Morro de São Paulo - Bahia - Brasil. Blog de turismo, viagens e férias conhecendo antes de viajar

Cairú mãe de Morro de São Paulo.

Postado Por: Faço Denuncia  :  Categoria: Arquipélago Morro de São Paulo

 Cairú

Morro de São Paulo é a filinha queridinha de Cairú, a maior parte da renda do município é gerada pelo setor de Serviços turísticos. O município foi criado em 1608 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. É o único município-arquipélago brasileiro e possui a vantegem de ser um lugar calmo com um povo muito acolhedor.

Morro de São Paulo é a filinha queridinha de Cairú, a maior parte da renda do município é gerada pelo setor de Serviços turísticos. O município foi criado em 1608 com o nome de Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. É o único município-arquipélago brasileiro e possui a vantegem de ser um lugar calmo com um povo muito acolhedor.

 Cairu é uma das três ilhas habitadas que formam o Arquipélago de Tinharé e sede administrativa do mesmo. Sua denominação significa “Boca da Mata” em tupi, uma alusão ao manguezal que até hoje é fonte de renda para a população.

Considerada a segunda cidade mais antiga do País é também o único município-arquipélago brasileiro, esta é a única illha de Tinharé  ligada ao continente através de uma ponte que permite o acesso rodoviário. Está distante da cidade de Valença a 49 quilômetros e de Morro de São Paulo fica aproximadamente 1h40min de barco convencional e a 40 minutos de lancha rápida. A distância de Salvador é de aproximadamente 305 km pelas rodovias BA-001 a BR-101. O município possui uma extensão de 451 km quadrados e segundo revela o Censo do IBGE  no ano de 2007, Cairu contava com 2.870 habitantes. Sua orla é composta por um imenso manguezal e não há praias consideradas propícias para o banho.

Além de sediar a Prefeitura e outros órgãos municipais, a cidade possui uma boa infra-estrutura com pousadas, hotéis e restaurantes. Mas mesmo assim, é isolada do circuíto turístico e das badalações vistas nas ilhas vizinhas. Possui grande importância no cenário histórico brasileiro que está retratada através do Centro Histórico, cuja área de 3,79 hectares inicia na Praça da Matriz (Praça Benjamin Constant) seguindo até o final da Rua Direita, próximo ao porto.

Neste espaço ficam localizados 93 imóveis, grande parte destes do século 19 e antigas construções do tempo do Brasil Colônia como o primeiro convento do país, com o nome de Santo Antônio, erguido em 1654. O convento possui um raro conjunto de azulejário que não pode deixar de ser contemplado. Ainda como parte da herança cultural portuguesa está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, datada do século 18.

No calendário de festas religiosas de Cairu está a em homenagem a Nossa  Senhora do Rosário, realizada no primeiro domingo de outubro. Apesar da ausência de belas praias, Cairu não deixa de ser uma das atrações turísticas da Costa do Dendê. O munícipio recebe diariamente os turistas provenientes dos passeios que saem de Morro de São Paulo e arredores. Portanto, Cairú não pode ficar de fora do seu roteiro. Quando viajar a Morro de São Paulo, dê uma escapadinha até esta antiga cidade e desfrute da história do arquipélago de Tinharé.

História de Cairu

Cairu foi fundado na ocasião do desbravamento da Capitania de Ilheús, em 1608, com o nome de  Vila de Nossa Senhora do Rosário de Cairu. Nos tempos de sua colonização, Cairu era tão próspero que já chegou a emprestar dinheiro para a Coroa Portuguesa durante a reconstrução de Lisboa. Na ocasião, a capital de Portugal, foi destruída por um terremoto no início do século 18. Domingos da Fonseca Saraiva foi um dos primeiros povoadores. Foi ele quem construiu uma capela, em 1610, que tornou-se a Igreja Matriz. Segundo dados de uma pesquisa realizada em 1998 pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul Baiano (IDES), órgão ligado ao Ministério da Cultura, Cairu  teve a maior concentração de índios, originalmente pacíficos de todo o litoral brasileiro. Escavações feitas em terras do município ainda hoje, podem levar ao encontro de cachimbos, vasos cerâmicos e machados de pedra. Utensílios que comprovam a forte presença indígena. Ainda de acordo com a pesquisa, dois séculos apenas separaram a ocupação dos índios da colonização portuguesa. Há também registros da presença dos negros de Angola, que teriam formado quilombos na região.

No ano de 1635 Cairu recebeu a visita de novos colonos, com o objetivo de fugir dos ataques das esquadras holandesas. Em 1644, o governo ordenou que os moradores do arquipélago abastecessem de farinha as tropas da capital baiana e Cairu teve uma forte participação neste sentido.

Cairu foi elevado a categoria de Vila em 1654 e não somente na  cidade, mas também em outros povoados como Camamu, Boipeba e em Morro de São Paulo começaram a surgir os conventos, casas, sobrados praças e igrejas.

