoa, se é que podemos chamar assim, pois esta parte de Morro de São Paulo é bem pequena e possui apenas uma rua, chegando ao cais do Morro de São Paulo, sobe-se a rampa e cruza-se o Portaló, daqui se tem acesso à Lagoa, à praia da Ponta da Pedra, Gamboa e ao Campo da mangaba, em sua visita a fonte do céu este e um dos caminhos.

O bairro da Lagoa, se é que podemos chamar assim, pois esta parte de Morro de São Paulo é bem pequena e possui apenas uma rua, é a área que tem entre a escadaria da Mangaba (que marca o final da Fonte Grande) e a Vila Nossa Senhora da Luz.

O local é chamado desta forma, porque  tem uma divisão com uma lagoa que fica no meio desta. A rua da Lagoa está distante em média 6 minutos da Praia do Porto de Cima, 12 minutos da Primeira Praia e 7 minutos da Vila.

O bairro é essencialmente povoado por residências, tendo apenas uma pousada e alguns mercadinhos.

É um local pacato, bem tranquilo para se viver. Segundo alguns moradores, tão calma ainda como na época em que realmente possuía uma lagoa. Hoje, a lagoa está desaparecendo e parece mais com uma pequena porção d’água

Vila Nossa Senhora da Luz

A Vila Nossa Senhora da Luz é conhecida popularmente pela denominação de “Buraco do Cachorro”.

A Vila Nossa Senhora da Luz é conhecida popularmente pela denominação de “Buraco do Cachorro”.

A Vila Nossa Senhora da Luz é conhecida popularmente pela denominação de “Buraco do Cachorro”.

De acordo com a agente de Saúde do bairro,  Sueli Fonseca dos Santos, este nome surgiu pelo fato de antigamente existir um grande buraco no bairro, de onde os cachorros que acompanhavam os caçadores, retiravam os tatus, ou seja, a caça. Mitos e histórias à parte, a Vila Nossa Senhora da Luz originou-se de invasões ocorridas a partir do final dos anos 80, tendo se desenvolvido impulsionada pelo rápido crescimento turístico de Morro de São Paulo.

O bairro, está situado a um quilômetro do cais de Morro de São Paulo e conta com uma população, de acordo com o censo de 2007, de cerca de 700 pessoas  A área antes de ser invadida, pertencia a um senhor chamado Magno Lino do Rosário Filho, morador da Gamboa. Com a proliferação do turismo em Morro de São Paulo e consequentemente a chegada de pessoas vindas de outras cidades próximas, iniciou a invasão.

O proprietário visando não perder suas terras começou a lotear as áreas e vendê-las, porém, sem nenhum planejamento urbano. Segundo o secretário de Administração de Morro de São Paulo, Moisés Pereira da Luz, houve um crescimento desordenado. “Por mais que a prefeitura realize ações direcionadas a urbanização, é pouco ainda em relação ao rápido crescimento que o bairro teve”, enfatiza o administrador. Em maio e junho de 2008 houveram invasões, porém, estas foram interrompidas pela prefeitura.

As casas, em sua maioria simples, dividem espaços com estabelecimentos comerciais e igrejas. Seus moradores residem em ruas, onde predominam as subidas e existem muitos barracos e casas de taipa. As ruas estreitas abrigam gente nas calçadas, conversando e colocando o assunto em dia.

Gente simples que apesar das dificuldades do dia a dia e da luta pela sobrevivência, não perdeu a alegria de viver e continua com um sorriso estampado no rosto. Uma realidade que está incógnita em Morro de São Paulo. Poucos turistas circulam pelo local, na maioria das vezes, somente para fazer a caminhada que leva ao passeio da Fonte do Céu.

A comunidade

A Vila Nossa Senhora da Luz é formada por uma comunidade que se organiza para trazer benefícios, como a implantação das redes de água e energia elétrica. Nas ruas onde ainda não existe saneamento básico, a população se une em prol dos benefícios. Conforme a agente de sáude Sueli, que mora há 5 anos no local, a comunidade é unida. “Alguns moradores compram tubulação e fazem suas próprias canalizações para o abastecimento”.

Sueli conhece como ninguém a comunidade, pois atende cerca de 278 famílias da vila e faz visitas às casas ouvindo e aconselhando os moradores mais carentes a fim de amenizar o sofrimento de alguns. No local não tem posto de saúde, nem creche. Existe uma área doada pelo antigo proprietário das terras à prefeitura para a construção de uma creche que segundo a administração pública está entre as melhorias previstas para o bairro.

