Morro de São Paulo - Bahia - Brasil. Blog de turismo, viagens e férias conhecendo antes de viajar

Igreja Nossa Senhora da Luz

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos
A Igreja da N. Sra da Luz existente na praça de mesmo nome, foi concluída em 1845, ponto de descanso para quem sobe a ladeira vindo do cais, o resgate da história e fé.

A Igreja da N. Sra da Luz existente na praça de mesmo nome, foi concluída em 1845, ponto de descanso para quem sobe a ladeira vindo do cais, o resgate da história e fé.

Igreja Nossa Senhora da Luz

O resgate da história, por meio da fé católica em Morro de São Paulo está representado desde o século 17 através da Igreja Nossa Senhora da Luz. Desde os tempos em que a pequena capela de taipa foi erguida próxima ao alto do Farol, o templo em homenagem a padroeira do povoado, carrega uma trajetória  rica em prata, ouro, histórias e lendas. O espírito religioso de Morro de São Paulo durante estes quatro séculos de existência, foi responsável em manter viva a importância histórica da igreja.

Situada na vila, centro da ilha, a Igreja Nossa Senhora da Luz é considerada um patrimônio histórico, porém, não é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Em toda sua existência enfrentou períodos difíceis, como roubos de objetos sagrados e o principal: o desgate do  tempo. Desde o ano de 2004 passa por um processo de restauração que envolveu desde as instalações internas até as imagens sacras existentes no local. E é a fé da comunidade que mantém acessa a chama do templo.

Todos os trabalhos realizados em prol da paróquia são oriundos de doações da população e dos turistas que se encantam com a beleza da igreja.

A escadaria da igreja é parada obrigatória para descanso para quem enfrenta a ladeira de acesso do cais e em seus degraus moradores, nativos e turistas assistem o movimento da rua que é o ponto de chegada para quem vem à ilha via marítima. A festa em homenagem a Santa é celebrada dia 08 de setembro e por mais de uma semana a população envolve-se nas celebrações e comemorações para a padroeira. Além das missas e festas religiosas, a igreja já foi responsável por grande parte da sobrevivência deste antigo vilarejo. Em sua história está registrada o papel fundamental da Irmandade Nossa Senhora da Luz e algumas lendas como a existência de um cemitério localizado nos fundos da igreja. São  muitas as histórias e segredos que envolvem a Igreja Nossa Senhora da Luz e você poderá conferir todas a seguir.

 A História

Segundo antigos registros a  primeira capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz foi construída no alto do Farol, em 1620 pela família portuguesa Saraiva. Era uma pequena capela de taipa. O templo  atual foi construído em 3 etapas: a primeira parte no ano de 1628 por Francisco Saraiva. Na ocasião foi feita a Capela Mor a fim de substituir a antiga capela, do Farol, pois esta havia desmoronado. Simão Barreto foi o responsável pelas obras e o zelador do templo após a conclusão do mesmo.

Em 1626 foi registrado um suposto milagre da Santa. O almirante holandês Pieter Pieterson Hiyr comandou um ataque a igreja com o objetivo de saquear o templo, conhecido na época por ser rico em ouro e prata. No entanto, o ataque fracassou devido a uma mobilização da população, que atribuiu esta resistência a um milagre de N. Sra. da Luz.  No ano de 1845  foram realizadas obras do templo atual e já no final do século 18 e início do século 19 começaram as obras da parte grande, a central.  Nesta época, foi construída também a “Torre Sinera”, que levou 10 anos até sua conclusão. Entre os anos de 1968 e 1985 o templo passou por algumas pequenas reformas que atingiram  o telhado, forros, altares e a pintura da fachada.

A igreja possui nave, capela-mor, sacristia e torre em lados opostos. O altar é uma cópia da igreja de São Francisco, em Salvador. No interior da igreja encontra-se talha neoclássica, típica do período de sua construção e os forros da nave e da capela-mor são ornados com pinturas religiosas. Entre as imagens, destacam-se as de N. S. da Luz, São Paulo, N. S. da Penha e a de Santo Antônio.