Foi assim que surgiu no alto de uma elevação o Convento de Cairu, em 1654. Segundo Antonio Risério em seu “Tinharé – História e Cultura no litoral Sul da Bahia” (BYI Projetos Culturais LTDA/2003), “ Esse convento, que remete o observador de Paraguaçu, hoje arruinado, chagoso, é uma das belas obras barrocas da Bahia. Bonita e também muito interessante é sua vizinha, a Matriz de Nossa Senhora do Rosário, igualmente plantada no século 17.

A memória viva da importância histórica da cidade são estes dois patrimônios, o Convento de Santo Antônio e a Igreja Matriz.

No ano de 1799 Valença se desmembrou do município e a Capitania de Ilhéus foi rompida  em 1833, criando-se assim duas comarcas: a de Valença, da qual fazia parte Cairu e a de Ilhéus. Cairu foi elevada a cidade em 1938, através do Decreto-Lei Estadual nº 10.724. Conforme revela a pesquisa realizada pelo IDES,  uma nova fase administrativa tem início em 1993 para Cairu. Fase esta marcada por ações inéditas  e pelo arejamento de ideaís e atitudes. Com esta nova fase Cairu dá início ao reconhecimento da herança de seu patrimônio histórico.

Com a integração dos Governos Federal, Estadual e Municipal e ainda o apoio de entidades ligadas ao turismo foram promovidos encontros que objetivavam divulgar e ordenar o turismo na região. Atualmente existe um projeto denominado de Cairu 2030 desenvolvido em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Governo do Estado, através da Bahia Pesca (Seagri); Universidade Livre da Mata Atlântica (Uma); Prefeitura; entidades civis e comunidade. A iniciativa tem como objetivo transformar Cairu numa referência de preservação ambiental, inclusão social e viabilidade econômica.

Convento de Santo Antônio

 Parada obrigatória para os turistas que visitam a cidade, o Convento de Santo Antônio  foi construído por iniciativa dos frades franciscanos e financiado por doações da população na época A pedra fundamental é datata de 1654.

O convento é tombado pelo Patrimonio Histórico Nacional (processo nº 258-T, Livro das Belas Artes, fls. 55. Data: 17.X.1941) e considerado um marco cultural. Sua localizacao é no centro da cidade, no final da ladeira, na continuação da Rua Direita.

Geralmente recebe turistas que fazem os passeios de volta a ilha, mas se você não estiver disposto a fazer todo o percurso, também poderá visitá-lo isoladamente. No local respira-se história pura e desde a chegada até cada detalhe no seu interior, pode-se notar a forte influência das colonizações portuguesa e jesuítica.

Em frente a fachada há um cruzeiro de pedra. Do lado esquerdo da Igreja ficam as ruínas da capela-mor da Ordem Terceira, que até hoje não foram concluídas.

O convento abriga muitas imagens, entre estas está a de Santo Antônio de Pádua, feita em pedra; a de Nossa Sra. de Brotas, datada do século 17; a Rosa de Viterbo e a de Nossa  Sra. da Lapa. Possui também móveis do século 18 em jacarandá.

O pátio interno e a sacristia são decorados por painéis de azulejos pertencentes ao século 17. Nestes espaços ficam armários, que antigamente serviam para enganar possíveis ladrões e guardar assim o patrimôniodo convento. Sua existência teve início em 1650 quando a Congregação Franciscana decidiu fundar um Convento na Bahia, mais precisamente em Cairu e os fiéis Gaspar da Conceição, João da Conceição e Francisco de Lisboa vão residir na cidade para dar início às obras.

Em 1654 as obras foram iniciadas e entre o período de 1661 e 1750 foram concluídos os cômodos da sacristia, portaria do convento, conclusão da decoração da igreja. No ano de 1801 é registrada uma diminuição em relação ao número de frades e em 1894 os últimos padres deixam o convento. As primeiras obras de conservação aconteceram em 1907, quando o convento é  recuperado pela Ordem e entre os anos de 1946 e 1978 passou por diversas restaurações em suas instalações e recebeu também a visita de pessoas ligadas a órgãos responsáveis pelo patrimônio brasileiro.

Igreja Matriz de N. S. do Rosário

A Igreja, que também é da Padroeira da cidade, fica  situada na parte alta da cidade e faz parte do Centro Histórico de Cairu. Foi construída em1610 por Domingos da Fonseca Saraiva, o fundador de Cairu. Os altares foram todos confeccionados em talha neoclássica, os arcos cruzeiro em arenito e pintados a óleo. O templo abriga imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa  Senhora das Dores, São José e São Miguel. Originária do século 17 passou por algumas reformas realizadas entre os séculos 18 e 19,  que objetivaram ampliar o templo, porém, não foram totalmente concluídas.

A primeira ocorreu no ano de 1715, quando foi reformada. Em 1752 é construída a segunda metade da torre e abertas mais duas portas na fachada. Somente dois séculos depois, mais exatamente em 1907, foram colocados novo telhado e forro e por fim, em 1977 a igreja passa por uma grande limpeza e pintura da fachada.

Antiga Prefeitura

Outro prédio que serve como referência histórica para Cairu, está localizado na entrada da cidade, para quem chega pela rodovia BA-001.