O bairro ainda possui algumas deficiências no que diz respeito a urbanização, porém, a prefeitura, a fim de atender primeiramente as necessidades básicas da comunidade está tomando algumas providências.

Estão sendo analisados projetos voltados  a urbanização da Vila Nossa Senhora da Lua, que prevêem a pavimentação de algumas partes da vila, principalmente onde predominam subidas e a implantação de rede de esgoto em áreas onde ainda não existem. A Vila Nossa Senhora da Luz está adquirindo a cada dia mais características de bairro residencial e dando uma melhor qualidade de vida aos moradores.

Segundo a grande maioria dos habitantes, o bairro não representa perigo nenhum, tanto de dia como a noite. O que preocupa realmente os moradores é a falta de lazer para crianças e jovens, pois não existem praças. Outro dado destacado pela agente de saúde refere-se ao índice de gestantes no local.

Em julho de 2008 existiam 18 gestantes no bairro e conforme a agente, este número pode ser bem maior, pois nem todas as famílias são cadastradas. Sueli diz que o perfil destas gestantes, na maioria das vezes, são de mulheres com no máximo 28 anos de idade, que possuem de 2 a 4 filhos e na maioria das vezes são mães solteiras.

A Morada

Da porta da modesta casinha de tijolos a senhora Júlia Maria das Virgens de 59 anos tem uma visão privilegiada da Vila Nossa Senhora da Luz. Morando há 11 anos no local, dona Júlia adquiriu o terreno no qual reside através do antigo proprietário das terras, o senhor Magno. Na época, pagou R$ 500,00 pelas terras. Ela recorda que deu uma entrada de R$ 200,00 e continuou pagando as prestações. Solteira, com 10 filhos e 15 netos, dona Júlia mora sozinha na casa de dois cômodos, sem banheiro.

O quarto de banho fica fora da casa, na outra parte do terreno, onde ela está construíndo um templo. Não possui a comodidade da vida moderna, como televisão ou geladeira. A única companhia é a de um  radinho, de onde ela escuta seus programas evangélicos. Seu sustento vem da aposentadoria e de alguns bicos que faz, lavando roupas.

Lembra que na época em que comprou as terras e fez sua “casa de barro”, haviam poucas casas na vila mas com o passar do tempo as casas foram se multiplicando e hoje a Vila Nossa Senhora da Luz, na sua opinião, está muito povoada.

Dona Júlia diz que não troca o jeito simples de viver no bairro. A única reclamação é em relação a dificuldade de conseguir construir no local. Na parte alta de seu terreno, ela está erguendo um templo para sediar uma igreja evangélica pentecostal. O espaço está sendo construído há 7 anos com a ajuda de doações e dos filhos. Às quartas e domingos são os dias dos cultos, que aliás, ela mesma celebra. A obra ainda não foi totalmente finalizada, devido a dificuldade em descarregar o material de construção, pois o acesso é dificil.

O Zimbo

Povoado de pescadores e trabalhadores das pousadas

Povoado de pescadores e trabalhadores das pousadas

O Zimbo, é  considerado o bairro mais populoso de Morro de São Paulo, segundo dados do Censo realizado em 2007. Cerca de 975 pessoas residem no bairro e para os habitantes, o Zimbo é considerado  um lugar tranquilo para se viver, onde as casas ficam abertas, mesmo à noite. O bairro está se expandindo e já existe uma parte da localidade chamada de “Zimbo Dois”, situada próxima a Mangaba e a 2 quilômetros do centro do Zimbo. Segundo o presidente da associação dos moradores, o pescador Adeilton Santos de Oliveira, que reside há 30 anos no local, o bairro começou a crescer há cerca de 10 anos. “Antes haviam apenas de 20 a 30 casas”.

As características do bairro, que oferece escola, mercados e toda a infra-estrutura tem atraído a atenção de novos moradores e da administração pública. Em junho de 2008 foi inaugurada a Unidade de Saúde, localizada na parte central do bairro. O posto possui três consultórios sendo um médico, um odontológico e o de enfermagem. No local são feitos atendimentos de ambulatório e encaminhamentos para o Posto do Centro ou em casos mais especiais para Valença. O médico e o dentista atendem somente uma vez por semana, na quarta-feira e a unidade conta com uma enfermeira, no horário de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h.