Dentro da igreja, no piso, pode-se ver várias lápides, cujos restos mortais são de antigos nativos e moradores da ilha. A mais antiga destas pertence ao senhor Manoel Francisco Gomes e esposa, datadas de 1869. 

Em frente à igreja, no espaço gramado fica o cruzeiro. A devoção a Nossa Sra. da Luz nasceu em Portugal. Segundo a senhora Elze Moutinho Wense, uma antiga devota, em Portugal numa pedreira aparecia uma luz e as pessoas ficavam curiosas até que resolveram cavar e encontraram a imagem de Maria e a denominaram de Nossa  Senhora da Luz.

A igreja possui nave, capela-mor, sacristia e torre em lados opostos. O altar é uma cópia da igreja de São Francisco, em Salvador. No interior da igreja encontra-se talha neoclássica, típica do período de sua construção e os forros da nave e da capela-mor são ornados com pinturas religiosas. Entre as imagens, destacam-se as de N. S. da Luz, São Paulo, N. S. da Penha e a de Santo Antônio.

Dentro da igreja, no piso, pode-se ver várias lápides, cujos restos mortais são de antigos nativos e moradores da ilha. A mais antiga destas pertence ao senhor Manoel Francisco Gomes e esposa, datadas de 1869. 

Em frente à igreja, no espaço gramado fica o cruzeiro. A devoção a Nossa Sra. da Luz nasceu em Portugal. Segundo a senhora Elze Moutinho Wense, uma antiga devota, em Portugal numa pedreira aparecia uma luz e as pessoas ficavam curiosas até que resolveram cavar e encontraram a imagem de Maria e a denominaram de Nossa  Senhora da Luz.

O Roubo

Durante oito anos a igreja N. Sra. da Luz  foi vítima de um pecado imperdoável: o roubo de grande parte do acervo sagrado. De 1996 até 2004 a maior parte do tesouro, que incluía  alfaias, cálices de ouros, correntes e inclusive uma coroa comprada em Portugal no século 17, foi saqueada da igreja.

O templo foi roubado por um nativo que era o zelador do local. Segundo nos relata o Frei responsável pela Paróquia, Elias Feitosa, desapareceram diversos objetos em ouro e prata, datados de 1630 e doados pelos soldados sediados no Forte na época, além de imagens sacras.

Quando Frei Elias assumiu a paróquia e foi até o local para fazer um levantamento do que havia na igreja, descobriu o desfalque e também o suposto culpado. “A própria pessoa que guardava a igreja havia vendido muita coisa”, ressalta o Frei. O zelador confessou que vendeu 12 imagens, as mais preciosas e antigas. O processo está até hoje junto a Polícia Federal e não houve uma resposta nem retorno sobre as peças roubadas.

Hoje a Igreja não corre mais o risco de passar novamente por contratempos como este. O templo conta a ajuda de uma fiel escudeira e guardiã. A senhora Nice Mouitnho, que diz ter aproximadamente 70 anos, pois não lembra exatamente a idade. Dona Nice pode ter a memória fraca para recordar sua idade, mas é muito esperta e sempre alerta para preservar a igreja. Há quatro anos diariamente ela está de plantão, sempre sentadinha numa cadeira em frente a porta da frente da igreja. Das 6 horas da manhã até às 21 ou 22 horas, Dona Nice permanece ali, fiel como uma verdadeira guardiã. E o mais impressionante é que ela faz isso voluntariamente, sem receber nenhuma quantia em dinheiro.

Ela não desgruda o pé do local até que não tenha ninguém por volta da igreja. Dona Nice conta um episódio em que a imagem de São Gonçalo foi quase roubada. Ela estava sentada quando duas mulheres e um homem entraram na igreja para visitar. A guardiã ficou observando e ouviu os turistas elogiarem a imagem e dizerem: “Está bom de levar”. Pronto ! Ela levantou-se e a viram. Na mesma hora os visitantes levaram um susto e sairam, certamente envergonhados, da igreja.