O prédio da antiga prefeitura, um sobrado que possuía dois andares e um porão, tendo sido uma antiga casa de residência, que segundo arquivos foi possivelmente transformada em Casa de Câmara  no século 18. Não existem registros que comprovem a data de sua construção.

O prédio teria sido doado ao município por dois irmãos de identidades ignoradas. Em 1963 a sede da prefeitura foi transferida para outro prédio situado na mesma rua e o andar superior do sobrado ficou sendo utilizado como  quartel de soldados da polícia.

No ano de 1982 um incêndio destruiu o sobrado e restou somente a fachada principal. Em 1986 foram demolidos os últimos vestígios do sobrado e em seu lugar foi erguido um barracão.

A Economia

Cairu foi um grande centro econômico no período que compreende os séculos 17 até o final do 18, devido o comércio de madeira proveniente das zonas de Valença e Taperoá. Além deste tipo de comércio, havia ainda o cultivo de farinha, cana-de-açúcar e arroz.

Em 1756, após sofrer um terrível e avassalador terremoto, a capital de Portugal, Lisboa, teve que ser reconstruída e Cairu desempenhou importante papel neste cenário. Durante três décadas contribuiu com uma quantia anual à Coroa Portuguesa. Durante o século 18 a cidade era considerada a  mais segura e melhor moradia na região. Também foram promovidas as culturas de cacau, do café e a extração de madeira e de piaçava até o início do século 19, que foram as mais  importantes atividades econômicas de Cairu. Sendo que o município chegou a ser um dos mais importantes centros de produção de piaçava, e ainda hoje, em suas terras podem serem encontradas terras com cultivo da planta.

De acordo com o Inventário de Proteção do Acervo Cultural (IPAC) da Secretaria  da Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, realizado em 1998, Cairu tinha no ano de 1759, cerca de 2.102 habitantes e 322 casas. Já no ano de 1890, foi realizado um recenseamento e a cidade contava com 3.527 habitantes. A decadência econômica de Cairu teve início no século 18, quando Camamu assume a liderança econômica da região. Cairu passa então a produzir arroz, feijão e farinha para exportação e mesmo com o cenário econômico debilitado, Cairu teve uma importante participação durante a Guerra da Independência, contribuindo para a libertação da Bahia. Na década de 50, a cidade vivia somente da extração de piaçava e das plantações de coco. Ainda hoje, é considerada fornecedora de varas para as gamboas, armadilhas para capturar peixes e o carangueijo, que é bastante vendido nos povoados vizinhos e em Salvador. Cairu teve ainda outro destaque dentro de sua economia, por ter sediado a primeira fábrica de vassouras de piaçava da região.

Festas Folclóricas de Cairu

Cairu possui diversas manifestações culturais presentes no folclore local, que mantém viva a lembrança das heranças indígena, dos negros, das lutas em defesa da nação, da colonização portuguesa e outros legados. Estas manifestações permanecem vivas através das representações dos congos, taeiras, dondoca, alardo ou alarde, zambiapunga ou caretas, chegança e chegança de mouros. Conheça a seguir um pouquinho de cada um destes festejos populares:

Congo – festejo de Reis, com suas raízes na história do Povo do Congo, região africana banhada pelo rio de nome similar ao festejo.

O personagem central ao marcar ocompasso baila de modo peculiar pulando, fazendo gracejos por quem passa e cantarolando versos.

Taeiras- Festa de origem africana, remanescente da Festa de Reis, onde seus componentes são mulheres que saem as ruas vestidas de baianas, com um tiracolo, com torço e uma cestinha na cabeça, trazendo nas mãos uma varinha.

Ao centro segue uma porta-estandarte, bem mais adornada que as demais taeiras, baila e toca um tamborim cantarolando o que diz um dos seus versos: “Nossas taeirinhas Saíram a passear, Dando seu louvor ao nosso Carnaval!”

Dondoca – Uma grande boneca comprida, dura de manejo, vestida de chita, chapéu de palha, toda pintada. É carregada por um dançarino que só faz balançar os braços dela o tempo inteiro, e de vez em quando dá uns pulinhos.

Assim segue a Dondoca a noite toda. 

Alardo ou Alarde – Esta tradição celebra as lutas pela posse de terras dos índios contra brancos e negros. O indígena, dono das terras, não admitia que os brancos e os negros estivessem em sua área travando-se as batalhas. Essas lutas muitas vezes  ocorriam nas terras de Cairu, onde ficou conhecida como Freguesia.

Zambiapunga ou Caretas – Zambi ou Nzambi-a-Mpungu é o deus supremo dos povos bantos do Baixo Congo. Essa é uma festa de origem africana que se inicia no dia 29 de setembro, Dia de São Miguel, príncipe das milícias celeste.

Nessa manifestação utiliza-se como instrumento principal à enxada, tocada com ferrinhos. O ritmo heavy-metal (o autêntico metal nacional!) das enxadas é acompanhado pelo som de grandes búzios, transformados em instrumentos de sopro através de um furo numa de suas extremidades.