Nos finais de semana não funciona. O Zimbo fica a 3.6 quilômetros da Vila, contado a distância desde a Praça Aureliano Lima até o centro do Zimbo, tendo como referência o percurso através da estrada do Receptivo. Esta distância é percorrida normalmente a pé ou de bicicleta, meio de transporte bastante usado pelos moradores. Aqueles que não possuem bicicleta ou preferem não arriscar a caminhada de aproximadamente 40 minutos, pegam carona dos veículos particulares das pousadas que ficam situadas nas Quarta e Praia do Encanto. Aliás, esta é a grande reivindicação dos moradores, a falta de um transporte público.

Em 2007, a Prefeitura implantou o sistema, mas a iniciativa parou de funcionar pois, conforme o secretário de Administração de Morro de São Paulo, Moisés Pereira da Luz, a demanda principalmente no inverno é pequena. Enquanto o transporte público coletivo não chega, os moradores utilizam o serviço de um carro particular que faz o percurso, cuja passagem é no valor de R$ 1,00, porém, não há horários fixos. Segundo o secretário, a prefeitura está analisando uma maneira de melhorar este serviço formando uma parceria com um carro maior e com horários mais regulares.

Na opinião de Walter Manoel Siqueira Araújo, conhecido por Macabéa e que mora há 5 anos no Zimbo, o bairro está despontando agora, inclusive, estão surgindo diversos tipos de comércios.

Ele acredita que o Zimbo futuramente pode se tornar o coração comercial da ilha. “As mercadorias que hoje chegam pela praia poderão chegar através deste bairro”, aponta Macabeá. A Associação de Moradores do bairro é um instrumento de luta da comunidade e segundo o presidente, grande parte dos benefícios conquistados até hoje, se deve a força da associação. Entre as realizações destacam-se a implantação do projeto TOPA (Todos Pela Alfabetização), que  pertence ao Ministério da Educação; as campanhas como a do combate a dengue e a “Zimbo limpo” e a solicitação de uma  seção eleitoral.

Esta última conquista, não pôde ser implantada nas eleições de 2008 e entrará em funcionamento somente nas próximas eleições. Para o futuro, ele prevê a construção de uma quadra poliesportiva, junto a nova sede da associação.

Atualmente a associação não possui sede própria, os encontros e reuniões acontecem na creche Luis Eduardo Magalhães, cujo espaço foi construído como escola há 7 anos pela própria associação através de doações.

Há dois anos os alunos foram remanejados para a escola Áurea Moutinho, localizada na estrada do Zimbo e hoje no local funciona a creche, sendo esta administrada pela prefeitura.

A Historia do Zimbo

O bairro do Zimbo tem uma curiosa história. Seu nome derivou-se segundo a ex-diretora Cultural de Morro de São Paulo e estudiosa no assunto, Lena Wagner, a partir das pequenas conchas de búzios, que serviam de moeda corrente para transações comerciais.

Os antigos moradores desta localidade utilizavam o “zimbo”, uma espécie de molusco, como moeda. Lena acredita que venha deste fato o nome dado ao bairro, significando a relação da negociada feita a partir deste tipo de molusco.

Aos poucos as mudanças foram chegando no Zimbo e dando nova cara ao pacato bairro, porém, uma característica ainda faz parte do lugar: sua tranquilidade. Desde os tempos em que o bairro surgiu, de acordo com os moradores mais antigos por volta da década de 40, o local pode ainda ser considerado calmo.

Um dos primeiros moradores é quem nos conta sobre esta caracteristica do Zimbo. Seu Antônio Portugal dos Santos, com 78 anos, reside desde os 13 anos de idade no local.

Viúvo, hoje ele mora com os filhos e ainda sobrevive da pesca, única atividade que  os moradores desempenhavam na época em que o bairro surgiu. Seu Antônio diz que nestes tempos, só havia matagal, sem nenhuma casa. No Zimbo seu Antônio criou os 9 filhos e apesar de estar mais populoso acha que o bairro preserva o sossego, porém, apesar das dificuldades daqueles tempos gostava mais antes. “Antigamente se vivia mais tranquilamente, pois hoje em dia tem muita gente”, diz. Se antes o Zimbo era mais sossegado, não contava com as facilidades de hoje. O percurso até o Zimbo, que era somente pela beira da praia, não poderia ser feito caso a maré estivesse alta. A noite era iluminada com os cadeeiros e a água vinha da fonte, que ainda existe.