O Farol história e lindo exemplar.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos

O Farol.

O Farol, hoje local da tiroleza do pôr do sol. O pôr-do-sol ou pôr do Sol é o momento em que o Sol se oculta no horizonte na direção oeste que pode ser considerado como um processo inverso do nascer do sol.

O Farol, hoje local da tiroleza do pôr do sol. O pôr-do-sol ou pôr do Sol é o momento em que o Sol se oculta no horizonte na direção oeste que pode ser considerado como um processo inverso do nascer do sol.

O Farol de Morro de São Paulo é a construção mais visível do povoado e desponta como cartão postal da ilha, sendo a primeira visão para quem chega a Morro de São Paulo pelo mar.

A luz refletida juntamente com a torre medem em torno de 89 metros de altitude e desde o século 19 é o melhor ponto de referência para os navegadores que tem como ponto de chegada o Arquipélago de Tinharé com suas embarcações, auxiliando à navegação e garantindo assim, a segurança.

Hoje, ainda usado para orientar os navegadores à noite, atrai turistas e de onde se tem uma das mais belas vistas da ilha: as praias com suas águas cristalinas e areia fina.

A paisagem é de tirar o fôlego e vale a pena conferir. Atualmente é mantido pela Marinha Brasileira, cuja manutenção é de responsabilidade da Capitania dos Portos do Estado da Bahia.

A seqüência de piscas é de dois lampejos brancos a cada 15 segundos. Sendo que acende automaticamente no final da tarde, por volta das 18h ou ainda quando é necessário em caso de tempo ruim. Sendo totalmente automatizado, dispensa a vigilância do faroleiro, que antigamente era o responsável pelo local.

O acesso ao Farol é feito através de uma trilha, no meio da mata nativa e situada em frente à Igreja Nossa Senhora da Luz. A caminhada tem duração aproximada de 10 minutos e junto ao local fica situada também a Tiroleza.

Historia do Farol

Um farol é uma estrutura elevada, habitualmente uma torre, ajudas à Navegação: Lista de Luzes, Bóias, Balizas e Sinais de Nevoeiro.

Um farol é uma estrutura elevada, habitualmente uma torre, ajudas à Navegação: Lista de Luzes, Bóias, Balizas e Sinais de Nevoeiro.

O Farol do Morro teve suas  obras iniciadas em 1848, sendo totalmente concluídas em 1855. O objetivo era facilitar o acesso ao porto de Valença e foi construído sob a orientação do engenheiro Carson, da Fábrica de Tecidos de Valença, tendo sido considerado na época o mais moderno de todo litoral brasileiro. O maquinário foi importado da França, da empresa “Henry Lepaute “ e os custos foram financiados pelo comerciante português e um dos proprietários da Fábrica de Tecidos, Antônio Francisco de Lacerda.

A importância estratégica do local, fez com que o mirante existente próximo ao Farol tenha feito parte do conjunto defensivo da ilha na época das invasões holandesas e juntamente com a Fortaleza desempenhou importante papel na defesa de Tinharé e da Baía de Todos os Santos. Impotância esta, registrada também nas anotações do diário de D. Pedro II, que durante sua visita a Morro de São Paulo, em 1859, cita o Farol. Na época da Segunda Guerra Mundial, uma estação de rádio-telegrafia do Ministério da Marinha funcionava nas proximidades do Farol, cujas ruínas ainda podem serem vistas.

O Guardião

Hoje o Farol de Morro de São Paulo acende automaticamente, porém, antigamente isto não acontecia. Havia um zelador e pessoas responsáveis pela manutenção do local. Uma destas pessoas foi o senhor Valencio Inato Manuel do Nascimento, chamado de Dandão pelos moradores de Morro de São Paulo. Com 85 anos em 2008, Dandão foi um destes fiéis guardiões do Farol durante 20 anos.

Segundo seus relatos, ele trabalhou como vigilante do Farol ligando e desligando a luz. Apesar da idade e da saúde um pouco debilitada, Seu Dandão recorda que tinha 15 anos de idade quando começou a cuidar do Farol e como um bom guardião zelava pelo local, impedindo que entrassem sem sua permissão.

“Quando algum turista queria conhecer eu abria e deixava subir até o mirante”, lembra. Mas logo depois Seu Dandão fechava para que não ficasse aberto e exposto a qualquer tipo de dano. Antigamente era permitido subir no mirante, hoje não. Nestes tempos em que podia entrar no Farol, havia aqueles que aproveitavam para namorar como fazia o casal de moradores Romenil dos Anjos, com 67 anos em 2008 e Deusa Silva Luz, 62. Prova disso é uma foto onde o casal apaixonado possa tendo como cenário a vista da quase deserta Segunda Praia e sua antiga Ilha da Saudade.

A paisagem vista das proximidades do Farol, hoje, serve como registro dos milhares de turistas que visitam Morro de São Paulo e levam seus testemunhos da beleza do lugar.

A Fonte Grande.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos

 

A Fonte Grande.

Hoje em dia não é utilizada pelos moradores nem visitantes.

Hoje em dia não é utilizada pelos moradores nem visitantes.

A Fonte Grande é outra importante construção que guarda parte da história de Morro de São Paulo. Construída em 1746, durante o período Brasil Colonial, a Fonte Grande foi considerada o maior sistema  de abastecimento de água e citada como um exemplo de tecnologia na época. Rodeada de lendas e fatos pitorescos, o local serviu de palco para episódios que até hoje despertam a curiosidade dos turistas que a visitam. Uma antiga lenda, diz que a Fonte foi descoberta graças a um milagre atribuido a Nossa Senhora da Luz, durante a construção da igreja e sua principal função era abastecer a guarda e o presídio da Fortaleza de Tapirandu.

A Fonte Grande tem também outra curiosa denominação.

É conhecida também como Fonte do Imperador e este nome é atribuído devido a um suposto banho que o imperador D. Pedro II  tomou no lugar. E, detalhe: ele não estava sozinho e sim acompanhado de Domitília de Castro, a famosa Marquesa de Santos.

A veracidade de tal acontecimento é provada através das anotações que D. Pedro II fez durante sua visita a Morro de São Paulo, que foi devidamente registrada e guardada. O banho de D. Pedro II e da  Marquesa de Santos na Fonte Grande contribuiu para a fama do local.

Um patrimonio da humanidade adimirada pelos visitantes

Um patrimonio da humanidade adimirada pelos visitantes

As ruas localizadas próximas ao redor da Fonte cresceram. Aos poucos foram sendo construídas casas e pousadas para atender as novas necessidades de Morro de São Paulo. Hoje,  próxima a Fonte, concentra-se um comércio diversificado, onde além de restaurantes, padaria e lojas, são oferecidas várias opções de hospedagem. Apesar do progresso, ainda pode-se ouvir o barulho da água que antigamente era mais abundante e límpida e fazia a alegria da comunidade do povoado de Morro de São Paulo. Você já imaginou estar visitando o local e deparar com alguém literalmente “tomando banho”. Antigamente isto era normal e habitual pois através de suas águas a população banhava-se nos tradicionais banhos coletivos que até hoje são lembrados com saudades por aqueles que viveram esta época.

A Descoberta

Segundo antigos arquivos, a Fonte foi descoberta por Simão Barreto, numa provável graça da Santa Nossa Senhora da Luz, na ocasião em que este estava construindo a Igreja. Somente em 1746, que a Fonte Grande foi construída tendo sido uma estação de abastecimento de água, responsável pelo abastecimento de boa parte da Bahia Colonial com água potável. Até hoje, entre as poucas coisas que foram preservadas uma placa guarda sua importância histórica: “ O Ilmo e Exmº senhor André de Melo de Castro Conde das Galveas Vice-rei e Captª Genª de Mar e Terra Estado do Brasil mandou fazer esta fonte 1746”.

André de Melo de Castro era vice-rei do Brasil nesta época e construiu a Fonte também com o objetivo desta servir ao presídio, que ficava localizado junto a Fortaleza de Tapirandu. De acordo com o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC), elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Bahia, no ano de 1988: [o imperador D. Pedro II registrou durante sua visita a Morro de São Paulo em 1859 a importância desta fonte pública de 3 bicas para o abastecimento do Brasil Colônia. No ano de 1943 a Fonte Grande foi tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional] (processo nº321-T, inscrição nº 216, Livro Histórico, fls. 36 e Inscrição nº 283-A, Livro das Belas Artes, fls 60. Data 08-VIII.194).

O tombamento histórico não impediu o gesto inconsequente registrado no ano de 1946. Neste ano, a Fonte sofreu danificações atribuídas a ação de algumas pessoas que se identificaram como sendo ligadas a Interventoria Federal e realizaram escavações. O objetivo, segundo contam alguns nativos,  era achar um antigo tesouro.

A Secretaria do Patrimonio Histórico, Artístico e Nacional (SPHAN) vistoriou o monumento e elaborou um orçamento para que fossem recuperados os danos. As obras foram custeadas pelo poder público municipal. Entre os anos de 1954 e 1970 a Fonte Grande também passou por processos de restauração.

Placa informativa da construção da fote grande

Placa informativa da construção da fote grande

O sistema compreende uma cisterna circular recoberta por uma cúpula em meia-laranja; galeria de adução; fonte que é constituída por um chafariz e bacia de captação das águas servidas e sistema de drenagem; uma escadaria com piso em mármore cinza por onde se desce até o local e por onde a água sai através de uma calha de ferro.

Os banhos na fonte Grande

A Fonte Grande não é apenas mais um dos cartões postais e monumentos históricos de Morro de São Paulo. Se no passado foi considerada como o maior sistema  de abastecimento de água, serviu também de palco para  episódios inusitados. Não foi somente Dom Pedro II e a Marquesa de Santos que tiveram o privilégio de banharem-se no local. Era junto à Fonte Grande que aconteciam os tradicionais banhos coletivos da comunidade de Morro de São Paulo.

Devido ao problema de abastecimento e não haver água canalizada, a população via-se obrigada a buscar outras alternativas para sua higiene pessoal e após o banho de mar era comum os moradores formarem fila na bica para o banho. Segundo nos contam antigos moradores, os banhos eram divididos: primeiro as mulheres e depois os homens. Cada um trazia sua saboneteira e toalha e a diversão estava garantida.

“Tomava-se banho de mar e depois vinham tirar o sal aqui”, recorda  Seu Manuel Paulo Santos,com 58 anos em 2008 e nativo. Ele era um dos que frequentava a fonte nesta época e lembra destes tempos com muita saudade. “Havia respeito e todos usufruíam naturalmente da fonte”, diz.

A água é captada através de um reservatório natural e levada até outro reservatório circular, onde é conduzida por uma galeria até a  fonte.

Além dos banhos, outro ponto deixou boas lembranças deste período e marcou história na área próxima à Fonte Grande. Existia uma quitanda, cuja proprietária era  uma senhora chamada  Maria, que vivia abarrotada de nativos que ficavam no local curtindo o final do dia e apreciando uma “boa pinga”, como diz Seu Manuel. Enquanto as mulheres tomavam banho, os homens esperavam no bar de Dona Maria e aproveitavam a ocasião para tomar uma “cachacinha”.

A Rua da Fonte Grande, como é hoje chamada, também teve seus tempos de glória. Por volta da década de 80 existiam alguns  restaurantes no local e eram bem movimentados. De acordo com o empresário Mosaniel Fonseca de Jesus, com 39 anos em 2008, conhecido como Rasta e morador desde 1985 em Morro de São Paulo, quando não havia movimento na praia, era certo que o point era na na Fonte Grande.

Nestes tempos tinha um bar chamado “O Filme”, de um argentino que atraía muitas pessoas, segundo nos conta Rasta. Atualmente como decorrência do progresso que a ilha teve e a crescente ocupação urbana nas proximidades da Fonte, ainda existem alguns restaurantes, mas a maioria se concentra na vila e praias.

FORTALEZA DO MORRO DE SÃO PAULO.

Postado Por: Praia do Encanto  :  Categoria: Pontos Turisticos

 

 

FORTALEZA DO MORRO DE SÃO PAULO – TAPYRANDÚ

Mesmo em ruinas seu visual é extraordinario.

Mesmo em ruinas seu visual é extraordinario.

 

 

 Devido à ameaça de novas invasões, em 1630 o então Governador Diogo Luís de Oliveira ordenou a construção de uma fortificação no local, destinado à defesa do lugar e do recôncavo baiano, pois através do Canal de Tinharé (a falsa Baía de Todos os Santos) se atingiria esta região e a Baía de Todos os Santos, que era a rota para o abastecimento de Salvador. Assim Morro de São Paulo passou então a desempenhar um papel importante na estratégia da defesa da costa baiana e se desenvolveu em função da fortaleza, adquirindo fortes características de núcleo urbano militar.

Uma rica história da defesa das invasões espanhola e holandesa.

Uma rica história da defesa das invasões espanhola e holandesa.

 Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, surgiu a Grande Febre do Ouro. O fato obriga o Rei Vasco Fernandes Cesar de Menezes, a estabelecer um posto de fiscalização em Morro de São Paulo, instituindo assim um controle ao acesso das minas de ouro no interior. Três anos depois, ordena a extensão das obras da fortificação mandando construir o Forte da Ponta ou Forte Tapirandú.

Golfinho bailando em frente a fortaleza deixando os turistas de boca aberta.

Golfinho bailando em frente a fortaleza deixando os turistas de boca aberta.

O sistema da fortificação foi construído por etapa por mais de cem anos, sob uma cortina em forma poligonal disposta no rumo SW – NE, ao longo da barra no Canal de Tinharé. Na extremidade NE fica o Portaló, uma construção de pedras e arenito fixados com óleo de baleia, tem a imponência monumental em forma de arco, é a principal entrada para a fortificação e a vila. À sua frente está um edifício abobadado que servira de casa do corpo da guarda, armazém de armamentos, a tulha de farinha e cômodo dos oficiais. Mais a frente, mais 157m, onde pouco antes há uma guarida, encontra-se o Forte Velho ou Bateria da Conceição, em forma de fecha, com quatro troneiras para sustentação de canhões. Havia ali também uma guarita, um corpo de guarda e a casa do capitão, ambos já não existem mais. A meia costa, seguindo a cortina da muralha, se localizava a bateria de Sto. Antônio que abrigava canhões de menor porte e mais a frente por mais 263 estavam dois grupos de troneiras, chega-se a Fortaleza ou a Ponta; daí o nome Forte da Ponta. A estrutura dita de um quartel com placa de fundação datada de 1730; data que se presume a finalização da construção do Forte da Ponta. No alto do morro, a cavaleiro do Forte da Ponta, ficava o Forte do Zimbeiro onde hoje está o farol, o forte tinha a função de atirar para o mar em direção à barra do canal de Tinharé, na meia encosta, na direção sul, fragmentando na Prainha, estava o Forte de São Luiz que tinha a função de proteger a citada praia onde era fácil o desembarque de inimigos. Do primeiro forte, resta apenas uma pequena muralha e do segundo o que restou está sob as construções que invadiram o patrimônio. Também no alto do morro, ficava a primitiva capela, a casa do capelão, o paiol e um trecho de muralha; tudo completamente destruído.

Realmente esta imagem dentro do forte é merecedora de varios prémios.

Realmente esta imagem dentro do forte é merecedora de varios prémios.

A partir daí iniciou-se uma nova fase de prosperidade para Tinharé e região. A imponente fortaleza, hoje em ruínas, está protegida por uma muralha de 678m de extensão e em certas localidades atinge até 11m de altura; os indígenas a chamavam de Tapyrandú, também foi chamado de Forte do Facho.

 A primeira fase da construção, que consistia na estrutura denominada Forte da Conceição durou quase cem anos, funcionando oficialmente em 1652 antes do termino e ganhara guarnição fixa em 1664. O primeiro foi este e entre os anos de 1728 e 1732, o vice-rei Vasco Fernandes Cesar de Meneses o Conde de Sabugosa, inicia obras de ampliação na Fortaleza, criando outros três fortes: O Forte da Ponta e o pano de cortina da muralha ao longo do canal.  Em 1739, o Vice-rei Andre de Melo e Castro, começa a construção, sobre o morro, da continuação da muralha para integrar o conjunto das fortificações, obra que perdurou até 1759. No ano de 1774 um temporal destrói trechos da muralha do Forte da Ponta que assim ficou até o final deste do século.

Colqueiros moradores do forte bailando pela ventania do oceano.

Colqueiros moradores do forte bailando pela ventania do oceano.

 Em 1748, em sua fase áurea o povoado do Morro de São Paulo contava com cinco construções fortificadas e muralhas, sendo uma das maiores do Brasil. A guarda fixa da Fortaleza eram recrutadas entre os moradores das ilhas, contava na época com 51 peças de artilharia (canhões) e com até 183 soldados. A fortificação também era conhecida com presídio.

 Em 1779, o então Sargento-mor Domingos Álvares Branco Muniz Barreto, assinala o estado de ruínas das fortificações, com os redutos da Conceição, São Luiz, Sto. Antônio e Zimbeiro quase ao chão, reconstrói cortina no Forte da Ponta, recomenda a reedificação do presídio segundo a arte da “castramentação” e a volta da companhia de artilheiros.

 No final do mesmo século, a fortaleza se encontrava decadente e em considerável situação de ruínas. Devido a sua posição estratégica, em 1823 o Almirante Lord T. Cocrkrane a elege base de operações da primeira esquadra brasileira, de onde suas tropas saiam para lutar contra a frota portuguesa, fundeada em Salvador, era o âmbito da independência. Nesta época só havia uma rua; partia da pequena praça em direção a Prainha, em cuja praia habitava a guarnição da fortaleza.

 D. Pedro II visita a Ilha de Tinharé em 1859, com intuito de conhecer a tão falada fortificação e o povoado do Morro de São Paulo, no lugar passa apenas um dia e uma noite, hospeda-se no sobrado da praça, casa do comandante da base militar.

 Na primeira década do século XIX, é recomendada mais uma recuperação na fortificação indicando a substituição o emprego da terra ou madeira em lugar de cantaria ou alvenaria nos parapeitos. Em 1863, com a questão Christie, foi designado o Cel. Engenheiro Henrique B. Ruhan para avaliar as necessidades  de reforçar as fortificações. Inscrições no Portaló indicam haver acontecidos às reformas. No ano seguinte, as obras continuaram sob o comando do Eng. Militar João José Sepulveda de Vasconcelos. Em 1881 a 83, são realizados novos concertos e já no século XX em 1915 se encontrava ao relento as 52 peças de artilharia pesada, os canhões. Em 1937 a fortificação já passa a juridição da Fazenda Nacional e em 1938 foi tombada pelo IPHAN.

 

 

Fonte – IPHAN – IPAC – IRDEB – AABE

28 – Transcrição – W. Pappito